Plágio 2.0
Essa vai para profissionais de RP e agências de marketing em geral.
Um dos mais respeitados experts em Social CRM, Brent Leary postou recentemente sua história sobre um email que ele recebeu de um amigo. Esse email foi enviado provavelmente para prospectos numa tentativa de vendas pela LaForce + Stevens, uma agência americana de RP e marketing que tem clientes como Reebook, The Wall Street Journal, Victorinox e 3M na sua carteira. Acontece que o email soa como uma cópia quase fiel ao conteúdo de um dos posts de Brent no Open Forum da American Express sem mencionar a fonte. Aparentemente a agência copiou Brent por questões cronológicas e pelo fato de Brent se manisfestar explicitamente em seu blog.
O recado aqui é: não copiem nada descaradamente do e no mundo 2.0 porque nesse mundo mentiras não tem as pernas curtas, mas sim completamente mutiladas. Mencionem as fontes e dê todos os créditos a elas. Além disso, se preocupem com os materiais gerados pelos seus próprios funcionários e sempre, SEMPRE, revise questões de ética e conduta profissional com eles.
Novo ano, novo design (nem tanto)
Mudei o layout da página. Na verdade deixei ela alinhada com o modelo usado no Serendipidade (meu outro blog). Não é preguiça de criar um design novo para o blog do livro, é mais no intuito de deixar um design único com identidade de cores diferentes para um mesmo autor. Sim, eu sei que o logo acima à esquerda não está de boa qualidade, não sei se vou fazer algo a respeito.
Aproveitando, desejo um 2009 repleto de bons acontecimentos e conquistas!
Blog Corporativo – o queridinho da mídia
Vou bater na tecla até ela gastar. Resgato o assunto do post anterior traduzindo um pedaço do sumário de apresentação de um dos últimos relatórios da Forrester sobre Crowdsourcing:
Crowdsourcing se tornou o queridinho da mídia — o que, de forma paradoxal, representa uma ameaça enorme aos vendedores de inovação que comercializam o conceito. Por qual motivo? Porque estar na moda gera desentendimento, confusão e estudos de caso mal desenhados — fazendo com que as empresas fiquem cada vez mais éticas ao valor que crowdsourcing pode trazer.
Substitua a palavra “crowdsourcing” por blog corporativo, web 2.0 ou mídias socias. Você vai ter o mesmo resultado.
A solução contra o problema está, como sempre, na suas mãos e na sua capacidade de transmitir a mensagem de forma adequada.
Leituras que valem a pena #27
Sobre humanos e animais | Alexandre Inagaki
Belíssimo ensaio sobre o efeito espectador e sua relação com ser humano e ser animal. Inagaki menciona Kitty Genovese como caso notório desse efeito e que se relaciona com a próxima leitura, sendo um caso notório de conformidade social também.
Conformidade elevadorística | Kentaro Mori
O efeito espectador e a conformidade social estão fortemente ligados um ao outro. Vejo sutis diferenças entre os dois. É como se o efeito espectador fosse a causa da “não-reação” e a conformidade fosse o motivo dela durar tanto tempo. Somente especulação, mas pode existir também um link aqui entre a conformidade e os neurônios espelho.
Brazil: Balancing on the Brink? | Knowledge@Wharton
Mudando completamente de assunto, essa é uma série de entrevistas com CEOs e outros especialistas brasileiros sobre como a crise poderá impactar a economia local. Entre os entrevistados temos representantes de vários setores da economia.
Leia as outras recomendações de leitura clicando aqui.
Jogos blogosféricos – o umbigo pop



As pessoas e a sociedade desenvolvem a tecnologia para atender suas demandas. Ao mesmo tempo, a tecnologia, fruto do esforço do homem, molda a sociedade provocando novas atitudes, mudanças de comportamento e cultura. É a simbiose que constitui o nosso zeitgeist.
A introdução do post pode parecer séria, mas o conteúdo não é. O tema da vez é entretenimento. Mais especificamente jogos e passatempos baseados na blogosfera, uma modalidade de divertimento que é impulsionada pelos próprios blogueiros – principalmente entre os escolhidos para estrelar o seleto grupo de participantes. Um exercício pretencioso e saudável de navel-gazing que combina estrelato, reputação e polêmica.
Começo com alguns exemplos brasileiros. Em 2007, talvez estreando a modalidade no Brasil, o blog Treta divulgou suas cartas que constituíam parte do novíssimo SupeTrunfo Blogs de blogs brasileiros. Quase ao mesmo tempo o carioca Fabio Lopez lançava o War in Rio, parte de outra modalidade que chamaremos aqui de um ‘espelho da realidade‘, o choque da realidade com a sociedade nos moldes que apresentei logo no primeiro parágrafo, e que certamente foi referência para a criação do Blog War no início de 2008. Por último consegui encontrar referências a dois ou três diferentes tipos de Caça-Palavras da blogosfera como esse do blog Karynemlira.
Fora do Brasil temos exemplos na espanha representado pelo Juego de la Blogosfera de 2007, visivelmente baseado no “Quantas bandas você consegue encontrar?” divulgado pela Virgin Digital em 2005 e que virou febre gerando muitas outras versões criadas por outras marcas como M&M’s e Vodka Absolut. Uma variação do clássico “Onde está Wally?“, criado em 1987. Já o cosmopolita chinês littleoslo “plagiou” o Blogopoly, criado em 2004, ao criar o Blogpoly em 2005, o banco imobiliário dos blogs que explodiu quando foi linkado pelo BoingBoing ainda em 2005. Existe uma versão espanhola também.
Para completar a história, deixo o link para o mais recente e completo trabalho no universo do entretenimento blogosférico: o BlogStar Game. Mais um “banco imobiliário” dos blogs criado por dois italianos (via Catepol 3.0). O jogo é comercializado de verdade (acho que até a Hasbro descobrir) e pode ser obtido em PDF para impressão gratuitamente. Haja criatividade…
Um pequeno update: Você pode jogar Blogpoly online aqui.
Imitação e satisfação no universo do consumismo
Terminei de ler Buyology na semana passada. Uma bela introdução ao mundo do neuromarketing misturados com momentos desnecessários onde o autor se gaba o melhor especialista em marcas do mundo e um dos pioneiros no assunto.
De qualquer forma, o que persiste ainda na minha cabeça é a explicação sobre a relação dos neurônios espelho e a dopamina com o nosso comportamento no momento da compra, e a frase defendida por alguns especialistas em neurociência: “São necessários apenas 2,5 segundos para decidir comprar um produto“.
Discorrendo rapidamente sobre os 3 temas:
– Neurônios espelho explicam porque quando alguem boceja na sua frente nós temos a tendência de abrir a boca ao mesmo tempo. Temos uma tendência natural de imitar o que vemos ou mesmo sentir sensações associadas com o que lemos ou imaginamos. Traduzindo para o momento da compra, isso conseguiria explicar porque queremos comprar um objeto que vemos em uma vitrine ou usado por uma celebridade que admiramos. No primeiro caso nós nos imaginamos possuidores daquele produto e literalmente experimentamos a sensação de tê-lo em nossas mãos. No caso da celebridade, a explicação é pura e simplesmente o fato de que queremos ser como ela, por isso compramos para conseguir “ser” como ela.
– A Dopamina liberada pelo cérebro no momento que decidimos comprar algo nos dá uma sensação de bem estar. Viciados nela, nossa tendência é sempre continuar comprando para obter mais desse prazer.
– Os 2,5 segundos estão entre os dois elementos acima. Se sentir como proprietário de um produto é rápido. Dentro desses 2,5 segundos a dopamina inunda nosso organismo. O lance é que se demoramos demais, o suficiente para pensar melhor, como descrevi em outro post, a dopamina é absorvida e a vontade passa porque o racionalismo impera. De compra instintiva passamos para a negação racional.
Polônia
Estou alocado em um projeto na Polônia em Varsóvia pelos próximos 4 meses mas vou continuar voltando durante os finais de semana para Amsterdam. Interessante ver como me senti quando voltei para a Holanda na última quinta-feira a noite. Admito que estava homesick pela minha casa atual, mas a sensação de estar voltando para um país tremendamente mais evoluído economicamente foi muito marcante.
Mesmo com os quase 20 anos da queda do regime comunista, a cidade, alguns bairros que passei e alguns marcos importantes da cidade, como o Palácio da Cultura e Ciência (foto), ainda carregam as marcas do passado e é inevitável não sentir essa sombra ao andar pela cidade.
Alguns pontos marcantes (Polônia versus Holanda):
- Na Polônia as pessoas costumam se cumprimentar com um amistoso aperto de mão todos os dias. Na Holanda é um distante, frio e calculista “bom dia”.
- Na Polônia se almoça e janta pratos quentes, na Holanda o almoço pode ser entendido como um “segundo café da manhã” regado a leite, iogurte, pães com queijo e eventualmente uma fruta.
- Como um nativo lusófono, o Neerlandês soa muito, mas muito mais feio do que o Polonês. A única excessão é escutar os Poloneses falando “sim” = “tak” no telefone… tak, tak, tak… (curiosidade: em Indonésio “tak” é “não”)
Foi preciso chegar até aqui para que você acordasse?
Rolou um burburinho na rede sobre uma pesquisa da Forrester que demonstrou que apenas 16% dos adultos norte-americanos confiam no condeúdo de um blog corporativo – em último lugar. E quem disse que acredita normalmente acredita em todas as outras fontes de informação sobre uma empresa e seus produtos.
Isso é culpa das próprias empresas e seus pseudoblogs corporativos.
Convenientemente Josh Bernoff, co-autor do Groundswell, publicou um estudo que custa quase 300 dólares. Como eu tenho acesso aos relatórios da Forrester, eu abri e fui ver o que ele contava. Basicamente ele defende os pontos de vista que sempre conversamos aqui no blog e está explícito no meu livro:
- Blog não é vitrine de produto
- Blog é a ferramenta ideal para mostrar o quão preparada sua empresa está para corresponder às expectativas de seus clientes
- Plano, objetivo e consistência são as palavras de ordem
Tem também uma pancada de gráficos e vários pontos “melhores práticas”. Tudo é tão simples. As empresas é que gostam de complicar e acabam fazendo com que o resultado da pesquisa se mostre tão “medonho”.
Somente um parêntesis: Entre blogueiros e leitores de blogs a figura é diferente. Óbvio que é porque eles conhecem o assunto muito mais em detalhes do que um “consumidor 1.0”.
Diálogo e a Economia de Rede
A Internet hoje possui inúmeros termos que ajudam explicar nada mais nada menos que a Economia de Rede.
Economia de Rede é a criação de valor por redes sociais em escala global que conectam empresas, governos e principalmente as pessoas que movimentam os mesmos. O combustível que movimenta uma economia de rede são as conversações entre as pessoas, o diálogo. Esse tipo de economia acontece não só na Internet, mas também fora dela no mundo físico.
A figura ao lado demonstra o ambiente que temos hoje traduzido para o contexto da Internet. Entre a economia de rede e o diálogo temos alguns elementos importantes.
Economia da Internet é a economia de rede localizada na rede mundial de computadores.
Mídias Sociais são ferramentas que permitem a formação de discussões entre as pessoas e empresas conectadas na rede. Web 2.0 é a plataforma que sustenta as mídias sociais por meio de blogs, wikis, redes sociais, entre outras aplicações.
Redes Sociais são um dos tipos de ferramentas oferecidas pela plataforma web 2.0 e constitui um dos melhores exemplos de mídia social. Facebook, Orkut e MySpace são os exemplos mais populares de redes sociais.
Comunidades Virtuais são as pequenas tribos formadas dentro de uma rede social, onde pessoas se conectam para conversar sobre os assuntos de seu interesse e descobrir que no final das contas todos temos várias características em comum quando temos objetivos parecidos.
Diálogo é o que permitiu que nós seres humanos formássemos o mundo como ele é hoje, a sua sociedade, economia e essa complexa bola desenhada logo acima.
Faz sentido?
Fim dos blogs? Ahhh… conta outra…
O cara da Wired escreveu um artigo e todo mundo ficou especulando: “Oh! É o fim dos blogs?”
Como algo que existe aos milhares pode desaparecer? Pior, como dizer que o Twitter vai substituir os blogs se a maior parte dos links divulgados por ele são links para posts de blogs ou artigos?
Aí eu vejo o Pavoni nos apresentado o Hype Cycle de Softwares Sociais da Gartner (figura). Foi bom porque nessa concepção o “fim dos blogs”, o seu resultado final, é ser adotado com perfeição por todos interessados e alinhado com o “Platô da produtividade”. Isso não me parece nada com “ser exterminado da rede”, está mais para “olha como esse treco traz resultado!”.
Depois o e-marketer solta essa: mais de 2/3 dos marketeiros americanos usam blogs como ferramenta de marketing e muitos blogueiros adoram falar sobre marcas nos seus blogs. Não é bom?
Agora que entendemos o fim dos blogs, vamos partir pra outra polêmica.
Durante o chat no portal Nós da Comunicação, Paulo Teixeira perguntou minha opinião sobre uma pesquisa da Forrester que estudou origens de venda nas empresas. Ele diz que o blog ficou com 0% – i.e. nenhuma contribuição para as vendas. Eu respondi que a pesquisa estava errada, mas na verdade as empresas que responderam é que estão erradas.
Compare os 2/3 de marketeiros que usam blogs como ferramenta de marketing e o resultado da pesquisa da Forrester. O que você conclui?
Eu concluo que das duas uma: ou os marketeiros usam o blog por modismo cego, ou eles sabem que o blog traz resultado mas não sabem mensurar os retornos adequadamente. Sou mais a segunda opção.
Espero que os “is” estejam bem “pingados” agora.




