Vai um cafezinho aí?

Criatividade é sempre uma palavra muito mencionada no mundo corporativo, as empresas sempre buscam soltar as “asas da imaginação” na cabeça dos funcionários para aumentar a produtividade, trazer inovações e principalmente cunhar idéias que podem ajudar a empresa no mercado onde atua.
Antes de trabalhar externamente a capacidade criativa dos seus funcionários através de treinamentos, é preciso entender os conceitos biológicos e fisiológicos da criatividade e da inovação.
A maneira que o cérebro trabalha faz de você uma pessoa criativa e inovadora. Mas você pode trabalhar de maneiras diferentes e experimentar diferentes ondas cerebrais dependendo do que você está fazendo. Algumas ondas cerebrais liberam melhor a criatividade que outras ondas, portanto, entendendo o estágio atual do seu estado cerebral pode ser crucial quando você precisa ser mais criativo no trabalho.
Hans Berger, um psiquiatra austríaco, descobriu que existem 4 tipos de ondas cerebrais: alfa, beta, teta e delta. Algumas delas podem ajudar na criatividade, como a alfa e a teta. A onda de oscilamento mais rápida é a beta, e a mais lenta é a delta.
ALFA – as ondas alfa são as mais proximas da criatividade e imaginação. Elas aparecem quando você está desperto, mas relaxado. Você pode alcançar as ondas alfa relaxando, cochilando mas não dormindo profundamente, através de posturas e processos de pensamento.
BETA – essa onda é mais associada a estados de ansiedade, extrema concentração e quando estamos sob pressão e stress. é a que apresentamos no dia-a-dia, quando estamos acordados e concentrados. No estado Beta não se está relaxado. Sua criatividade e imaginação estão suprimidas.
TETA – as ondas teta são aquelas quando estamos mais relaxados ainda, aquelas que experimentamos logo antes de começar a dormir. No momento da inspiração podemos experimentar ondas teta. Aumenta a criatividade, reduz o stress e melhora o aprendizado e a intuição.
DELTA – são as ondas que ocorrem enquanto estamos dormindo, na fase de inconsciência. Por isso não tem relevância no processo criativo a não ser pelos sonhos, que na verdade são processos inconscientes de criatividade.
Não é a toa que as grandes inspirações, o “Eureca!” surgem nos momentos em que nos desligamos um pouco do trabalho concentrado. Estimular a criatividade tem haver com fazer uma pausa na concentração e ir tomar uma ar. Um ar, e não um café, porque é comprovado que a cafeína estimula a produção de ondas beta, que são aquelas que inibem a criatividade.
Chegar atrasado no serviço, ficar o dia inteiro concentrado, estar sob pressão com deadlines estreitos e tomar um cafezinho cem vezes por dia vão inibir a sua criatividade.
Pulseiras da moda ou da distância?
Um dia, há varios meses atrás eu vi um sujeito usando uma dessas pulseiras amarelas e confesso que fiquei curioso por saber do que se tratava esse ornamento uma vez que comecei a perceber a sua presença em vários braços a partir de então.
Se tratava da pulseira lançada pela fundação de um famoso ciclista para angariar fundos em prol das jovens vítimas do Câncer, que juntamente com uma grande companhia de equipamentos esportivos, através do seu website passou a vendê-las aos milhões.
Não que não seja uma ótima campanha, muito séria e comprometida com seus objetivos financeiros e “marketeiros” (falo disso mais tarde). O mundo precisa disso, a solidariedade das pessoas comprando essas pequenas lembranças. Uma ótima oportunidade para mover as pessoas a colocar dinheiro na solidariedade. Muitos de nós não fazemos nada para construir ou tentar ajudar um próximo necessitado, assim, essas pulseiras são um escambo muito justo, faz com que o indivíduo dôe seu dinheiro indiretamente, recebendo um “recibo” por isso. Recibo esse que poderá ser mostrado aos seus amigos na sociedade capitalista de hoje que ele é uma pessoa “engajada” com a ajuda e as boas ações. Quem sabe até propagar a boa ação pelos amigos e parentes próximos.
Feliz a idéia do nosso ciclista que fomentou diversas ações do gênero pelo mundo surgindo assim todo uma nova linhagem de “pulseiras solidárias”. Repito, não é que não seja uma boa idéia, é ótimo e tem trazido bons resultados, mas quero mostrar que precisamos ser sensatos ao comprar uma delas, e perceber que podemos fazer ainda mais pelo mundo do que simplesmente “andar na moda”. Além das pulseiras ainda existem outras maneiras de ajudar, não basta ajudar na “onda da moda”, tem que ajudar sempre. Em uma outra oportunidade, outro dia, gostaria de falar sobre essa “ajuda oportunista”.
Aqui no Brasil eu percebo que somos muito Humanos com “H” maiúsculo, fomos tomados subitamente pela febre das pulseiras, todo mundo, todo mundo ajudando… ajudando? Sim, ajudando… ajudando também nossos amigos falsificadores a ganhar mais dinheiro por causa de MODA, sim, Humanos gostam de ficar na moda, estar sempre da maneira que estão os demais da sua tribo, se parecer bem e no alto da hierarquia do bem estar que nós buscamos em nós mesmos: ser aceito pelos outros Humanos.
Infelizes são os falsificadores que para não passarem fome, seja aqui ou seja em outro país, são muitas vezes astutos e acompanham uma onda que pode trazer o seu ganha pão. E no final o que temos? Que a pulseira da solidariedade acaba servindo também para os “pobres” falsificadores! Bom? Mal? Veremos…
Faço uma pequena interrupção na linha de raciocínio porque queria ainda completar um outro aspecto. A fraternidade, amizade e solidariedade são coisas que estão na moda também. Hoje em dia as empresas estão cada vez mais investindo em programas de responsabilidade social. Através de voluntários do próprio corpo de funcionários, a empresa entra com o patrocínio ou eventos que promovem o crescimento da sociedade necessitada utilizando a sociedade mais abastada.
Assim, ao comprarmos a pulseira temos que botar a mão na cabeça e pensar: Estamos ajudando? Ou estamos tentando ficar longe da pobre realidade social ajudando remotamente, indiretamente, à distância? Temos medo?

Aos que compram as falsificadas, não temos como saber de onde vem e se o falsificador é realmente pobre. Se ele utiliza mão de obra infantil ou promove o tráfico com o dinheiro.
Por outro lado, aos que compram as originais, lembrando do marketing que as empresas estão fazendo com a Responsabilidade Social, sabemos que o dinheiro provavelmente vai promover o bem. Porém não sabemos se a empresa também não usa mão de obra infantil ou conta com empresários corruptos que desviarão uma parte da grana. A Responsabilidade Social pode ser uma mascara ou um elixir que apaga a memória de todos nós, pobres consumidores capitalistas.
E os que compram pela moda? Nem precisamos nos preocupar, pois eles nem devem ter entendido tudo isso… pecam pela inocência.
Como diria Luciano Ligabue de um grupo de rock italiano em uma de suas canções: Baby, é um mundo super.
E assim surge o Polietileno…
A descoberta do Polietileno é uma série de Serendipidades de alto risco. O primeiro caso conhecido é o do químico alemão Hans von Pechmann que criou uma substância branca e similar a uma cera ao realizar experimentos com o aquecimento do diazometano em 1898.

Logo após em 1933, Eric Fawcett e Reginald Gibson, químicos da ICI Química conseguiram (mais uma vez por acidente) encontrar um material branco parecido com cera através de um experimento de aplicação de alta pressão e temperatura sobre uma mistura de etileno e benzaldeído. Eles não conseguiram reproduzir o experimento porque nele havia entrado traços de oxigênio por contaminação.
Somente em 1935 outro químico da ICI, Michael Perrin, conseguiu (olha que coincidência: por acidente) reproduzir o experimento de seus outros dois colegas e encontrar o mesmo material branco graças a um vazamento que gerou a necessidade de se inserir mais etileno (contaminado com oxigênio). Só que desta vez conseguiram identificar que era necessário uma certa quantidade de oxigênio para se iniciar a polimerização.
A partir de 1939 se iniciou a produção industrial de Polietileno, que hoje em dia é usado para produzir peças plásticas, filmes plásticos, garrafas PET (Polietileno Tereftálico), tubulações e etc.
Atos Instintivos
Thoughtless Acts é um livro muito interessante que fala sobre atos humanos instintivos ou impensados. Compilado pela Janet Fulton Suri que integra o time de profissionais da IDEO, o livro consiste em um conjunto de fotografias que mostram como nós adaptamos, usamos, interagimos, sinalizamos e adequamos a nossa existência com o ambiente e os objetos que nos circundam.
Trecho da introdução:
“Algumas ações, como por exemplo segurar em algo para balançar, são universais e instintivas. Outras, como aquecer as mãos em uma caneca quente ou acariciar veludo, se baseiam em experiências tão incorporadas que se tornam quase inconscientes. Pendurar um paletó para reservar uma cadeira se tornou espontâneo através de hábitos e aprendizagem social. A observação de cada uma dessas interações cotidianas revela detalhes sutis sobre como nós relacionamos com o mundo natural e projetado. Esta é a informação e a inspiração chave para o design, e um ótimo ponto de partida para qualquer iniciativa criativa.”
O livro publicado pela Chronicle Books não tem versão brasileira mas pode ser encontrado nas grandes lojas on-line internacionais. O site oficial é uma oportunidade de conhecer melhor o livro e também possui uma seção dedicada a fotos enviadas por leitores com suas próprias observações.
Um ensaio no final do livro nos ensina a perceber melhor essas ações inconscientes gerando a oportunidade de enchermos os olhos com fascinação.




