O gene é realmente egoísta?
Trabalhando no primeiro capítulo do meu novo livro me lembrei de uma história sobre pingüins que li no livro ‘The Social Atom‘ e que provavelmente foi originada no livro ‘O Gene Egoísta‘ do Richard Dawkins:
{…} Eles [os pingüins] são freqüentemente vistos na beira da água, hesitando mergulhar, por causa do perigo de serem comidos pelas focas. Se um deles mergulhar primeiro, o resto saberá se alí existe uma foca à espreita ou não. Lógico que ninguém quer ser o cobaia, então eles esperam e, às vezes, até empurram uns aos outros[…]
Já tinha até escrito o parágrafo quando então decidi pesquisar mais a fundo. Encontrei diversas fontes contrárias à afirmação de Dawkins na rede. Uma delas vem do livro ‘The Emperor’s Embrace: Reflections on Animal Families and Fatherhood‘:
[…] Quando os pingüins chegam na margem não existem empurrões; um deles pula e, uma vez que pingüins não resistem seguir o lider, o resto pula nas águas congelantes também[…]
Fraco argumento. Não satisfeito fui além e encontrei a resposta de Polly Penhale no site da NASA:
É difícil encontrar a resposta porque é difícil construir experimentos para verificar esse fato. A idéia de pingüins ‘testando a água’ empurrando outros foi baseada em observações. Normalmente, quando os pingüins se encontram na beira da água, eles estão em grupos de 100 a 1000 aves. Eles são muito ativos, estão sempre andando em círculos e os que estão atrás não conseguem ver o que está acontecendo na frente. Acredito que essa situação tumultuosa de empurra-empurra acaba ocasionando na queda de um deles.
O resto das discussões gira em torno disso e do vídeo engraçado de um pingüim dando um ‘tapinha’ nas costas do seu camarada. Que é falso.
Como não existe experimento que prove uma ou outra afirmação vou manter o argumento. Mas fica aqui o recado para não acreditar sempre em tudo que lemos. Investigar diverte, educa e é o melhor exercício para nossa intelectualidade.
Teorema da economia viral

Esse é o teorema de retalhos dos livros abaixo.
Quando lidos individualmente, estes livros trazem muitas idéias que provocam o leitor, faz com que nossa cabeça pense e raciocine sobre o ambiente que nos cerca. Mas quando lemos e refletimos sobre o grupo, temos a impressão que o círculo se fecha. Existem sobreposições e variações dos mesmos (parecidos ou relacionados) temas. Um livro puxa outro.
As conexões são as seguintes:
1 – O Gene Egoísta (1976) – Dawkins criou o conceito de meme. Unidades ou fragmentos de idéias e pensamentos que habitam nosso cérebro e que tem a capacidade de se autopropagar.
2 – The Tipping Point (2000) – Pegou um nome e conceito criado por Morton Grodzins nos anos 60 e elaborou um ótimo livro em torno dele. Ali foi definido que quem espalha o vírus das idéias são os conectores, especialistas e os vendedores. Ah, o livro também fala sobre o fator “stickiness” (pegajosidade) das idéias que espalham.
3 – Made to Stick (2007) – Pelo nome do livro dá até para imaginar que o texto faz referência ao The Tipping Point. Sim, o livro é, de certa forma, dedicado a ele. Os autores desenrolaram uma regra chamada “SUCCES” (Simples, Inesperada, Concreta, Crível, Emocionante e Histórica) para criar idéias e trouxeram o conceito da “maldição do conhecimento” – que a grosso modo diz que quando sabemos algo é difícil explicarmos. Aqui o SUCCES é a máquina processadora de memes e criadora de idéias.
4 – The Social Atom (2007) – Descreveu as pessoas como átomos os quais seguem padrões. Somos adaptadores, imitadores e cooperadores. A idéia de um tipping point é descrito na forma em que imitamos os outros e causamos uma avalanche de mudanças.
5 – Predictably Irrational (2008) – Um dos últimos que li e que fecha o cerco. Migrando para a área de economia baseada no comportamento humano, o livro nos traz vários exemplos que abordam diversos temas dentro do assunto. Aversão à perda (evitar riscos), endowment effect (o que possuo é mais valioso), enquadramento (dependendo da forma que contamos uma idéia ela será adotada), são alguns exemplos da economia comportamental.
Perceba como os conectores, especialistas e vendedores (grupo 1) se relacionam com os adaptadores, imitadores e cooperadores (grupo 2) e como o fator pegajosidade (informação) consiste em memes ordenados trocados entre essas partes. O fator irracional provoca a reação desejada.
Como no caso do ovo e da galinha, não sabemos ao certo se o grupo 1 veio antes do 2 ou vice versa. Além disso, o grupo 1 pode ter qualidades do grupo 2 e vice versa também. Mas deixamos separados para fazer a teoria funcionar.
Observe que coloquei o meu livro na transmissão da idéia, mas aqui vale qualquer veículo.
Curiosamente a ordem cronológica de publicação dos livros segue a ordem do ciclo implícito no teorema:
Criar – Transmitir – Receber – Reagir – Criar …
Tem material o bastante aqui para gerar um outro livro 😉




