Cheiros e a italiana maneira de lidar com seus clientes

set 15, 2008   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  2 Comentários

PizzaCheguei ontem em casa depois de duas semanas fazendo um pequeno grande giro pela minha velha e boa Itália. Foram mais de 4.400 km rodados de carro e incontáveis kms andados a pé.

Antes de entrar no esquema normal das minhas postagens vou gastar algum tempo (talvez uns 2 ou 3 posts) contando algumas situações que me fizeram refletir.

Como estava retornando ao país pela primeira vez depois de ter morado lá em 2001/2002 pude notar que a Itália tem um cheiro. A minha memória olfativa o detectou logo que coloquei os meus pés em Aosta, no norte do país. Um cheiro adocicado com fundo de comida, algumas vezes manchados de bromidrose por conta dos escassos banhos que as pessoas tomam por lá. Confirmei também que voltar a um lugar visitado mais uma vez permite descobrir um grande número de características físicas, culturais e de comportamento que passam despercebidas por quem só visita um lugar uma única vez.

Mas em se falando da Itália, uma característica é possível perceber sempre: a impaciência (e educação) dos balconistas. “Tolerância zero”.

Em Roma, a alguns passos da Fontana di Trevi escutei um balconista de uma pizzaria respondendo a um brasileiro desavisado (e que não falava italiano):

_ Pago aqui? – pergunta o Brasileiro em alto e bom português logo em frente a caixa registradora do local,

_ Não, você sai pela porta, passa em frente a fonte e segue reto, anda até o Pantheon e lá você vai encontrar um lugar escrito “Cassa”. É alí que você deve pagar. – respondeu em italiano o balconista/dono do estabelecimento para o delírio próprio e dos demais italian speakers presentes.

O brasileiro, que aparentemente não entendeu o que o balconista falou, pegou o dinheiro e entregou a ele com cara de interrogação.

Ri muito. Pensei nos pobres balconistas que enfrentam uma legião de turistas perdidos todos os dias e pensei no povo brasileiro e seu pequeno rabo balançante para todos, especialmente gringos. Viva as diferenças.

2 Comentários

  • É uma situação engraçada, mas ao mesmo tempo, ridícula. Está certo que o balconista deve lidar diariamente com todo tipo de cliente, mas o mínimo de educação é sempre bem-vindo.

    “pensei no povo brasileiro e seu pequeno rabo balançante para todos, especialmente gringos”, Você não tem noção de como eu odeio essa mania de brasileiro de ser educado com tudo quanto é tipo de estrangeiro (de país rico, claro).

    Aqui na universidade onde estudo tem muito intercambista, e o povo daqui adora pra treinar o inglês.

  • O Balconista desta historia teria gastado muito menos energia pra pronunciar um simples “sim”… Falta praticidade a certas pessoas. Leve-se em consideracao que pessoas que agem com esta intolerancia com certeza nunca sairam do seu pais. Como sera que ele (balconista) se sairia se invertessemos a situacao: ele no Brasil, tentando comprar alguma coisa. Acho ridiculo como algumas pessoas tornam as mais simples situacao como algo pessoal (como esse balconista). Por isso, quando vou a outros paises eu pergunto o minimo. Se estou fazendo algo errado alguem vai me avisar, entao eu, sem nenhum vexame, digo “obrigado” e faco a coisa certa…

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