Visualizando posts com a tag " psicologia"

WWW = World Wide Wisdom

jun 19, 2008   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  1 Comentário

http://www.vlib.us/web/opte.org.jpgEstava no meu carro vindo para o trabalho hoje de manhã e, pensando sobre a vida, vi um endereço web em um outdoor. Na hora me ocorreu que a World Wide Web (rede de alcance mundial) é na realidade um World Wide Wisdom (inteligência em escala mundial).

Fiquei tão feliz… Aí pensei, certamente já pensaram nisso…

Pesquisei no Google: “World Wide Wisdom“. Tem até livro. Mas não cobrindo a – atualmente chamada – inteligência ou sabedoria das multidões (Wisdom of Crowds), nem o Crowdsourcing. Nem relacionado com o Gustave Le Bon e seu livro de 1895…

No final fiquei com a sensação de novidade. Vou usar o termo num capítulo do meu novo livro, só que relacionado com a sabedoria das multidões / uso das multidões para resolver problemas.

O velho conceito de criatividade usando dois conceitos diferentes combinados para criar um terceiro. Só um pouco atrasado… mas ao menos minha cabeça está funcionando…

Rede social para o lado de lá – encontre alguém na sua próxima vida

jun 4, 2008   //   por Serendipidade   //   Criatividade / Inovação  //  1 Comentário

A Holanda é famosa por ser liberal. Entre um baseado e outro o pessoal vem com algumas idéias geniais, especialmente quando se trata de web 2.0, fatia do mercado on-line que demanda muita criatividade…

Assim é o Next Life Meeting, uma rede social (também em inglês) para que você marque encontros com outras pessoas na sua próxima vida. Se você acredita em reencarnação e quer reencontrar pessoas que compartilham da mesma opinião num futuro remoto, você não vai querer ficar fora dessa. Você pode criar seu perfil atual e perfis das suas vidas anteriores.

Como saber sobre suas vidas anteriores? Você pode tentar aqui, aqui e aqui. Agora, se você esquecer sua senha para acessar quando mudar de vida, você vai ter que se lembrar pelo menos do seu e-mail. O site não oferece outra solução. Por enquanto.

No final da história descobri que essa ‘start-up’ foi apresentada no Dragon’s Den, um programa da TV holandesa onde empresários iniciantes vão ao ar para tentar vender a idéia para 5 empresários bem sucedidos. Esse é um tipo de programa que poderia existir no Brasil. Melhor que Aprendiz

Fonte: Next Web.

O que as pessoas lêem refletem sua inteligência?

out 30, 2007   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  5 Comentários

maislidas.jpgPergunta intrigante…

Olhando as notícias mais lidas na Folha de S.Paulo a qualquer hora do dia você se depara com uma lista parecida com essa ao lado.

Ela reflete a preferência popular de uma rede virtual que é acessada, na sua maioria, por pessoas de mais elevado poder aquisitivo.

Se pensarmos em crowdsourcing, wikinomics e/ou avaliarmos a inteligência coletiva o que podemos concluir? Existem exceções? Se trata de um nicho (cauda longa)? Ou uma coisa não tem nada haver com outra?

Num antigo post comentei o livro de Gustave Le Bon (1895) – A psicologia da multidão (é grátis):

Quando no meio de uma multidão, o homem regressa para um estado mental primitivo. Uma pessoa que pode ser altamente culta e moral em alguns casos, é capaz de agir como um barbáro.

Esta irracionalidade, presta-se ao poder da sugestão, através do qual o comportamento de um indivíduo pode ser determinado pelas suas percepções e as ações de outros ao redor dele.

Então o ímpeto por ler ou ver alguma coisa não se correlaciona com inteligência. O conteúdo acessado por sua vez alimenta nossa cabeça com informação boa ou ruim.

Para chegar ao 5o. lugar imagino que um número grande de pessoas devem clicar na mesma notícia, sem saber que as demais estão clicando nela. As notícias são na maioria relacionadas com a mídia TV, a qual exerce forte influência na nossa sociedade, isso explica serem “+ lidas”. Um acesso à informação de forma “inconsciente”.

Podemos manipular as multidões, elas percebem “viralmente” o que as demais ao seu lado estão fazendo. O start deve ser algo popular. Mas ainda não consigo entender porque o viral que conhecemos é tão “vazio”.

Daí eu volto à questão, porque buscamos ler ou ver coisas “vazias”?

Isso aqui tá parecendo o ovo e a galinha…

Teste de Associação Implícita

mai 13, 2006   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  2 Comentários

BlinkConheça um teste que pode trazer revelações surpreendentes sobre o que você fala sobre um determinado assunto, e o que a sua mente pensa sobre o mesmo. Muitas vezes, o que preferimos pode não ser aquilo que falamos que preferimos. Complicado?

“É conhecido que nem sempre as pessoas exprimem aquilo que pensam, e é suspeito que, muitas vezes, elas nem mesmo conheçam o que realmente pensam. Entender tais divergências é um importante objetivo da psicologia científica.

Este website apresenta um método que demonstra as divergências conscientes/inconscientes muito mais condizentes com a realidade que outros métodos anteriores. Este novo método é chamado Teste de Associação Implícita, ou IAT (Implicit Association Test).”

Conheci este teste por meio da minha leitura mais recente: Blink – A decisão num piscar de olhos de Malcolm Gladwell.

Onde você é sempre bem vindo

fev 15, 2006   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  Nenhum comentário

(c) yotophoto.comEm algum lugar do passado estávamos falando de como a Internet tornou economicamente viável a consulta pública sobre qualquer assunto.

Alguns websites aproveitam esse atributo para oferecer os mais diversos serviços de “Inteligência da massa”. É uma avalanche de opções ajudando qual decisão tomar nas mais diversas situações, ou iluminar suas idéias. Estão todos em prateleira: é chegar, acessar e utilizar os seus serviços grátis na maioria dos casos.

Exemplos:
http://www.reevoo.com/Antes de comprar veja opiniões sobre produtos, eles já testaram antes para você.
http://www.reviewcentre.com/Outro exemplo de opiniões sobre produtos.
http://www.epinions.com/Mais um website de opiniões.
http://www.judysbook.com/Opiniões sobre locais para ajudar o seu planejamento de viagens.
http://www.extratasty.com/Proponha drinks e veja as opiniões de outros usuários sobre outras batidas e coquetéis.
http://www.homethinking.com/Antes de decidir qual imóvel comprar, veja o que falaram dele ou dos seus corretores.
http://www.stumbleupon.com/Opiniões sobre páginas da Internet e sugestões.
http://answers.yahoo.com/Pessoas reais respondendo perguntas de outras pessoas reais.

E o melhor da lista na minha opinião:
http://www.brainreactions.net/Coloque sua pergunta e deixe a comunidade dar sugestões neste Brainstorm virtual.

Psicologia de Massa

jan 17, 2006   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  3 Comentários

(c) The Crowd - Gustave Le BonHá muitos anos atrás, ou mais precisamente, há 111 anos atrás (1895), o psicologista francês Gustave Le Bon escrevia o interessante trabalho entitulado “A Psicologia da Multidão” (The Crowd: A Study of the Popular Mind).

Le Bon defende que, quando no meio de uma multidão, o homem regressa para um estado mental primitivo. Uma pessoa que pode ser altamente culta e moral em alguns casos, é capaz de agir como um barbáro e está propenso a agir de uma forma violenta. Perde suas faculdades críticas na extensa massa de gente.

As pessoas na multidão perdem suas inibições e padrões morais, e tornam-se altamente emotivas, diz Le Bon. Este emocionalismo, esta irracionalidade, presta-se ao poder da sugestão, através do qual o comportamento de um indivíduo pode ser determinado pelas suas percepções e as ações de outros ao redor dele.

Queria comprar um ingresso para o show do U2 em fevereiro, mas hoje quando começaram as vendas, devido aos boatos (verdadeiros) que a fila estava enorme, as pessoas foram afoitamente em busca do seu, o que só agravou a situação precária da rede de atendimento. O mesmo valeu para o website.

Esse é um exemplo desprentecioso, mas existem exemplos piores, como no caso da peregrinação anual até Meca, que quase todo ano faz vítimas por motivos de pisoteamento.

A psicologia de massa coíbe também a nossa capacidade de criar e mudar o destino. Inibe a criatividade porque molda suas opiniões dentro de conceitos “enlatados”.

A obra de Le Bon, entendedora do mecanismo humano interpessoal, continua valendo até hoje. Vale a pena ler.

Meninos em Perigo

set 25, 2005   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  Nenhum comentário

(c) yotophoto.comPor Henrique Úchida Rezeck

“Não existem fatos isolados. Tudo está ligado a tudo”
Carl G. Jung

A repetição de um fato grave em uma comunidade é sintoma de que muitas coisas não vão bem.

Num espaço de quatro anos, dois garotos tiveram suas cabeças esfaceladas em dois acidentes em Poços de Caldas: 04/10/2000 e 24/11/2004. Em ambos os casos, circulavam de bicicleta quando foram atropelados por ônibus.

Isto serve como evidência mais do que explícita de que nossa sociedade não sabe cuidar nem proteger suas crianças e seus adolescentes.

Lembro-me de uma ocasião em que, preocupado com estas ocorrências, liguei para a gerente de uma rede de padarias do centro da cidade e informei a ela que seria bom para a segurança dos entregadores o uso de capacetes e bicicletas com olhos de gato nas laterais, frentes e traseiras, além de espelhos retrovisores. Muito embora ela concordasse, nenhuma dessas providências veio a ser tomada. As pessoas podem ser, por vezes, deveras inconseqüentes…

É importante que aperfeiçoemos nossa educação no trânsito, tanto quanto a sinalização, mas, principalmente, nós precisamos deixar de achar que é impossível proteger nossos menores e começar a dedicar tempo a APRENDER a cuidar deles. Não é vergonha assumir que não sabemos, mas é irresponsabilidade nos negarmos adquirir tal conhecimento. Para mães, pais e outros educadores um bom começo pode ser a ESCOLA DE PAIS, QUE É GRATUITA.

Chama-me a atenção, entretanto, a maior incidência de problemas entre os jovens do sexo masculino. Enquanto preparava “Listening to Boys’ Voices” (Ouvindo a Voz dos Garotos), um de seus estudos que mais tarde se tornaria livro, o Dr. William Pollack, do Centro Para Homens do Hospital McLean, um departamento da Faculdade de Medicina de Harvard, e membro fundador da Sociedade Para o Estudo Psicológico dos Homens e da Masculinidade da American Psychological Association, descobriu novas evidências que apoiavam sua percepção de que muitos garotos hoje enfrentam sérios problemas. O quadro é alarmante:

“No sistema educacional os meninos têm duas vezes mais chances que as meninas de serem rotulados “incapacitado para a apreendizagem”, constituem até sessenta e sete por cento das turmas de “educação especial”, e em algumas instituições têm até dez vezes mais probabilidade de serem diagnosticados portadores de uma desordem emocional grave – principalmente a desordem do déficit de atenção (para a qual muitos tomam medicação forte com efeitos colaterais potencialmente perigosos). Enquanto a significativa lacuna nas notas das garotas em ciências e matemática tem melhorado bastante, os resultados apresentados pelos garotos em leitura têm diminuido substancialmente. Estudos recentes também demonstram que não apenas a auto-estima dos meninos é mais frágil que a das meninas e que a confiança deles como alunos está menor mas também que os meninos são consideravelmente mais propensos a se envolverem em problemas disciplinares, serem suspensos de aulas ou abandonarem totalmente os estudos.

“Os meninos estão com sérios problemas também fora da escola. A incidência de depressão entre os garotos de hoje é chocantemente alta, e as estatísticas revelam que os garotos têm até três vezes mais chances de serem vítimas de crimes violentos (com excessão de estupro) e entre quatro a seis vezes mais probabilidade de cometerem suicídio…”

Não sei se há dados de semelhante natureza em nosso país, mas não é muito difícil perceber que aqui também os meninos desenvolvem comportamentos destrutivos, incluindo alcoolismo ou abuso de drogas, e se envolvem em acontecimentos trágicos muito mais freqüentemente que as meninas.

Os garotos de hoje estão em crise. Na superfície, muitos aparentam ser durões, confiantes e animados mas, por dentro, muitos estão tristes, solitários e confusos.

As mensagens contraditórias que a sociedade lhes envia acabam por coloca-los em risco, hoje mais do que nunca.
Os garotos se escondem por trás de uma máscara de independência, o que não apenas os impede de conhecerem suas verdadeiras personalidades, mas também impede que nós os conheçamos. Esta máscara é uma exigência de nossa cultura machista.

Nós ainda dispensamos aos nossos meninos o mesmo tipo de educação superficial e grosseira de há 500 anos. Uma educação que não sabe valorizar seus sentimentos , não sabe respeitar suas fraquezas e, portanto, espera que o rapazinho seja um projeto de super-herói! Trata-se de uma pedagogia com conceitos de masculinidade absolutamente equivocados.

Como resultado, o menino sofre calado, enquanto a menina conta com permissão para chorar suas angústias no colo dos pais. Esperamos que o menino resolva seus problemas por conta própria, mas quando a garota tem alguma dificuldade, as pessoas a sua volta se apressam em ajudá-la.
A distorção de nossa cultura interrelacional chegou a tal ponto que hoje é imprescindível que os garotos contem com algum tipo de ajuda específica para sí.

O Canadá é um dos lugares onde já existem programas de assistência a jovens do sexo masculino. A medida é também pragmática: pretende evitar gastos previdenciários futuros com famílias que perdem cedo demais pais e maridos.

Nós também podemos criar grupos de apoio aos jovens do gênero masculino, mas quem tiver a responsabilidade de gerir esta tarefa deverá ter sólida formação em psicologia e em relações humanas.
A responsabilidade pela segurança e pelo bem estar dos meninos e das meninas é de TODOS NÓS.

Henrique Úchida Rezeck é professor de Inglês Como Língua Estrangeira e interessado em questões de gênero, educação emocional e cidadania.

Referências:
- Jornal da Mantiqueira
- Jornal da Cidade
- Pollack, W. S. (1998), “Real Boys: rescuing our sons from the myths of boyhood” – Random House. Publicado no Brasil sob o título “Meninos de Verdade”
- Pollack, W.S. e Cushman, K. (2001). “Real Boys Workbook – The definitive guide to understanding and interacting with boys of all ages.” – Villard Books
- Revista Veja
- Escola de Pais