Um tiro pra cima…
…ou um tiro no pé.
Não ia colocar minha manifestação aqui no website mas, a pedido de amigos e dos emails enviados, aí vai. E não será imparcial ou para iluminar os confusos. Será tão somente meu ponto de vista, minha opinião e meu voto.
Vários amigos e desconhecidos me enviaram emails contrários ao desarmamento. NENHUM email a favor. Por quê? O que levaria várias pessoas que possuem acesso à internet e, provavelmente, possuem condições melhores de vida, a votarem NÃO ao desarmamento na totalidade?
Fato 1 – Muitos deles, com certeza, leram somente o(s) email(s) para formar sua opinião.
Fato 2 – Aposto que quase 100% deles NÃO possuem uma arma e NUNCA usariam uma para se defender. Mas acham importante estarem por dentro dos assuntos em pauta, mesmo sem possuir domínio sobre o assunto.
Fato 3 – A maioria deles estão fazendo o que qualquer um faria para chamar atenção para si mesmo, espalhando uma historinha legal, que parece ser contagiante, para se posicionarem melhor perante os amigos e sociedade. Todos nós fazemos isso o tempo todo.
Rebati todos emails, inclusive um que tinha uma série de slides com o holocausto de fundo.
Lendo os motivos de vários partidarios do NÃO, identifiquei uma máxima dos “armados”: As justificativas apresentadas a favor do NÃO, não passam de meras constatações de fatos que não mudarão, seja qual for o resultado do referendo. Trocando em miúdos, o referendo é inócuo. Ninguém apresentou dados concretos, imparciais e verdadeiros de que a violência aumentará, que o número de ladrões aumentará, que a mortalidade aumentará. Exceto pelo contrabando que não possui correlação nenhuma e nem será o efeito da proibição das armas no aumento da violência.
Sendo assim, entre o inócuo e a proteção de crianças e contra potenciais suicidas e homicidas, meu voto será SIM. Voto pela paz, pelo fato de que niguém tem o direito de tirar a vida de ninguem. Voto porque os Brasileiros honestos que possuem armas são covardes e jamais usariam a arma contra ninguém em uma situação de perigo ou de risco para a família.
Zero para a revista Veja com sua reportagem léxica e totalmente contra aos princípios do jornalismo imparcial.
Zero para o ser humano que, apesar de parecer tão inteligente, na verdade não consegue conviver em paz com a própria espécie.
Zero para o governo por gastar tanto dinheiro em uma questão que não condiz com as verdadeiras necessidades públicas.
O referendo é zero, mas eu votarei 2!
Leituras que valem a pena #1
Vou tentar trazer semanalmente (ou esporadicamente) alguns links para artigos interessantes do mundo dos negócios, marketing, criatividade e etc. Sempre dentro dos temas abordamos aqui e que são dignos de nota.
The Power of Dumb Ideas | Strategy+Business
A solução para os problemas atuais de marketing é o uso de menos criatividade na execução.
The SAP School of Design | BusinessWeek
Co-fundador da SAP investe pesado em Stanford – ponto positivo para as D-Schools.
Minipreneurs | Trendwatching
Estamos nos transformando em Mini-empresários com a internet.
Qual é o limite para a publicidade?
Após vermos que a imprensa vende espaço para publicidade nas suas notícias, vamos a um rápido exercício.
Quais são as maneiras que as empresas podem utilizar para publicar as suas propagandas ou se fazer conhecida?
Vou apontar algumas que me vem em mente. Através de Notícias, Outdoors, Revistas, TV, Filmes, Novelas, Adesivos, Embalagens, Websites, Mala Direta, email (SPAM), Patrocínios, Eventos, Jornais, Telemarketing, seus próprios clientes através do boca-a-boca, etc.
No nosso mundo super, a criatividade não tem limites. Pode até mesmo surpreender e ultrapassar o limite do bom senso ou da ética. No exemplo a seguir, mostro uma dessas “invenções” na busca pelo cliente. Particularmente acho a idéia interessante, porém um pouco polêmica.
Um recém-graduado da Universidade de Washington, Benjamin Rogovy de 22 anos transformou os desabrigados das ruas em publicitários. Muitos desses “sem-teto” ficam andando pelas ruas com cartazes pedindo ajuda, dinheiro, comida ou vendendo algo. O que Rogovy fez foi unir o contato que esses sem-teto possuem com potenciais clientes nas ruas e no trânsito com uma publicidade pontual aproveitando os cartazes dos “pedintes”.
E estava criado o Bumvertising, um novo veículo para propaganda. Um neologismo composto pelas palavras Bum, que significa vagabundo em inglês, e vertising, que vem da palavra advertising – publicidade, propaganda. Uma maneira “honesta” de fazer com que esses necessitados ganhem algum trocado ou mesmo comida. O trabalho enobrece o homem.
A partir de então choveram críticas dizendo que é uma exploração, ou que chamá-los de vagabundos é faltar com respeito moral. Por outro lado a idéia conquistou a simpatia da imprensa (ave!) e de voluntários e instituições que ajudam pessoas carentes.
Até onde vão os limites da exploração publicitária?
Tudo por dinheiro e um pouquinho de atenção
Hoje fiz duas descobertas através do meu leitor RSS. Mas confesso que não foram descobertas, na verdade uma delas só vem confirmar aquilo que as empresas mais fazem – manipular a imprensa. E a outra mostra a falta de assunto da imprensa.
O que está por trás disso tudo? Respondo: O Marketing, a luta por conquistar espaço no mercado e a busca por aumento na receita, isto é, dinheiro.
1) Na primeira, acho que o termo “manipular a imprensa” poderia ser colocado de outra maneira. Seria talvez melhor dizer que a imprensa é que se vende.
Sabemos que lugar para propaganda custa dinheiro, principalmente se você possui um veículo de mídia como internet, TV ou mesmo uma Revista de circulação relativamente ampla.
Nos filmes e na TV, além de trailers e reclames, temos o merchandising incorporado durante a programação normal, na novela, no jornal, nas transmissões de esportes e etc. Estamos habituados com isso e às vezes nem percebemos.
Na Internet estamos vendo um crescimento absurdo de empresas como Google, Yahoo e outras de grande audiência por conta do comércio de propaganda e publicidade nos próprios websites ou através de janelas e programas de recompensas.
Além das propagandas, reclames e merchandising, temos um outro componente de peso que é parente do merchandising: A compra de notícias para veicular os nossos interesses. Aqui chegamos na primeira conclusão: A imprensa vende espaço para noticiar propagandas.
Como exemplo pego aquele que encontrei hoje no leitor RSS. A Blockbuster provavelmente comprou a divulgação da sua nova loja online em pelo menos (até onde vi) três grandes websites de notícias.
Blockbuster inaugura loja virtual – na IDG Now!
Blockbuster passa a vender pela internet no Brasil – na Folha de São Paulo
Blockbuster inicia operação de vendas online – na INFO Online
Sensacional! E me pergunto… e eu queria lá saber dessa notícia? Alguém aqui é acionista da locadora na bolsa de New York? E olha que mesmo com a notícia a ação dela caiu 0,09%. Super.
2) Na segunda, a falta de assunto da imprensa. Com o RSS posso acompanhar quase que paralelamente as diferentes fontes de notícias e posso dizer que ou está faltando agências de notícias no Brasil (todos usam a mesma fonte), ou é um copiando do outro.
A situação piora quando comparamos as notícias do Brasil com aquelas de outros websites internacionais como Wired, Business Week, New Scientist, NewsFactor e por aí vai… A notícia de hoje lá fora é a de amanhã aqui.
A regra é quantidade.
Os dois ítems mostram um descaso com a entrega das notícias e de propaganda, um desinteresse por filtrar melhor as histórias despejadas na gente. Acabamos virando um depósito de textos e imagens supérfluas, manipuladas e irreais.
Pequena atualização:
A revista Época também tinha a Blockbuster em destaque
i-Responsabilidade Social, o que há por trás dessa máscara?
Hoje a consciência com o nosso meio ambiente e sociedade está bem difundida (mas não totalmente), parece até moda, todas empresas estão adotando ou já adoraram e os institutos de responsabilidade social se estabeleceram. Quem tem a ganhar com isso somos nós mesmos, sem dúvida.
Mas para mim, no fundo, a responsabilidade social não passa de fachada para uma boa propaganda de marketing. No fundo as empresas não se importam.
O pior: quem não faz é visto com cara feia.
Um pouco pior: só fazem porque tem que fazer (evita atrasos e caras feias).
E pior ainda: tem gente que faz para cobrir buracos (ainda fazendo um monte de coisas erradas por trás).
A questão é que não deveríamos ser forçados a usar essa fachada, deveríamos ser por definição protetores da sociedade.
Vejam só que história vergonhosa:
A responsabilidade social é um movimento recente. Isso significa que estamos ainda saindo das cavernas, ainda não deixamos de ser animais irracionais por completo. O movimento tomou força nas décadas de 60 e 70 nos Estados Unidos e Europa e no Brasil só foi reconhecidamente consolidado na década de 90. Por quê demoramos tanto para agir?
Na nossa cegueira de ganância e egoísmo o resto vem em segundo plano.
O negócio já chegou até nas escolas onde educamos as crianças. Você prefere matricular seu filho em uma escola que promova a consciência social? Lógico que sim. Mas reflita se você não está admitindo ser pobre em responsabilidade social. O exemplo tem que vir primeiro de casa e não da escola. Para as escolas, lógico, tudo isso não passa de mais uma oportunidade de abocanhar mais dinheiro. Se elas se declaram responsáveis socialmente, porque não promovem bolsas de estudo para pessoas pobres? Ah… vai misturar a elite com a pobreza… É proibido? Nesse momento as discussões se voltam para o comunismo, afinal, dar espaço para pessoas menos abastadas é visto como comunismo por muitas pessoas. Que falta de visão…
No filme chileno Machuca de 2004, um padre da escola mais rica da cidade decide abrir espaço para crianças de famílias mais humildes seguindo o modelo de governo de Salvador Allende. A reação dos pais e dos próprios alunos mais ricos é óbvia. Imagina aqui no Brasil de hoje com as drogas e violência. Você acha que daria certo? Não vale a pena pelo menos tentar?
Quem sabe aproveitando a onda, o governo também não obrigue todos os cidadãos brasileiros a fazer um curso, carregar uma carteirinha, ou ter um carimbo na sua carteira de motorista com os dizeres: “Responsável Socialmente”. Ah… esqueci que já existe um atestado… as pulseirinhas solidárias. A maior prova de humanismo desde nunca… É o fim da picada.
Proponho um exercício: Visite a relação das 10 piores corporações de 2004, identifique aquelas que agrediram a sociedade e veja se elas possuem programas de responsabilidade social estabelecidos. Você poderá se surpreender com a presença de programas inócuos e com o cinismo.
É uma vergonha usar atributos que deveriam fazer parte da nossa vida há muitos anos só agora que o globo está aquecido, milhares de espécies estão em extinção e a violência está nas alturas. Não há muito que fazer, porque nosso senso de urgência só funciona quando estamos quase por explodir. Infelizmente.
Mas… antes tarde do que nunca.
Quer comprar o que?
Quais são os desejos capitalistas das pessoas?
Na busca pela resposta para essa questão, pesquisei no Google o termo “eu quero comprar um…”.
Aí vai a lista dos 15 primeiros ítens listados na pesquisa (só incluí produtos ou objetos que respondem claramente a sentença).
Eu quero comprar um…
…carro
…baixo branco
…access point
…9mm (arma)
…apartamento
…sapato
…processador
…computador novo
…tênis
…casaco
…liquidificador
…celular novo
…terreno
…bilhete para o cinema
…gerador
Nas primeiras 20 páginas de resultados coletei pedidos não convencionais ou estranhos, entre eles:
Eu quero comprar um…
…milagre
…mimeógrafo
…relógio binário de pulso
…Fusca preto
…kit lareira
…coleiro do brejo
…ferro de passar cortinas
…cavaco do Carlinhos Luthier
…patinho de borracha
Também nas 20 primeiras páginas, os produtos mais desejados são carros, computadores e celulares.
E você, quer comprar o que?
Novo índice de publicações
Serendipidade.com está continuamente passando por mudanças para aperfeiçoar a interação com o leitor.
Desta vez o arquivo de publicações anteriores sofreu algumas mudanças para melhor. Agora é possível navegar pelos meses de cada ano buscando visualmente o nome (título) de cada um dos artigos publicados. É uma mudança que faz diferença na hora de pesquisar temas publicados anteriormente.
Agradeço os e-mails enviados com sugestões. A página formatada para impressão e a possibilidade de enviar links para amigos por e-mail foram algumas das sugestões dos leitores “Geração C”.
Em busca do cotidiano criativo
Acho que a maneira mais interessante (e divertida) para estimular a criatividade é acumular a experiência de vida do nosso cotidiano com variação da informação que chega a nossa mente, ou seja, viver um dia-a-dia diferente a cada dia, fazer e agir de modo diverso para alcançar os mesmos fins.
O motivo para essa variação é enriquecer o nosso repertório de idéias e conhecimento. Uma explicação para a criatividade despertada é a que ela se baseia em ligações com ou sem lógica com outros conceitos ou idéias. A maioria das boas idéias acaba surgindo quando quebramos paradigmas, mas para conseguir quebrar temos que pensar diferente e possuir um grande ferramental disponível ao nosso alcance.
É exatamente esse “ferramental” que estamos buscando aqui.
- Todo dia faça um caminho diferente para voltar para casa. Mude a disposição dos móveis da sua casa, quebre as rotinas.
- Experimente situações novas. Viaje para uma cidade que você nunca foi, puxe conversa com pessoas estranhas no elevador, no táxi ou em filas, saia para jantar em um restaurante novo, experimente novas bebidas e comidas.
- Sempre compre uma revista nas bancas que você nunca tenha lido. Busque conhecer mais os assuntos que não tenham nada haver com a sua profissão ou interesse, leia Caras, Set, Quatro Rodas, Marie Claire, Fluir, Veja, Viver Mente e Cérebro, Contigo, National Geographic, Focinhos, Arquitetura e Construção, Revista Rural. É surpreendente a variedade de temas que encontramos nas bancas.
- Faça alguma coisa diferente como um hobby ou ação social voluntária. Quanto mais distante da sua realidade melhor, é muito importante a integração, experiências, sensações, e informações adquiridas nesses processos.
- Volte a estudar. Faça uma pós-graduação ou um curso de aperfeiçoamento em um assunto diferente ou novo para você.
- Enriqueça sua cultura. Leia livros, vá a teatros, circos, parques.
As Leis da Informação
Você é um “Informaçãoniaco”? Qual é a essência de ser assim? Para que serve saber tanto?
Estava refletindo sobre o assunto e dou dois motivos que se transformam em atitudes quando o assunto é INFORMAÇÃO. Podemos chamá-las de “As leis da informação aplicadas no cotidiano”
- As pessoas vão usar informações (exclusivas ou não) para benefício próprio
- As pessoas vão manipular as informações antes de passá-las para a frente em benefício próprio
A primeira é o instinto (des)humano, e a segunda é poder convencer, ser persuasivo sem ser invasivo.
A primeira é o acionista comprando mais ações porque soube da última descoberta de petróleo ou da cura do cancer, e a segunda são os políticos mentindo para justificar que “não são culpados” de roubar o Brasil.
Falando em criatividade e marketing, a primeira é chegar na frente no momento de criar maneiras de ganhar dinheiro, é estimular a criatividade. A segunda pode ser representada pela figura de um marketeiro – aquele que sabe contar bem uma historinha.
Meninos em Perigo
Por Henrique Úchida Rezeck
“Não existem fatos isolados. Tudo está ligado a tudo”
Carl G. Jung
A repetição de um fato grave em uma comunidade é sintoma de que muitas coisas não vão bem.
Num espaço de quatro anos, dois garotos tiveram suas cabeças esfaceladas em dois acidentes em Poços de Caldas: 04/10/2000 e 24/11/2004. Em ambos os casos, circulavam de bicicleta quando foram atropelados por ônibus.
Isto serve como evidência mais do que explícita de que nossa sociedade não sabe cuidar nem proteger suas crianças e seus adolescentes.
Lembro-me de uma ocasião em que, preocupado com estas ocorrências, liguei para a gerente de uma rede de padarias do centro da cidade e informei a ela que seria bom para a segurança dos entregadores o uso de capacetes e bicicletas com olhos de gato nas laterais, frentes e traseiras, além de espelhos retrovisores. Muito embora ela concordasse, nenhuma dessas providências veio a ser tomada. As pessoas podem ser, por vezes, deveras inconseqüentes…
É importante que aperfeiçoemos nossa educação no trânsito, tanto quanto a sinalização, mas, principalmente, nós precisamos deixar de achar que é impossível proteger nossos menores e começar a dedicar tempo a APRENDER a cuidar deles. Não é vergonha assumir que não sabemos, mas é irresponsabilidade nos negarmos adquirir tal conhecimento. Para mães, pais e outros educadores um bom começo pode ser a ESCOLA DE PAIS, QUE É GRATUITA.
Chama-me a atenção, entretanto, a maior incidência de problemas entre os jovens do sexo masculino. Enquanto preparava “Listening to Boys’ Voices” (Ouvindo a Voz dos Garotos), um de seus estudos que mais tarde se tornaria livro, o Dr. William Pollack, do Centro Para Homens do Hospital McLean, um departamento da Faculdade de Medicina de Harvard, e membro fundador da Sociedade Para o Estudo Psicológico dos Homens e da Masculinidade da American Psychological Association, descobriu novas evidências que apoiavam sua percepção de que muitos garotos hoje enfrentam sérios problemas. O quadro é alarmante:
“No sistema educacional os meninos têm duas vezes mais chances que as meninas de serem rotulados “incapacitado para a apreendizagem”, constituem até sessenta e sete por cento das turmas de “educação especial”, e em algumas instituições têm até dez vezes mais probabilidade de serem diagnosticados portadores de uma desordem emocional grave – principalmente a desordem do déficit de atenção (para a qual muitos tomam medicação forte com efeitos colaterais potencialmente perigosos). Enquanto a significativa lacuna nas notas das garotas em ciências e matemática tem melhorado bastante, os resultados apresentados pelos garotos em leitura têm diminuido substancialmente. Estudos recentes também demonstram que não apenas a auto-estima dos meninos é mais frágil que a das meninas e que a confiança deles como alunos está menor mas também que os meninos são consideravelmente mais propensos a se envolverem em problemas disciplinares, serem suspensos de aulas ou abandonarem totalmente os estudos.
“Os meninos estão com sérios problemas também fora da escola. A incidência de depressão entre os garotos de hoje é chocantemente alta, e as estatísticas revelam que os garotos têm até três vezes mais chances de serem vítimas de crimes violentos (com excessão de estupro) e entre quatro a seis vezes mais probabilidade de cometerem suicídio…”
Não sei se há dados de semelhante natureza em nosso país, mas não é muito difícil perceber que aqui também os meninos desenvolvem comportamentos destrutivos, incluindo alcoolismo ou abuso de drogas, e se envolvem em acontecimentos trágicos muito mais freqüentemente que as meninas.
Os garotos de hoje estão em crise. Na superfície, muitos aparentam ser durões, confiantes e animados mas, por dentro, muitos estão tristes, solitários e confusos.
As mensagens contraditórias que a sociedade lhes envia acabam por coloca-los em risco, hoje mais do que nunca.
Os garotos se escondem por trás de uma máscara de independência, o que não apenas os impede de conhecerem suas verdadeiras personalidades, mas também impede que nós os conheçamos. Esta máscara é uma exigência de nossa cultura machista.
Nós ainda dispensamos aos nossos meninos o mesmo tipo de educação superficial e grosseira de há 500 anos. Uma educação que não sabe valorizar seus sentimentos , não sabe respeitar suas fraquezas e, portanto, espera que o rapazinho seja um projeto de super-herói! Trata-se de uma pedagogia com conceitos de masculinidade absolutamente equivocados.
Como resultado, o menino sofre calado, enquanto a menina conta com permissão para chorar suas angústias no colo dos pais. Esperamos que o menino resolva seus problemas por conta própria, mas quando a garota tem alguma dificuldade, as pessoas a sua volta se apressam em ajudá-la.
A distorção de nossa cultura interrelacional chegou a tal ponto que hoje é imprescindível que os garotos contem com algum tipo de ajuda específica para sí.
O Canadá é um dos lugares onde já existem programas de assistência a jovens do sexo masculino. A medida é também pragmática: pretende evitar gastos previdenciários futuros com famílias que perdem cedo demais pais e maridos.
Nós também podemos criar grupos de apoio aos jovens do gênero masculino, mas quem tiver a responsabilidade de gerir esta tarefa deverá ter sólida formação em psicologia e em relações humanas.
A responsabilidade pela segurança e pelo bem estar dos meninos e das meninas é de TODOS NÓS.
Henrique Úchida Rezeck é professor de Inglês Como Língua Estrangeira e interessado em questões de gênero, educação emocional e cidadania.
Referências:
– Jornal da Mantiqueira
– Jornal da Cidade
– Pollack, W. S. (1998), “Real Boys: rescuing our sons from the myths of boyhood” – Random House. Publicado no Brasil sob o título “Meninos de Verdade”
– Pollack, W.S. e Cushman, K. (2001). “Real Boys Workbook – The definitive guide to understanding and interacting with boys of all ages.” – Villard Books
– Revista Veja
– Escola de Pais




