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Mercado de mídias sociais estimula geração de empregos

Analista de mídias sociais é um dos cargos criados para atender a demanda do setor

Bruna Souza Cruz, iG São Paulo | 25/07/2011 05:58

Quando em 2007 tentou convencer o presidente de uma empresa familiar que inserir vídeos no Youtube poderia fazer parte de uma estratégia de divulgação da marca, o publicitário Danilo Sousa teve grande dificuldade. Afinal, as “Pérolas do Orkut” – site que reúne fotos, imagens e mensagens do Orkut tidas como engraçadas – era tudo o que o executivo conhecia sobre mídias sociais. Hoje com 26 anos e pós-graduado em Marketing, ele engrossa as estatísticas dos profissionais de um mercado que há poucos anos não existia: o de análise, monitoramento e geração de conteúdos para sites da chamada web 2.0.

Sousa é atualmente analista de mídias sociais da agência XPress Comunicação, empresa que possui um setor voltado exclusivamente ao planejamento de projetos de conteúdo e de relacionamento para empresas com seus consumidores nas redes sociais. Sua rotina consiste em trabalhar para proporcionar interação entre as marcas e o seu público-alvo. “O objetivo é tentar prever que tipo de conteúdo o consumidor de cada cliente está mais receptivo”, explica.

O analista é responsável por monitorar “basicamente aquilo o que está sendo dito ou relacionado a ela na web” para, se for o caso, “tentar conter a disseminação de falhas e até falsas alegações que causem algum tipo prejuízo à marca”. Além disso, Danilo é encarregado de mensurar o impacto das campanhas publicitárias ou citações da marca na mídia, por meio dos comentários relacionados à empresa postados nas redes sociais e da reação de seus usuários.

Crescimento

Com o crescimento da internet e da web 2.0, blogs, fóruns de discussão, comentários em sites noticiosos e serviços como Twitter e Facebook tornaram-se importantes elementos da estratégia de marketing e fortalecimento de marca das grandes empresas. Dados do instituto de pesquisa Ibope, coletados entre os dias 2 e 15 de setembro de 2010 pela sua unidade de negócios voltada para mídia, indicam que as redes sociais no Brasil já são acessadas regularmente por 67% dos internautas, sendo que 58% dos entrevistados o fazem há pelo menos três anos.

Em relação às empresas, uma pesquisa realizada pela consultoria Deloitte, entre os meses de fevereiro e março do ano passado, aponta que 70% das companhias brasileiras já utilizam ou monitoram as mídias sociais. No entanto, o mesmo estudo aponta que a maioria delas não conseguiu implementá-las integralmente em sua rotina. Os principais obstáculos apontados foram a falta de tempo para o gerenciamento das ferramentas online (49%) e a falta de conhecimento em gestão de mídias sociais (31%).

Para Ignacio García, professor do curso Análise das Redes de Inovação nas Empresas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de São Paulo, as companhias e marcas querem estar online para garantir visibilidade e presença de suas marcas. “Mas as ações que efetivamente proporcionam um canal de diálogo interativo, no qual a comunicação deixa de ser uma via de mão única, não são tão expressivas quanto a potencialidade que o mercado oferece.”

“Não importa a ferramenta que você utiliza para interagir com as pessoas, o que importa é a forma como você a utiliza para o relacionamento, para o diálogo”, acrescenta Fabio Cipriani, gerente responsável pela prática de consultoria em mídias sociais da Deloitte.

E, diante da realidade, as mídias sociais estão se tornando uma fonte de empregos. “Atualmente, convivemos com uma série de cargos que não existiam há alguns anos e, sendo assim, faltam profissionais capacitados”, explica Stephania Fincatti, gerente de comunicação e relacionamento web da Universidade Cruzeiro do Sul.

A profissional, responsável pela criação de estratégias e monitoração de desempenhos na internet, explica que cargos como analista de redes sociais, analista de métricas e especialista em marketing digital surgiram para atender à demanda por criação de conteúdo, definição de estratégia e programação de ações para as empresas.

O analista de redes sociais é responsável por identificar oportunidades em relação às ações de comunicação alinhadas ao perfil do público-alvo da empresa. O profissional faz o acompanhamento e gerenciamento diário de cada perfil criado nas redes sociais.

Já o analista de métricas trabalha com análise e produção de relatórios por meio da criação de métricas. Também auxilia a identificar oportunidades para propor melhorias no processo. “O monitoramento da campanha e a observação de presença e interação online contribuem para a definição e planejamento de ações”, explica Stephania.

O especialista em marketing digital atua em todas as plataformas de comunicação online, sendo responsável pela definição de formas de comunicação com o público: elege os canais de mídia mais recomendados, faz a mensuração de retorno e gerencia o relacionamento. “Ele atua no planejamento das ações a fim de facilitar a busca da informação pelo cliente tornando o produto ou empresa visível”, complementa Stephania.

O professor García afirma que, em média, um analista de mídias sociais pode receber entre R$ 2.000 e R$ 3.000 de salário mensal. Já os profissionais que atuam na área como gerentes têm uma média salarial em torno de R$ 5.500 a R$ 7.000.

Perfil

Para Fabio Cipriani, o perfil profissional varia de acordo com a importância da vaga. “Quanto se começa a pensar em vagas de alto de nível, como estrategista de mídias sociais, é preciso que o profissional tenha experiência em gestão”, exemplifica Cipriani, também autor do livro Estratégias em Mídias Sociais. “Agora, quando a vaga é para analista, é preciso que o candidato conheça a dinâmica das redes sociais e saiba ler e interpretar dados.”

De modo geral, os profissionais devem ter capacidade de pesquisar, buscar informações e compreender padrões. “Além disso, um diferencial interessante é ter algum conhecimento no mercado em que a empresa que irá trabalhar”, destaca o professor Ignacio García.

O analista de mídias sociais Danilo Sousa ainda ressalta que a curiosidade é uma das principais características do profissional que trabalha com as mídias sociais. “É aquela curiosidade boa, ativa, para correr atrás e tentar aprender um pouco de tudo”, define. “Afinal, o trabalho é muito mais do que falar para as pessoas, é falar com as pessoas e fazê-las interagir. É preciso ser alguém atento à forma como as pessoas se relacionam e aos padrões de comportamento.”

Áreas de atuação

A pesquisa da consultoria Deloitte aponta que as áreas que comandam as ações de mídias sociais geralmente são as de marketing (73%), tecnologia da informação (16%) e vendas (13%).

Stephania acrescenta que não há restrições quanto ao profissional que pode atuar no setor. “Hoje, temos profissionais das áreas de relações públicas, publicitários, jornalistas, designers, programadores, entre outros. É uma área em constante mudança. Muitos perceberam essa necessidade de atualização nas próprias profissões e foram atrás desse novo mercado”, acredita.

Fabio Cipriani explica que grande parte das empresas contrata agências de comunicação para trabalhar com a publicidade e com o marketing da companhia nas mídias sociais. Outras organizações optam pela contratação dos serviços de call center com o propósito de monitorar o fluxo de informações e usuários nas ferramentas online.

Apesar desse quadro, o autor defende que ter um especialista na área dentro da própria empresa pode ser uma estratégia de negócio. “É mais prático, o profissional tem acesso a base de dados da empresa. Há mais velocidade no atendimento aos clientes nas mídias sociais, o retorno é mais rápido.”

O especialista afirma que as companhias, em geral, vislumbram as mídias sociais apenas como marketing público e não como uma plataforma autêntica de relacionamento. “A partir do momento que as empresas começarem a usá-las como relacionamento e não como mídia e publicidade, aí vamos começar a observar um maior crescimento dos postos de trabalho”, ressalta o autor. “A internet no Brasil está crescendo, as mídias sociais estão crescendo. Se você quer uma coisa mais efetiva a longo prazo, tem que dar atenção e dar suporte aos clientes nas mídias sociais e é preciso ter profissionais dedicados a isso”, conclui.