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Carnaval Científico :: Serendipidade e Supercondutores

out 14, 2008   //   por Serendipidade   //   Serendipidade  //  4 Comentários

Descobertas científicas geralmente demandam tempo, dedicação, criatividade, conhecimento, dinheiro e muitos outros esforços, mas quero destacar que um dos grandes impulsionadores da ciência é a serendipidade. Aqui no blog já falei da descoberta do polietileno e da penicilina.

Acontece que no ramo dos supercondutores os dois andam muito mais próximos do que imaginamos. Talvez essa seja a ramificação da ciência que mais depende desse tipo de casualidade devido suas características curiosas e as constantes revisões de suas teorias.

Supercondutores são materiais que não oferecem nenhuma resistência ao fluxo de eletricidade. Esses materiais adquirem essa propriedade supercondutora em temperaturas extremamente baixas, por isso hoje em dia a batalha é para encontrar o material ou composto que se transforma em supercondutor na temperatura mais alta possível.

Tudo começou com um holandês – destaque para a coincidência serendipitosa da localidade com minha residência atual – que observou, em 1911, que o mercúrio se tornava um supercondutor quando resfriado na temperatura de 4 Kelvin (-269,15 °C). A curiosidade acabava de abrir novas portas para a ciência.

Nas décadas seguintes surgiram outros materiais que requeriam uma temperatura um pouco mais elevada, sendo que alguns deles surgiram pela mão ‘divina’ da serendipidade.

Esse é o caso dos cientistas Alexander Müller and Johannes Georg Bedborz. Em 1986 eles estavam buscando o melhor isolante elétrico e acabaram encontrando um composto cerâmico que se tornava um supercondutor na temperatura mais elevada até então, 30 Kelvin (-243,15 °C). A serendipidade rendeu um Prêmio Nobel e muitas outras descobertas de novos materiais em seguida.

Em 2001 a serendipidade aconteceu de novo com um grupo de cientistas japoneses. Eles descobriram, sem querer, que o diboreto de magnésio (MgB2) – um composto existente há tempos nas bancadas dos cientistas – também se transforma em supercondutor na temperatura de 39 Kelvin (-234,15 °C) em uma de suas experiências.

A temperatura recorde é 138 Kelvin (-135,15 °C), mas já existe um candidato para quebrar essa marca. Mais uma vez a serendipidade deu uma mãozinha para direcionar as pesquisas em busca dos 195 Kelvin (-78,15 °C).

Os supercondutores são usados em máquinas de ressonância magnética, aceleradores de partículas, circuitos digitais, filtros usados nas estações rádio base de redes móveis celulares e nos trens maglev – aqueles que levitam sobre os trilhos (quem lembra da capa da primeira edição da revista Superinteressante?).

Para finalizar, encontrei sem querer a Serendipity Electronics – a loja se declara a fonte número 1 para componentes eletrônicos difíceis de se encontrar. Quem sabe eles não vendem um supercondutor que funciona na temperatura ambiente?

Esse post aconteceu porque o Lablogatórios está promovendo hoje, dia 14 de outubro, o Carnaval Científico. A idéia é que todos participem postando algo sobre uma (ou mais) grande descoberta científica. Eu abraço a causa dessa blogagem coletiva porque sou um dos que acompanham os blogs que fazem parte desse interessante condomínio de informações interessantes.