As 10 piores corporações de 2005
Demorou para publicar online, mas a Multinational Monitor colocou esta semana o seu ranking das 10 piores empresas de 2005.
Vale lembrar que o ranking é elaborado através da soma de pontos de empresas que enganam a opinião pública, contaminam o meio ambiente, abusam dos trabalhadores ou desvalorizam a cultura. Uma empresa do ano anterior não pode aparecer de novo na lista.
Os nomes estão em ordem alfabética.
- BP – Companhia de Energia (Gás e Petróleo)
Crimes dentro da companhia. Mortes e ferimentos de funcionários em explosão no Texas.
- DELPHI – Fábrica de auto-peças
Diminuição dos salários na beira da falência e favorecimento de executivos.
- DUPONT – Indústria Química
Embalagem tóxica para comida. Veneno no sague de 95% dos americanos.
- EXXONMOBIL – Produtora e distribuidora de petróleo
Estudos contra a teoria do aquecimento global por culpa dos gases de combustão.
- FORD – Fábrica de automóveis
Demagogia para encobrir poluição com resíduos de tintas.
- HALLIBURTON – Provedora de serviços e produtos para a indústria do petróleo
Vários problemas relacionados com poluição e corrupção, em conjunto com serviços prestados ao governo americano, iraniano e iraquiano, e ao exército.
- KPMG – Auditoria e Consultoria
Atividade ilícita gigantesca encoberta com multas e acordos
- ROCHE – Fabricante de medicamentos
Egoísmo monopolista do remédio contra gripe aviária
- SUEZ – Provedora de serviços de utilidade pública (água, gás, eletricidade, etc.)
Lucros a todo custo em cima do direito a água potável de todo ser humano.
- W.R. GRACE – Indústria química e de materiais
Problemas de mortes e intoxicações pelo amianto.
Vale a pena lembrar de algumas maracutaias das empresas brasileiras em 2005 também.
- PETROBRAS – Indústria petrolífera
Vazamento de óleo gigantesco em Angra dos Reis
- SCHINCARIOL – Indústria de bebidas
Escandalo de sonegação de impostos
- DASLU – Shopping para a classe alta
Sonegação de impostos
- QUASE TODAS EMPRESAS FARMACEUTICAS
Tentativa de boicote ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), através do plano de formação de cartel com o boicote à entrada dos medicamentos genéricos no mercado brasileiro.
Sem falar de outros vários problemas da VARIG, VASP, BRASIL TELECOM, entre outras.
Veja também: As 10 piores corporações de 2004
Consultoria de Marketing
Empresas procuram cada vez mais profissionais de consultoria externos, não somente para ajudar a focalizar melhor os objetivos ou racionalizar a estratégia, mas sobretudo para participar dos projetos em primeira pessoa.
Tudo isso porque a inovação de marketing passa hoje por uma transformação benéfica dos processos operacionais, para permitir otimização de budget e um melhor monitoramento do retorno sobre investimento.
Nesse contexto algumas profissões estão surgindo nos departamentos de Marketing das grandes empresas.
O Trend Watcher
É o papel profissional de quem se ocupa da análise e monitoramento das macrotendências, coordenação de pesquisas, e acompanhamento dos estudos realizados por agências especializadas no assunto como: Iconoculture, The Intelligence Group ou Influxinsights. A análise de tendências é uma função sempre muito complexa e que necessita de competências multidiciplinares.
O Usability Manager
É o profissional que analisa a usabilidade dos projetos de comunicação das companhias e dos próprios produtos e serviços da empresa. Faz um papel de ombudsman que busca confrontar o que foi desenvolvido pela empresa com a demanda real dos clientes. Pode ser um funcionário interno ou um consultor externo. A Microsoft já adotou esse profissional.
O Marketing Content Manager
Realiza o desenho e projeto dos conteúdos de marketing e para o marketing. Também pode ser feito internamente ou através de consultoria.
O Innovation Manager
Profissional responsável pela gestão da equipe de inovação, uma área (departamento) cada vez mais presente nas empresas. Entre os principais processos geridos por esse profissional estão: captação de idéias no mercado e internamente com os funcionários, criar projetos com alternativas de uso ou aplicação de produtos e serviços e adaptar a companhia para uma cultura de inovação e criatividade.
Exemplos nacionais de analistas de tendências aqui, aqui e aqui.
Duas vezes um Brasil Imbecil
Vi duas notícias essa semana que me deixaram perplexo pelo tamanho do descuido com valores e bens nacionais. Nada tão novo que não possa ser comparado com algo no passado e nada tão velho que nos impeça de correr atrás do tempo perdido.
Duas faces de um país idolatrado salve! salve! Corroído pela ambição política e o famoso “preciso tirar vantagem de tudo”.
Face 1 – Burocracia e Lentidão
“A rapadura é doce mas não é mole não…”
Vemos sempre alguma notícia relacionada com o efeito medicinal de plantas amazônicas que são patenteadas no exterior, uma derrota da pesquisa nacional para os estrangeiros que possuem um “passaporte amazônico” garantido pela falta de controle. Históricamente até Santos Dumont, o nosso herói e idealizador (e ai de quem diga que não foi ele primeiro) daquela máquina que voa, perdeu sua patente para os irmãos Wright segundo a visão hiper-patriota dos americanosdonosdomundo.
E agora foi a vez da rapadura!
Uma pequena empresa alemã chamada “Rapunzel” patenteou a bixinha como marca exclusiva da empresa na Alemanha e nos Estados Unidos. Agora diplomatas brasileiros estão correndo atrás daquela que representa a história e as raízes do nosso país, senão vamos ter que pagar royalties.
Face 2 – Desvalorização da memória nacional
Um incêncio durante a semana passada no hospital Juqueri na cidade de Franco da Rocha, destruiu uma série objetos, móveis e livros. No meio dos livros, revistas, cartas e publicações havia aquilo que poderia ser apresentado como a maior riqueza cultural da história da psiquiatria brasileira.
Documentos que deveriam ter sido mantidos em uma reserva especial segura ou em uma biblioteca ou museu seguros. Dentre as cinzas, agora estão as memórias, as frases, as letras de pessoas como Sigmund Freud e o próprio Franco da Rocha. Prontuários e livros que registram a evolução dos tratamentos dos transtornos mentais.
Quantas mais faces ruins temos que desvendar para que se caia a máscara egoísta da impunidade e da ignorância? Será que um dia a “ficha vai cair” na cabeça dos que agem deliberadamente em benefício próprio? Será que essas pessoas vão perceber que estão usando tapas nos olhos como nos cavalos para ver só pra frente e não olhar em volta?
O que está faltando? Percepção ou vergonha na cara?
Movimento Leia Blogs!
A situação é crítica.
Blogs possuem uma baixíssima audiência.
Faça parte do Movimento Leia Blogs!
Segundo diversas pesquisas, o número de blogs está aumentando exponencialmente chegando a mais de 20 milhões de páginas em todo o mundo. O problema é que poucos usuários de internet acessam e lêem blogs freqüentemente. Segundo uma enquete do Wall Street Journal, mais de 65% dos pesquisados nunca lêem sequer um blog. Olhando a figura vemos que dentre os que lêem mais de 5 blogs por semana é restrito a um grupo de 17% dentro do universo pesquisado. Pior é ver que a amostragem é pequena também (cerca de 2500 respostas e contando), mostrando a falta de interesse pelo assunto.

Alguns sites estão preocupados em fazer pesquisas e entender o perfil do blogueiro ou premiar blogs, mas não vi nenhum que busca divulgar a leitura freqüente de blogs. Sabemos que no universo dos blogs, poucos possuem qualidade, mas não deixam de ser uma ótima fonte de informação e conhecimento em alguns casos. É importantante destacar que existem blogs famosos, mas que quando comparado ao numero de blogs existentes é visivelmente aparente a falta de leitores. Veja esta matéria da Reuters.
Sendo assim, proponho aos leitores de Serendipidade.com a promoverem a leitura de blogs. Não é mandatório colocar o pequeno banner em suas páginas, o importante é usarmos a melhor ferramenta de marketing existente: o boca-a-boca.
– Espalhe para seus vizinhos, amigos, parentes, esposas, maridos e colegas de trabalho que ler blogs nos trás conhecimento e cultura.
– Apresente dois ou três blogs interessantes que vocês acessam.
– Mostre o quão importante é ter um blog para desenvolver a capacidade de redigir textos e exercitar a capacidade crítica e analítica.
– Identifique o assunto de interesse das pessoas próximas e diga a elas que blogs oferecem muita informação sobre qualquer assunto.
Participe!
Baby Talkin' Blues
Baby é um mundo super…
Porque afinal de contas, existem apenas um bilhão e trezentos milhões de pessoas que não possuem acesso a água potável…
Baby é um mundo super…
Porque o volume de negócios das nossas bolsas equivale ao produto interno bruto de um ano da África inteira…
Baby é um mundo super…
Porque no final, nós que estamos de fora do terceiro mundo nos permitimos dizer “eles acabaram com a cultura”…
Baby é um mundo super…
Porque sobre este planeta existem mais de um bilhão de analfabetos, um a cada seis habitantes…
Mas é também um mundo super porque, cada um de nós produzimos a cada ano quatrocentos quilos de resíduos sólidos e mais de uma tonelada de resíduos gasosos, e porque, neste momento existem 50% das florestas tropicais que existiam em apenas 50 anos atrás…
Alguém pode dizer: não seja catastrofista, tudo somado, teremos floresta até 2037, depois pensamos nisso… faremos um mundo sem florestas tropicais…
Ou você quer ser catastrofista apenas porque neste… Baby é um mundo super… este desflorestamento produziu a maior extinção de espécies animais desde os tempos dos dinossauros…
Baby é um mundo super…
Bill Gates nosso… que não estais nos céus… e não entende o porque… e isso está atravessado na sua garganta… nos dai hoje o nosso chip cotidiano… Amém!
Letra da música (falada) do cantor de rock italiano Luciano Ligabue.
Marcas que marcam
Existem campanhas de produtos que ficam “incrustrados” na nossa cultura. São slogans que uma vez gravados na cabeça, são utilizados para: explicar motivos, dar exemplos, substituir palavras ou mesmo servir como uma lembrança forte.
Permeiam a linguagem popular de tal maneira que colocam a marca muitas vezes em segundo lugar, ou seja, todo mundo conhece a frase, mas ninguém da importância ao produto.
- Minha voz continua a mesma, mas meus cabelos… quanta diferença – Shampoo Colorama
- Não é uma Brastemp, mas… – Brastemp
- Tomou Doril, a dor sumiu – Doril
- Imagem não é nada, sede é tudo – Sprite
- Existem mil maneiras de preparar Neston, invente uma – Neston
- Bonita camisa, Fernandinho… – Us-Top
- A gente veio aqui para beber ou pra conversar? – Cerveja Antarctica
- Quem é você? Eu sou você amanhã – Vodka Orloff
- Vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais? – Tostines
Quem lembrar mais alguma outra frase marcante, comente.
Se você quiser exercitar a memória com outros slogans, tente aqui.
Em busca do cotidiano criativo
Acho que a maneira mais interessante (e divertida) para estimular a criatividade é acumular a experiência de vida do nosso cotidiano com variação da informação que chega a nossa mente, ou seja, viver um dia-a-dia diferente a cada dia, fazer e agir de modo diverso para alcançar os mesmos fins.
O motivo para essa variação é enriquecer o nosso repertório de idéias e conhecimento. Uma explicação para a criatividade despertada é a que ela se baseia em ligações com ou sem lógica com outros conceitos ou idéias. A maioria das boas idéias acaba surgindo quando quebramos paradigmas, mas para conseguir quebrar temos que pensar diferente e possuir um grande ferramental disponível ao nosso alcance.
É exatamente esse “ferramental” que estamos buscando aqui.
- Todo dia faça um caminho diferente para voltar para casa. Mude a disposição dos móveis da sua casa, quebre as rotinas.
- Experimente situações novas. Viaje para uma cidade que você nunca foi, puxe conversa com pessoas estranhas no elevador, no táxi ou em filas, saia para jantar em um restaurante novo, experimente novas bebidas e comidas.
- Sempre compre uma revista nas bancas que você nunca tenha lido. Busque conhecer mais os assuntos que não tenham nada haver com a sua profissão ou interesse, leia Caras, Set, Quatro Rodas, Marie Claire, Fluir, Veja, Viver Mente e Cérebro, Contigo, National Geographic, Focinhos, Arquitetura e Construção, Revista Rural. É surpreendente a variedade de temas que encontramos nas bancas.
- Faça alguma coisa diferente como um hobby ou ação social voluntária. Quanto mais distante da sua realidade melhor, é muito importante a integração, experiências, sensações, e informações adquiridas nesses processos.
- Volte a estudar. Faça uma pós-graduação ou um curso de aperfeiçoamento em um assunto diferente ou novo para você.
- Enriqueça sua cultura. Leia livros, vá a teatros, circos, parques.
Meninos em Perigo
Por Henrique Úchida Rezeck
“Não existem fatos isolados. Tudo está ligado a tudo”
Carl G. Jung
A repetição de um fato grave em uma comunidade é sintoma de que muitas coisas não vão bem.
Num espaço de quatro anos, dois garotos tiveram suas cabeças esfaceladas em dois acidentes em Poços de Caldas: 04/10/2000 e 24/11/2004. Em ambos os casos, circulavam de bicicleta quando foram atropelados por ônibus.
Isto serve como evidência mais do que explícita de que nossa sociedade não sabe cuidar nem proteger suas crianças e seus adolescentes.
Lembro-me de uma ocasião em que, preocupado com estas ocorrências, liguei para a gerente de uma rede de padarias do centro da cidade e informei a ela que seria bom para a segurança dos entregadores o uso de capacetes e bicicletas com olhos de gato nas laterais, frentes e traseiras, além de espelhos retrovisores. Muito embora ela concordasse, nenhuma dessas providências veio a ser tomada. As pessoas podem ser, por vezes, deveras inconseqüentes…
É importante que aperfeiçoemos nossa educação no trânsito, tanto quanto a sinalização, mas, principalmente, nós precisamos deixar de achar que é impossível proteger nossos menores e começar a dedicar tempo a APRENDER a cuidar deles. Não é vergonha assumir que não sabemos, mas é irresponsabilidade nos negarmos adquirir tal conhecimento. Para mães, pais e outros educadores um bom começo pode ser a ESCOLA DE PAIS, QUE É GRATUITA.
Chama-me a atenção, entretanto, a maior incidência de problemas entre os jovens do sexo masculino. Enquanto preparava “Listening to Boys’ Voices” (Ouvindo a Voz dos Garotos), um de seus estudos que mais tarde se tornaria livro, o Dr. William Pollack, do Centro Para Homens do Hospital McLean, um departamento da Faculdade de Medicina de Harvard, e membro fundador da Sociedade Para o Estudo Psicológico dos Homens e da Masculinidade da American Psychological Association, descobriu novas evidências que apoiavam sua percepção de que muitos garotos hoje enfrentam sérios problemas. O quadro é alarmante:
“No sistema educacional os meninos têm duas vezes mais chances que as meninas de serem rotulados “incapacitado para a apreendizagem”, constituem até sessenta e sete por cento das turmas de “educação especial”, e em algumas instituições têm até dez vezes mais probabilidade de serem diagnosticados portadores de uma desordem emocional grave – principalmente a desordem do déficit de atenção (para a qual muitos tomam medicação forte com efeitos colaterais potencialmente perigosos). Enquanto a significativa lacuna nas notas das garotas em ciências e matemática tem melhorado bastante, os resultados apresentados pelos garotos em leitura têm diminuido substancialmente. Estudos recentes também demonstram que não apenas a auto-estima dos meninos é mais frágil que a das meninas e que a confiança deles como alunos está menor mas também que os meninos são consideravelmente mais propensos a se envolverem em problemas disciplinares, serem suspensos de aulas ou abandonarem totalmente os estudos.
“Os meninos estão com sérios problemas também fora da escola. A incidência de depressão entre os garotos de hoje é chocantemente alta, e as estatísticas revelam que os garotos têm até três vezes mais chances de serem vítimas de crimes violentos (com excessão de estupro) e entre quatro a seis vezes mais probabilidade de cometerem suicídio…”
Não sei se há dados de semelhante natureza em nosso país, mas não é muito difícil perceber que aqui também os meninos desenvolvem comportamentos destrutivos, incluindo alcoolismo ou abuso de drogas, e se envolvem em acontecimentos trágicos muito mais freqüentemente que as meninas.
Os garotos de hoje estão em crise. Na superfície, muitos aparentam ser durões, confiantes e animados mas, por dentro, muitos estão tristes, solitários e confusos.
As mensagens contraditórias que a sociedade lhes envia acabam por coloca-los em risco, hoje mais do que nunca.
Os garotos se escondem por trás de uma máscara de independência, o que não apenas os impede de conhecerem suas verdadeiras personalidades, mas também impede que nós os conheçamos. Esta máscara é uma exigência de nossa cultura machista.
Nós ainda dispensamos aos nossos meninos o mesmo tipo de educação superficial e grosseira de há 500 anos. Uma educação que não sabe valorizar seus sentimentos , não sabe respeitar suas fraquezas e, portanto, espera que o rapazinho seja um projeto de super-herói! Trata-se de uma pedagogia com conceitos de masculinidade absolutamente equivocados.
Como resultado, o menino sofre calado, enquanto a menina conta com permissão para chorar suas angústias no colo dos pais. Esperamos que o menino resolva seus problemas por conta própria, mas quando a garota tem alguma dificuldade, as pessoas a sua volta se apressam em ajudá-la.
A distorção de nossa cultura interrelacional chegou a tal ponto que hoje é imprescindível que os garotos contem com algum tipo de ajuda específica para sí.
O Canadá é um dos lugares onde já existem programas de assistência a jovens do sexo masculino. A medida é também pragmática: pretende evitar gastos previdenciários futuros com famílias que perdem cedo demais pais e maridos.
Nós também podemos criar grupos de apoio aos jovens do gênero masculino, mas quem tiver a responsabilidade de gerir esta tarefa deverá ter sólida formação em psicologia e em relações humanas.
A responsabilidade pela segurança e pelo bem estar dos meninos e das meninas é de TODOS NÓS.
Henrique Úchida Rezeck é professor de Inglês Como Língua Estrangeira e interessado em questões de gênero, educação emocional e cidadania.
Referências:
– Jornal da Mantiqueira
– Jornal da Cidade
– Pollack, W. S. (1998), “Real Boys: rescuing our sons from the myths of boyhood” – Random House. Publicado no Brasil sob o título “Meninos de Verdade”
– Pollack, W.S. e Cushman, K. (2001). “Real Boys Workbook – The definitive guide to understanding and interacting with boys of all ages.” – Villard Books
– Revista Veja
– Escola de Pais
Declaração infeliz
“O meu país virou terceiro mundo”
Essa acima é uma frase infeliz de uma norte-americana. Está na revista Veja dessa semana, na capa da reportagem sobre o furacão Katrina que fez estragos em Nova Orleans. Ao lado da foto de pessoas tentando subir no teto de uma caminhonete.
Fiquei perplexo com a afirmação que associa 100% o desastre ecológico com as precárias condições de vida que vivem muitas pessoas dos países em desenvolvimento.
E vejam bem, eu disse “países em desenvolvimento” porque nem a expressão “terceiro mundo” é mais usada por ser antiga (blocos da guerra-fria) e também por ser politicamente incorreta e não mais adotada na geografia.
Concluimos: Ela foi ignorante duas vezes.
Ah! Como eu gostaria que a ignorância doesse.
Na primeira pelo termo terceiro mundo, e na segunda por associar um evento meteorológico com as nossas condições de vida. Evento esse que além de acontecer provavelmente por causa do aquecimento global do último século, tem como um dos maiores provocadores o próprio Estados Unidos que são de longe os maiores emissores de gases poluentes na atmosfera.
Ignorante duas vezes e culpada ao mesmo tempo… ou ingênua…
Ingênua.
Assim sendo, quero separar e deixar bem claro dois aspectos que podem contribuir para essa associação na mente conturbada da nossa amiga americana:
A ignorância que os estrangeiros têm sobre os nossos países.
E aqui nesse caso fica o exemplo do Brasil, que em matéria de desastre natural é inexperiente pois não temos nenhum único evento no gênero e grau. Somos um país sem terremoto, vulcão, maremotos e furacões gigantes. Nenhum evento devastador exceto a fome, a pobreza e miséria (que não são ambientais).
Geralmente os estrangeiros demonstram extremo desconhecimento da nossa cultura, maneira de vida, aspectos ambientais, inteligência, criatividade.
Lembro uma vez no exterior um rapaz me perguntando se aqui no Brasil existia baralho. Meu amigo brasileiro respondeu no ato: temos… só que no Brasil, ao invés da figura do Rei nas cartas nós temos a foto do Pelé… Rachei de rir.
Ou quando me perguntaram se aqui no Brasil era verdade que a polícia andava com leões nas ruas para combater os ladrões. Respondi que sim, e que além do ladrão, o leão costumava comer o policial também quando estava com fome.
A aquisição dessa ignorância por nossa própria culpa.
É verdade. Basta olhar que tipo de notícias brasileiras passam no exterior. Não só brasileiras, mas dos outros países em desenvolvimento também.
No nosso caso são: Humilhação da mulher brasileira na analogia sexual de prostituição e submissão, Desgraça alheia e corrupção, mais desgraça e acidentes sócio-econômicos e, finalizando, o Carnaval.
Exportamos os nossos próprios problemas. Divulgamos o turismo sexual. Ficamos parecendo “coitadinhos” perante os olhos do mundo.
Não podemos negar a nossa realidade, mas olhem o lado dos pesquisadores científicos brasileiros de destaque, da qualidade de ensino das nossas universidades (menos na verba destinada à pesquisa), da inteligência de nossos executivos, da criatividade do povo na busca pela sobrevivência, nosso empreendedorismo, nossa hospitalidade, nosso bom humor, isso sem falar nos aspectos ambientais.
Pensem nisso.
Fonte das imagens: World Processor. Página com mais de 300 variações na maneira de ver o mundo. Na primeira foto “Condições Locais” e na segunda foto “Guia Compreensivo ao Mundo”.
Gostaria que a Ignorância fosse dolorosa
Ignorância
– estado daquele que ignora algo, que não está a par da existência de alguma coisa
– estado daquele que não tem conhecimento, cultura, em virtude da falta de estudo, experiência ou prática
– estado social no qual a instrução, a cultura é extremamente precária
– atitude grosseira; grosseria, incivilidade
– ingenuidade excessiva; inocência, pureza
Fonte: Dicionário Houaiss
Algumas das definições acima são menos culpadas e logicamente fazem parte de qualquer ser humano. De certo modo eu sou um ignorante no que se refere vários assuntos.
Mas o problema é quando agimos de maneira ignorante sobre a nossa ignorância. Exatamente o ponto destacado acima (atitude grosseira; grosseria, incivilidade). Tipicamente o caso de “em boca fechada não entra mosquito”, ou mesmo “quem fala o que quer escuta o que não quer”, ou para finalizar “às vezes é melhor ficar calado”. É puro pedantismo, metideza, ou… ou ignorânica máxima!
Nessas horas eu gostaria que a ignorância provocasse dor.
Mas não só relativo a comunicação verbal, mas também muita dor para quem provoca ou toma certas atitudes. “Quem faz o que quer pode se machucar com a ignorância provocadora de dores”.
Hoje cedo vindo para o trabalho vi um sujeito jogando a bituca do cigarro (quase inteiro) pela janela do seu carro. O efeito quando bate no chão é lindo. Sei que muitos de vocês fumantes devem fazer o mesmo. E aos não fumantes que ao invés de cigarro jogam papel, latinha, plástico… vale o mesmo. Sinceramente isso me tira o bom humor. Façam o mesmo na sua casa! Ah se ignorância doesse…
Quando vejo os depoimentos da CPI (não sou muito chegado em política, mas quanta ignorância…) fico imaginando os deputados, senadores e depoentes se contorcendo de dor conseqüencia de serem ladrões.
Muitas vezes agimos de maneira ignorante com pessoas, com nosso país, com a natureza e etc. Mas, se a ignorância doesse aprenderíamos a respeitar uma série de coisas. Ajudaria a educar o povo. Sabemos que quando o cerco aperta as coisas acontecem – e com a dor, nós agimos igual qualquer bicho, não fazemos aquilo que nos provoca desconforto.
Nós teríamos prazer (obrigatório) em estudar, em ser educado, em respeitar as pessoas, em agir com polidez e viver com dignidade.




