A liderança corporativa nos blogs
Atualização (25/04/2006):
Com a saída de Scott McNealy, Jonathan se tornou CEO da Sun, e é o primeiro CEO blogueiro na lista das 500 empresas mais ricas nos Estados Unidos.
Um exemplo para a liderança das empresas brasileiras que estão ignorando o poder dos blogs na comunicação corporativa. E um exemplo para as empresas que não dão atenção aos clientes sob nenhum aspecto.
Jonathan Schwartz, o Presidente e COO da Sun Microsystems, e um dos representantes (pioneiro) dos blogueiros na alta direção das empresas, concedeu uma pequena entrevista exclusiva para Serendipidade.com. Confesso que fiquei surpreso ao ver a acessibilidade e prontidão que obtive.
O texto completo você poderá acompanhar no website do meu livro, que será lançado em breve.
“Nós estamos apenas no começo do impacto das tecnologias participativas na liderança e comunicação corporativas. Acredito que, em 10 anos, a participação de executivos seniores em conversações de mercado não será mais estranha (ou assustadora) do que o uso de e-mail hoje. […]
Que conselhos eu dou? Comece estabelecendo uma boa política e normas de uso. Seja honesto e aberto […]. Não pense que blogar é fazer publicidade. Encontre a sua voz e seu estilo. Publique links para pessoas que intreressam ou influenciam você.[…]
Responda as idéias legítimas que chegam pelos comentários. Escreva por você mesmo, acima de tudo. Autenticidade é obrigatório. Contratar alguém para escrever seu blog é como contratar alguém para escrever seu e-mail. […] Isso poderá danificar irreversívelmente a sua credibilidade e reputação.”
A propósito, coincidentemente Jonathan esteve no Brasil esta semana para o Sun Tech Days e se encontrou com o Presidente Lula para discutir tecnologias acessíveis e software livre.
Obrigado Sr. Schwartz pela atenção!
Conheça o Fortune 500 Business Blogging Wiki, que mantém uma lista atualizada dos blogs corporativos existentes nas 500 maiores empresas americanas. Apenas 27 das 500 (5,4%) estão blogando, segundo eles.
Blogs são conversações
O excelente CarreiraSolo disse:
“Talvez a grande missão […] seja criar a Blogosfera mais participativa, atuante, real, nacional, única…do planeta. Vamos divulgar os talentos dos amigos (dos reais e dos virtuais que acabamos fazendo aqui e ali) […]”
Substitua o TALVEZ por É.
Desde 2000, quando o Cluetrain Manifesto revolucionou o mundo dizendo que “mercados são conversações”, o que os blogs têm feito é somente confirmar essa tendência.
O blog não é vitrine, BLOG É CONVERSAÇÃO.
Estamos aprendendo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e mais em um monte de lugares.
Todo mundo está falando nisso. Estamos alcançando o tipping point. Depois é só aproveitar.
Para maiores informações relativas aos impactos dessa conversação nas empresas, aguardem o meu livro. Está quase lá.
Todo mundo escreve, ninguém lê…
Carlos Cardoso comentou o que o Fábio Seixas escreveu e o Jônatas concordou: Todos mundo gosta de escrever, mas ninguém gosta de ler e comentar.
Você conhece alguma mídia, algum jornal, rádio ou TV, que possui mais executores do que espectadores? Não? O blog?
É… O blog é um fenômeno, o blog é o único que é assim: mais escrito do que lido. Nossa humanidade pode ir dormir feliz.
Criar é muito mais gostoso porque estamos criando. Ler é secundário, como já dizia o meu post de dezembro de 2005 sobre a baixa audiência dos blogs.
Blogueiros são egoístas? Talvez…
Sermos reconhecidos é melhor que reconhecer? Sem dúvida…
É… os blogueiros são “quase-egoístas”. A criação pode tomar o tempo que temos disponível para ler o que outros estão falando.
Então o foco passa a ser outro: é o número de leitores. Como os leitores são em número menor que o de escritores, ninguém vai comentar ou criticar mesmo, estamos ocupados.
Outra teoria pra quebrar o gelo:
Talvez estamos descobrindo que a cultura dos brasileiros é a de não comentar nos blogs, mas sim fazer filas, passar os outros pra trás, ou jogar na mega-sena…
Só falta a sua empresa…
…para participar deste grupo seleto de exemplos de blogs usados nas empresas e para negócios:
Amazon, Avaya, BMC Software, Cisco, Dell, EDS, Ford, GM, HP, Microsoft, Sprint, Renault F1 Team, Sun, Texas Instruments, Boeing, Oracle, SAP, BMW Oracle Racing, McDonalds, IBM, Ducati e [Sua empresa aqui].
Reforçando o pedido, estou terminando o meu livro sobre Blogs Corporativos, e gostaria de saber se a sua empresa já está blogando. Ou mesmo se você conhece alguma outra que está blogando aqui no Brasil. Exemplos nacionais.
Como eu já havia dito, a seção de agradecimentos do meu livro não se esquecerá de vocês. Comente, me mande e-mail e deixe suas credenciais.
Amor, ódio ou mediocridade.
Já que o calor da conversa é sobre empresas maltratando clientes, como é o caso dos últimos dois posts, queria pegar o gancho da Kathy Sierra e emprestar uma figura (não tive tempo de traduzir) que fala sobre um outro tipo de zona de mediocridade.
Olhem:

Sua empresa deve ser amada ou odiada pelos seus clientes, ser neutra em sentimentos é medíocre. Ser do amor é retenção, desenvolvimento e respeito ao cliente. Ser do ódio é obter uma publicidade do tipo falem bem ou mal, mas falem de mim, mas mesmo assim ainda é estar no centro das atenções.
Ser medíocre ninguém quer. Medíocre não é legal, ninguém nota, os funcionários se aborrecem, e a própria palavra já assusta.
Portanto, o que provavelmente fazem as empresas brasileiras e quem sabe quase todas as outras?
Resposta: Migram para o ódio fugindo da mediocridade, porque ir para o amor é muito mais difícil e custoso. Isso dá no que dá: filas no Procon, reclamações em SACs, empresas quebrando, etc.
É gostar muito de adrenalina?
Chega disso, senão daqui a pouco vão me chamar de bebê chorão.
30 empresas ruins
Enquanto você se lembra de algumas experiências ruins com empresas, delicie-se com a lista das 30 empresas com mais reclamações no Procon-SP em 2005 (e veja em negrito quantas delas possuem produtos ou são de telecom):
Claro – 1.035
Vivo – 870
Embratel – 591
Telefônica – 503
Vésper – 398
Eletropaulo – 321
Credicard – 314
Telemar – 272
Motorola – 186
Clube de Regatas Tietê – 149
Caixa Econômica Federal – 137
Rusk Consultoria e Administração – 136
Cartão C&A – 131
Banespa – 123
Itaucard Financeira – 121
Banco Fininvest – 119
TIM Celular – 113
Banco do Brasil – 105
Associação Portuguesa de Desportos – 103
Intelig – 101
Unibanco – 93
Banco ou Cartões de Crédito Bradesco – 87
Siemens – 85
Clube Fiscal do Brasil – 84
Sabesp – 82
LG Eletronics – 82
Gradiente – 79
Blue Card – 78
Club Fácil – 78
Ibibank/Banco Ibi – 76
Cadê a ANATEL?
Fonte: Folha de São Paulo
Blog como fonte de negócios
Já publiquei diversos textos aqui no Serendipidade sobre o uso dos blogs para negócios ou blogs corporativos, inclusive comentei que estava finalizando o meu livro sobre o assunto.
Direto ao ponto.
Eu escrevi em meados de agosto de 2005 um pequeno texto fazendo referência a uma vassoura feita com garrafas PET, chamada “Vassoura Ecológica“. Minha crítica era que a vassoura deveria se chamar “Vassoura Reciclada“, ou “Vassoura Social“, porque o cabo dela era feito de madeira, ou seja, um cabo que matava as árvores e que transformava a vassoura em anti-ecológica de certa forma. Só isso.
Não imaginava que este post sobre a vassoura seria o ponto de entrada para um mini comércio e/ou fonte de informação sobre como montar o seu exemplar.
Olhem só: (mais detalhes navegue aqui)
Gildázio: “construí minha própria máquina para a fabricação dessa vassoura, caso interessar pelo modelo enviarei fotos…”
Antônio: “Gostaria que voce me mande algumas fotos da maquinas que você idealizou pois estamos precisando de uma. […] Quero um orçamento…”
[… Várias pessoas pediram informações sobre preço, custo, etc…]
Gildázio: “Gostaria que as pessoas interressadas pela máquina de fazer vassoura pet, entrem em contato através do meu e-mail, […] tenho fotos das vassouras para enviar e estou aberto a sugestões (gildazio@…)…”
Conclusão:
Perceberam o potencial do blog usado em seus negócios?
Observem que tipo de ferramenta ele se tornou: Um portal de vendas e relacionamento com clientes. Os clientes entram com dúvidas e perguntam mais sobre seu produto e serviço, e você entra com a VENDA!
E com um adicional nesse caso: Se mantendo responsável socialmente.
As 10 piores corporações de 2005
Demorou para publicar online, mas a Multinational Monitor colocou esta semana o seu ranking das 10 piores empresas de 2005.
Vale lembrar que o ranking é elaborado através da soma de pontos de empresas que enganam a opinião pública, contaminam o meio ambiente, abusam dos trabalhadores ou desvalorizam a cultura. Uma empresa do ano anterior não pode aparecer de novo na lista.
Os nomes estão em ordem alfabética.
- BP – Companhia de Energia (Gás e Petróleo)
Crimes dentro da companhia. Mortes e ferimentos de funcionários em explosão no Texas.
- DELPHI – Fábrica de auto-peças
Diminuição dos salários na beira da falência e favorecimento de executivos.
- DUPONT – Indústria Química
Embalagem tóxica para comida. Veneno no sague de 95% dos americanos.
- EXXONMOBIL – Produtora e distribuidora de petróleo
Estudos contra a teoria do aquecimento global por culpa dos gases de combustão.
- FORD – Fábrica de automóveis
Demagogia para encobrir poluição com resíduos de tintas.
- HALLIBURTON – Provedora de serviços e produtos para a indústria do petróleo
Vários problemas relacionados com poluição e corrupção, em conjunto com serviços prestados ao governo americano, iraniano e iraquiano, e ao exército.
- KPMG – Auditoria e Consultoria
Atividade ilícita gigantesca encoberta com multas e acordos
- ROCHE – Fabricante de medicamentos
Egoísmo monopolista do remédio contra gripe aviária
- SUEZ – Provedora de serviços de utilidade pública (água, gás, eletricidade, etc.)
Lucros a todo custo em cima do direito a água potável de todo ser humano.
- W.R. GRACE – Indústria química e de materiais
Problemas de mortes e intoxicações pelo amianto.
Vale a pena lembrar de algumas maracutaias das empresas brasileiras em 2005 também.
- PETROBRAS – Indústria petrolífera
Vazamento de óleo gigantesco em Angra dos Reis
- SCHINCARIOL – Indústria de bebidas
Escandalo de sonegação de impostos
- DASLU – Shopping para a classe alta
Sonegação de impostos
- QUASE TODAS EMPRESAS FARMACEUTICAS
Tentativa de boicote ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), através do plano de formação de cartel com o boicote à entrada dos medicamentos genéricos no mercado brasileiro.
Sem falar de outros vários problemas da VARIG, VASP, BRASIL TELECOM, entre outras.
Veja também: As 10 piores corporações de 2004
A pirâmide inversa da criminalidade
A pirâmide ao lado foi obtida na apresentação do General Alberto Cardoso na 3a. Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos.
A criminalidade na comunidade permeia uma fatia maior da população, e portanto consiste a base da pirâmide. Os níveis de criminalidade vão aumentando e o número de envolvidos na população diminuindo, até o Crime Organizado no topo, que são comandados por pessoas de maior nível intelectual e de maior poder através de organizações criminosas ou cargos importantes.
Portanto temos:
Mais larga a pirâmide = Maior número da pessoas envolvidas
Mais no alto da pirâmide = Maior o crime
A criminalidade pode ser combatida e ter seus devidos procedimentos penais e jurídicos, afim de se evitar a impunidade. No Brasil poderíamos representar a impunidade com a inversão da pirâmide. Crimes hediondos, crimes de alto valor envolvido, crimes políticos, e outros se situam ainda no topo, porém com a largura da pirâmide maior, pois estamos falando de grandes somas de dinheiro envolvido.
Concluindo:
Mais larga a pirâmide = Maior soma de dinheiro envolvido
Mais no alto da pirâmide = Maior a impunidade
O Brasil perde muito dinheiro para o seu crescimento porque estamos prendendo e mantendo presas as pessoas erradas.
Nicho do nicho do nicho
Para quem já viu e conhece a recém nascida teoria do “Long Tail“, sabe que a web possibilitou o enriquecimento de nichos específicos de mercado, que antes ficavam escondidos demais, ou muito inacessíveis devido a distância e velocidade lenta da informação.
Isso nos dá a idéia de que a segmentação é muito importante para as decisões de marketing, e que sempre existirá um segmento interessante para se explorar.
Um amigo me comentou sobre uma propaganda da TV a cabo muito interessante quando falamos de segmentação. Era basicamente algo assim (números fictícios em alguns casos para ilustrar):
O Brasil possui mais de 180 milhões de habitantes. Desses 180 milhões, 2,5 milhões são assinantes de TV a Cabo e fazem parte principalmente das classes média e alta. Desses 2,5 milhões de assinantes, apenas 100 mil são da classe alta, e respondem por 80% do consumo de produtos e serviços no Brasil. Anuncie na TV a Cabo.
Eu colocaria a idéia acima do seguinte modo para as empresas hoje:
Segmentar é viável e imprecindível. Personalizar é ir além da segmentação, é ser um pra um, é o ideal. A Internet é uma vitrine de segmentos. E na Internet, o blog é a ferramenta de personalização. Use blogs na sua empresa ou nos seus negócios.




