CONVERSAS! – não meras fontes de notícias
Vi hoje na Folha de S.Paulo a matéria “Jornal domina noticiário na internet e ganha leitor” divulgando os resultados de um relatório americano chamado “The State of the News Media 2008“. Sempre afirmei aqui que temos que ver pesquisas ou notícias de forma neutra e com a vigilância epistêmica ativada. O exercício é contra-argumentar. Dois fatos chamaram minha atenção no resultado da pesquisa os quais eu discordo de ambos categoricamente:
Os dez principais sites de notícias, em sua maior parte de marcas tradicionais, estão mais para uma oligarquia do que para a democratização via internet prevista por obras como “A Cauda Longa”
Na lista de fontes importantes (confiáveis) de notícias, os blogs apareceram no final. 30% dos americanos consideram blogs fontes confiáveis de notícias. Outros são sites de notícias (81%), televisão (78%), rádio (73%), jornais (69%), amigos e vizinhos (39%) e revistas (38%)
Primeiramente não entendo porque o blog foi tratado como fonte de notícias quando seu propósito é ser uma ferramenta de conversação. Tenho clara em minha mente essa diferença. Depois, mesmo os websites tradicionais que fazem parte do “clubinho dos 10” citados acima, se beneficiaram do aumento da audiência por conta da democratização da internet, tanto em número de leitores como em feedbacks com maior qualidade e quantidade do público leitor – os blogueiros linkam notícias também. Então por quê ser separatista no uso do termo oligarquia versus democratização? Não são os blogs ferramentas acessíveis a todos que querem se expressar, e não é a internet o melhor meio para ser ouvido, mesmo que sejam por poucos?
Blogs, empresas e a vida como ela é
Linkando, linkando, linkando…
Dois destaques (um polegar pra cima e um polegar pra baixo) do relacionamento entre ser blog corporativo sério e não ser blog corporativo.
Pra cima:
Fabio “Camiseteria” Seixas se derretendo com o elogio de um fã blogueiro fruto da excelência no atendimento ao cliente e antes de tudo seu blog. Parabéns xará!
Pra baixo:
Carlos “Desinibindo” Cardoso mostrando o que nem chegou aos pés de ser um anti-exemplo de blog corporativo. E eu achando que havia encontrado mais um link para meu wiki da blogosfera corporativa nacional.
Quem devia liderar a revolução da comunicação nas empresas?
Jornalistas, Agências de propaganda e marketing ou as próprias empresas?
Na maioria dos eventos relacionados a web 2.0, blogs vs. mídia ou comunidades virtuais e que se preocupam com a temática corporativa ou impactos na forma de se fazer negócios, sempre temos blogueiros dando dicas e opinando, jornalistas debatendo o tema, profissionais de comunicação dando o tom da conversa e raramente empresas apresentando casos concretos ou ajudando construir conhecimento no assunto discutido.
Acho isso muito sério. Entendo que leva algum tempo para que as empresas absorvam idéias revolucionárias ou novas formas de gestão que acadêmicos ou especialistas no assunto desenvolvem, mas no caso específico da comunicação com o cliente na nova era da web 2.0, a teoria se desenvolve principalmente na prática. Afinal de contas é errando que se aprende. E é por conta de poucos visionários que se arriscaram que muitas das invenções da humanidade deram certo.
As empresas deveriam assumir a linha de frente nessas discussões. Elas são as maiores interessadas e não deveriam estar sentadas assistindo o debate de partes que podem não ter o ponto de vista para captar o que se passa dentro das organizações. Uma empresa no meio e a figura muda de sentido.
O maior problema no entanto é a falta de conhecimento ou o analfabetismo digital que os míopes líderes empresariais possuem. Porém, mesmo cego, estar imerso na batalha é simplesmente melhor que não lutar. Os blogs podem continuar brigando com a mídia por espaço, mas quando esses dois forem falar de empresas, as empresas devem estar no meio.
Tendências em combustíveis alternativos para 2008
A Clean Edge acaba de divulgar o seu relatório anual cobrindo tendências em fontes de energia limpas. É muito satisfatório ver que as tendências descritas, mais do que “verdes”, são extremamente inovadoras e pra lá de interessante.
Me diverti um bocado lendo a respeito das companhias que usam pipas (ou paragliders) para movimentar barcos (Kite for Sail, KiteShip, SkySails). Impressionante ver também a exploração da energia geotérmica ganhando espaço. Mas o mais interessante é o carrinho da Reva. “Super trendy” e econômico, ele usa uma bateria de 6 Volts e pode chegar até 80 km/h. Você pode carregá-lo em casa como quem carrega um telefone celular.
Ser “verde” significa muita$$$ oportunidades de negócio.
Pensar é fácil… difícil é demonstrar que sabe…
Se você é o maior especialista do mundo em um determinado assunto, você pode ser requisitado em diversas partes por seu conhecimento. Supondo que você só falasse português e que não haveria nenhum intérprete disponível no local requisitor, o que resta de você?
Nada, é a resposta.
A gente pode passar a vida toda acumulando conhecimento, experiência, técnicas ou macetes, mas se não formos capazes de passar o recado pra frente, não conseguimos nos firmar perante empregos, desafios e indagações do cotidiano humano.
Daí a importância de uma segunda língua ou habilidades de comunicação interpessoal ligadas ou não à fala. Conhecimento e raciocínio são os combustíveis e a comunicação é a faísca para movimentar o motor da vida.
Tudo o que falei é óbvio, mas não custa manter esse pensamento funcionando no segundo plano da sua cabeça.
Leituras que valem a pena #24
The Ten (and a half) Commandments of Visual Thinking: The Lost Chapter from The Back of the Napkin | Dan Roam
O autor explora o pensamento visual e prevê: Visual Thinking é o futuro no que tange solução de problemas nos negócios.
Free! Why $0.00 Is the Future of Business | Chris Anderson
Quando o pai do “Longa Tail” ou “Cauda longa” fala, o mercado é todo ouvido. Veja o tema do seu novo livro e entenda porque a economia da internet tende a zero na precificação de produtos e serviços.
Placebos, Price, and Marketing | Roger Dooley
Roger está dando continuidade a uma série de posts que exploram como o preço dos produtos influenciam diretamente na satisfação dos consumidores. Com uma explicação empírica e tudo.
Se vc gostou, leia as outras recomendações de leitura clicando aqui.
Mais literatura! Melhor para as empresas…
Na próxima quinta, dia 13/03, a blogueira Carolina Frazon Terra, pesquisadora na temática das novas tecnologias de comunicação, coordenadora de comunicação corporativa do site de e-commerce MercadoLivre e professora do curso de relações públicas e publicidade e propaganda da Universidade de Santo Amaro (UNISA) e da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) vai lançar seu livro sobre Blogs Corporativos.
A Fnac e a Difusão Editora promovem o lançamento do livro BLOGS Corporativos: modismo ou tendência?, de Carolina Frazon Terra. A autora fará sessão de autógrafos desta obra que discorre sobre um canal promissor de comunicação direta e mais informal das organizações modernas com os seus públicos de relacionamento, o Blog Corporativo.
A autora realizou uma pesquisa com oito executivos que mantém blogs corporativos e entendeu o que estes têm em comum. Ser um canal interativo com o mundo digital, permitindo uma comunicação de mão dupla (bidirecional) e troca de idéias com os internautas foram os pontos mais citados pelos executivos de grandes, médias e pequenas organizações.
Parabéns Carolina e sucesso! É sempre bom ver que os blogs corporativos estão sendo cada vez mais levados a sério e sendo articulados por cada vez mais e mais profissionais.
Imprensa orgulhosa
Este não é um post destinado aos “guerreiros” da já eterna batalha entre blogueiros e a imprensa, esse blá blá blá que, nessa altura do campeonato, não serve de absolutamente NADA para os leitores. É só falação para próprio umbigo ouvir.
Mas esse pedaço de texto vai para os repórteres de diversos cantos do Brasil que, ao pedir uma entrevista para você, te inundam com toneladas de perguntas dizendo que o deadline é amanhã e depois desaparecem.
Sou sempre prestativo e respondo rapidamente dedicando alguns minutos da minha valiosa hora de trabalho que hoje em dia está em torno de quase 200 euros por hora de consultoria. Afinal de contas, a imprensa é um dos canais (não o principal, porque esse é este blog que vos fala e meus leitores) de comunicação que tenho com o mercado para a divulgação das minhas idéias.
O problema é que, depois que você envia as valiosas respostas, a comunicação morre. Você não recebe sequer um “obrigado”. Quando você pede a eles para enviar um exemplar da revista quando sair, são poucos os que o fazem. Será que a mãe deles não ensinou como serem educados? Ou eles só estão tentando manter a imposição “top-down” que temos que engolir diariamente na imprensa tradicional? Ou pior, já estão tão institucionalizados que já começaram agir como empresas sofrendo com o deficiente processo de relacionamento com o cliente?
Diálogo já! Porque nessa vida dependemos dele para nossa sobrevivência.




