Seu cérebro já não é mais o mesmo
A Internet alterou de forma definitiva nossa economia, costumes, comportamento e muitos outros aspectos da nossa vida. Mas segundo o Dr. Gary Small, ela, a Internet, alterou também o nosso cérebro. Ele acabou de lançar um livro sobre esse assunto.
Eu tive contato pela primeira vez com o conceito de plasticidade cerebral em um dos livros do aclamado Steven Pinker. O cérebro se adapta a estímulos externos segundo nossa experiência, entre eles, como resultado de esforços repetitivos. O estudo do doutor Small segue essa linha para explicar as consequencias e possíveis sequelas dessa alteração por uso constante da Internet e outras tecnologias recentes.
Ele demonstra que usuários experientes de Internet possuem uma atividade cerebral mais elevada no geral e muito mais ativa em áreas do cérebro que controlam processos decisórios e o raciocínio do que de usuários iniciantes. Ficamos mais ágeis, rápidos, criativos e filtramos melhor a informação.
O lado negativo, porém, é que a reclusão pelo uso exagerado de computador, internet e outras tecnologias vicia, prejudica o convívio social e pode gerar distúrbios mais graves.
Segundo ele, essa evolução do cérebro implica em uma lacuna entre os “nativos digitais” – que nasceram e cresceram no mundo digitial – e os “imigrantes digitais” – aqueles que nasceram sem acesso à tecnologia atual e a adotaram mais tarde. É necessário que os imigrantes ajudem os nativos no que tange o lado social da vida em família e comunidade para evitar os problemas vistos anteriormente.
Só assim a geração nativa estará preparada para encarar o novo perfil profissional exigido hoje e futuramente: agilidade por aptidão tecnológica e capacidade de se relacionar face-a-face.
Fatos e Ficções sobre a GM
Estamos cansados de saber que o blog FastLane da GM é um dos melhores cases de blogs corporativos no mundo, além disso, sabemos também que a GM não possue somente um blog, mas vários ao redor do mundo. Essa é a fatia bidirecional 2.0 da companhia.
Ultimamente tenho falado muito que os blogs corporativos andam sem sal. Falta polêmica para reviver as boas discussões em cascata que tanto buscamos quando colocamos uma ferramenta dessas no ar.
Ainda que este não seja aberto para comentários, mas sim abertos para novos ‘rumores’, o recém inaugurado blog GM Facts and Fiction mostra que a empresa ainda tem cartas na manga para alimentar o mundo dos blogs corporativos.
A proposta é: o leitor manda um rumor, mito ou qualquer coisa que tenha escutado sobre a empresa e a equipe do blog responde.
E é bom responder. Os blogueiros de plantão estão de olho para ver se a empresa vai mesmo responder mitos enviados por leitores ou vai fabricar seus próprios ‘mitos’.
Workshop PR 2.0
Manoel Fernandes, publisher da revista BITES, me mandou um email divulgando o Workshop PR 2.0. Como é assunto de interesse de muitos leitores desse blog, repasso o recado:
Dia 11 de novembro, BITES faz o primeiro Workshop sobre como as agências de comunicação e assessores de imprensa podem utilizar a web 2.0 no seu dia-a-dia para melhorar a exposição dos clientes no mundo digital. Durante oito horas, no Centro Britânico, em São Paulo, teremos uma apresentação desse mundo por Marcelo Coutinho (Ibope Inteligência), vamos discutir cases com Edney de Souza (Interney.net), Gustavo Reis (Tecnisa) e Marco Barcellos (Cisco) e entender como colocar tudo isso na prática com Marcos de Souza Aranha (iChimps) e Alessandro Barbosa Lima (E-Life).
Mais informações aqui.
Sobrevivendo na era do conteúdo infinito

É uma inundação de informação na rede hoje em dia. Tem horas que olho para minha lista de feeds e imagino que não existe cérebro humano capaz de absorver tamanha quantidade de dados. É aterrador. Por muitas vezes é inevitável não se sentir medíocre, pequeno, ou pior, ignorante.
Existem 3 possíveis atitudes: ou afundamos, ou nadamos, ou construímos um barco.
- Afundando significa tentar absorver tudo ao mesmo tempo e não sair do buraco. Quando se está num buraco o fluxo de informação entra como uma cachoeira. Bloqueia a saída. Para evoluirmos precisamos transmitir mensagens também. Comece por ignorar parte do exagero, não vai te fazer falta e vai te dar fôlego para reagir.
- Nadar é algo que gosto de fazer. É navegar na imensidão da informação em busca de títulos interessantes ou mesmo abrir artigos sorteados para ver se o achado oferece um pouco de serendipidade. Não é legal se esticar muito nessa prática porque, apesar de divertida, oferece uma armadilha de viver perdido em sonhos. Na verdade, no sonho de que boas idéias virão sem esforço.
- Fazer um barco é a melhor opção mas é a mais complicada. Somente a combinação da estratégia correta e ferramentas especializadas podem ajudar nesse caso. Fazer um barco é o que as empresas da web estão tentando fazer hoje em dia para facilitar o trabalho de muitos nadadores e náufragos. Fazer um barco é o que enriqueceu muitos dos grandes nomes da internet hoje. Fazer um barco é a linha que separa aqueles que conseguem bons insights da rede daqueles que apenas a usam como entretenimento. Lembre-se: se você tem um barco você pode cobrar para transportar passageiros.
E então? Qual vai ser a sua escolha?
Nuvem de tags do livro Blog Corporativo
Fiz um Wordle com o conteúdo completo do meu livro. Vi as palavras blog, empresa, companhia, cliente, marketing, comunicação, internet e funcionários como as mais freqüentes. Acho que o conteúdo está alinhado com o título e o tema.
Leituras que valem a pena #26
The 7 things that surprise new CEOs | HBS Working Knowledge
Descrição das 7 surpresas que um novo CEO pode encarar e seus sintomas. Texto do guru Michael Porter escrito em parceria com outros dois professores da escola.
Future of online retailing — 4 predictions | Sam Decker
Sam compartilha sua visão sobre o futuro do varejo online e abre 4 perspectivas de tendências que envolvem redes sociais no seu centro.
Coaching Series: Create the Career You Want | Michael Melcher
O primeiro leituras que é um vídeo. Longo, mas que vale a pena. Satisfação profissional é uma questão de criar o que você quer, e não apenas esperar pela oportunidade aparecer.
Leia as outras recomendações de leitura clicando aqui.
Confiando em estranhos e afins
Me deparei com algumas coisas super bacanas hoje e quero compartilhar com vocês. Na verdade você pode entender isso como uma recomendação sendo que no segundo caso (do livro) eu nem sequer lí o dito cujo. O que prova ainda mais que uma recomendação pode partir de um estímulo ínfimo.
Primeiro ‘assista’ essa apresentação da Universal McCann com o título ‘Quando começamos a confiar em estranhos?‘. Gostei bastante dos insights.
Depois, se você é marketeiro ou gosta do tema, você pode se aventurar pelo livro do Martin Lindstrom que está sendo lançado hoje, dia 21 de outubro (já encomendei o meu). Com o título ‘Buyology: Truth and Lies About Why We Buy‘. Para quem precisa de evidências empíricas para acreditar nos achados desse livro, saiba que o Martin conduziu um projeto de pesquisa de mais de 3 anos e 7 milhões de dólares antes de escrevê-lo. Ele conta com o apoio do Paco Underhill do bestseller Vamos às compras!.
Tá dada a minha recomendação de estranho.
Coca-Cola e a conversação
Nada como ser a marca mais valiosa do mundo para ter milhares de pessoas dispostas a dialogar com você. Para quem não sabe (eu não sabia!) a Coca-Cola lançou em Janeiro de 2008 o blog Coca-Cola Conversations.
O autor é um veterano com mais de 30 anos de casa e muita história para contar. O blog é uma boa fonte de informação sobre cultura pop e a influência da marca através dos tempos. Para a Coca é fácil manter um blog com tantas lendas, polêmicas e mistérios por trás dessa marca que é, antes de tudo, símbolo da globalização. Colocar a marca em diálogo é a cereja no topo do bolo.
Não é um blog com milhares de comentários porque apresenta alguns posts que considero ‘chatos’ como as receitas e os ‘Feliz isso’ ou ‘Feliz aquilo’. O posts mais comentados são da categoria sobre artigos colecionáveis com a marca da empresa. Resumindo, blog funciona mais para quem é fã do que para quem procura insights sobre a indústria e novidades para acionistas.
O ímpeto do consumo e a venda perdida
Vamos imaginar (ao invés de livro poderia ser qualquer produto):
- Você acaba de ler sobre o lançamento de um livro do seu autor favorito,
- Você pensa: ‘vou comprar porque vou ler de qualquer forma mesmo’,
- Você entra online e digita o nome da sua loja online preferida para comprar livros,
- O site da loja não entra ou demora muito ou trava na busca/compra ou estava em atualização ou [insira aqui seu problema impeditivo],
- Você acaba pensando graças a essa lacuna de tempo e conclui que não precisa comprar agora,
- Você nunca mais compra porque após a desistência você digeriu um pouco e conclui que pode viver sem esse livro.
Quantas vezes deixamos de capitalizar porque nossos clientes tropeçam em pedrinhas insignificantes?
Nós somos volúveis para a maioria dos produtos. Se pensamos duas vezes a vontade não está mais lá. Em casos extremos o problema pode até fazer o cliente mais convencido insistir por dias antes de desistir.
Isso se chama venda perdida e tem infinitas causas, mas a maioria é breve e besta como no exemplo acima.
Pode ser uma utopia dizer que vamos satisfazer todos os ímpetos de consumo das pessoas, mas é vergonhoso não lutar por ela. Melhorias sensíveis podem trazer resultados surpreendentes.
Carnaval Científico :: Serendipidade e Supercondutores
Descobertas científicas geralmente demandam tempo, dedicação, criatividade, conhecimento, dinheiro e muitos outros esforços, mas quero destacar que um dos grandes impulsionadores da ciência é a serendipidade. Aqui no blog já falei da descoberta do polietileno e da penicilina.
Acontece que no ramo dos supercondutores os dois andam muito mais próximos do que imaginamos. Talvez essa seja a ramificação da ciência que mais depende desse tipo de casualidade devido suas características curiosas e as constantes revisões de suas teorias.
Supercondutores são materiais que não oferecem nenhuma resistência ao fluxo de eletricidade. Esses materiais adquirem essa propriedade supercondutora em temperaturas extremamente baixas, por isso hoje em dia a batalha é para encontrar o material ou composto que se transforma em supercondutor na temperatura mais alta possível.
Tudo começou com um holandês – destaque para a coincidência serendipitosa da localidade com minha residência atual – que observou, em 1911, que o mercúrio se tornava um supercondutor quando resfriado na temperatura de 4 Kelvin (-269,15 °C). A curiosidade acabava de abrir novas portas para a ciência.
Nas décadas seguintes surgiram outros materiais que requeriam uma temperatura um pouco mais elevada, sendo que alguns deles surgiram pela mão ‘divina’ da serendipidade.
Esse é o caso dos cientistas Alexander Müller and Johannes Georg Bedborz. Em 1986 eles estavam buscando o melhor isolante elétrico e acabaram encontrando um composto cerâmico que se tornava um supercondutor na temperatura mais elevada até então, 30 Kelvin (-243,15 °C). A serendipidade rendeu um Prêmio Nobel e muitas outras descobertas de novos materiais em seguida.
Em 2001 a serendipidade aconteceu de novo com um grupo de cientistas japoneses. Eles descobriram, sem querer, que o diboreto de magnésio (MgB2) – um composto existente há tempos nas bancadas dos cientistas – também se transforma em supercondutor na temperatura de 39 Kelvin (-234,15 °C) em uma de suas experiências.
A temperatura recorde é 138 Kelvin (-135,15 °C), mas já existe um candidato para quebrar essa marca. Mais uma vez a serendipidade deu uma mãozinha para direcionar as pesquisas em busca dos 195 Kelvin (-78,15 °C).
Os supercondutores são usados em máquinas de ressonância magnética, aceleradores de partículas, circuitos digitais, filtros usados nas estações rádio base de redes móveis celulares e nos trens maglev – aqueles que levitam sobre os trilhos (quem lembra da capa da primeira edição da revista Superinteressante?).
Para finalizar, encontrei sem querer a Serendipity Electronics – a loja se declara a fonte número 1 para componentes eletrônicos difíceis de se encontrar. Quem sabe eles não vendem um supercondutor que funciona na temperatura ambiente?
Esse post aconteceu porque o Lablogatórios está promovendo hoje, dia 14 de outubro, o Carnaval Científico. A idéia é que todos participem postando algo sobre uma (ou mais) grande descoberta científica. Eu abraço a causa dessa blogagem coletiva porque sou um dos que acompanham os blogs que fazem parte desse interessante condomínio de informações interessantes.





