Psicologia de Massa

jan 17, 2006   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  3 Comentários

(c) The Crowd - Gustave Le BonHá muitos anos atrás, ou mais precisamente, há 111 anos atrás (1895), o psicologista francês Gustave Le Bon escrevia o interessante trabalho entitulado “A Psicologia da Multidão” (The Crowd: A Study of the Popular Mind).

Le Bon defende que, quando no meio de uma multidão, o homem regressa para um estado mental primitivo. Uma pessoa que pode ser altamente culta e moral em alguns casos, é capaz de agir como um barbáro e está propenso a agir de uma forma violenta. Perde suas faculdades críticas na extensa massa de gente.

As pessoas na multidão perdem suas inibições e padrões morais, e tornam-se altamente emotivas, diz Le Bon. Este emocionalismo, esta irracionalidade, presta-se ao poder da sugestão, através do qual o comportamento de um indivíduo pode ser determinado pelas suas percepções e as ações de outros ao redor dele.

Queria comprar um ingresso para o show do U2 em fevereiro, mas hoje quando começaram as vendas, devido aos boatos (verdadeiros) que a fila estava enorme, as pessoas foram afoitamente em busca do seu, o que só agravou a situação precária da rede de atendimento. O mesmo valeu para o website.

Esse é um exemplo desprentecioso, mas existem exemplos piores, como no caso da peregrinação anual até Meca, que quase todo ano faz vítimas por motivos de pisoteamento.

A psicologia de massa coíbe também a nossa capacidade de criar e mudar o destino. Inibe a criatividade porque molda suas opiniões dentro de conceitos “enlatados”.

A obra de Le Bon, entendedora do mecanismo humano interpessoal, continua valendo até hoje. Vale a pena ler.

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