Onde está a Criatividade da TV Brasileira?

ago 13, 2005   //   por Serendipidade   //   Criatividade / Inovação  //  Nenhum comentário

(c) YotoPhoto.comCriatividade! Essa palavra reflete o desejo de muitas das empresas de hoje. No ranking das 20 empresas mais inovadoras todas as companhias listadas tinham investimentos relacionados com o estímulo à participação e criatividade dos seus colaboradores. É o emprego nobre dos conceitos da produção de idéias voltado para os negócios.

Por outro lado, no campo mais ligado ao nosso cotidiano, a criatividade marca presença em publicidades e propagandas e também em produções de programas de TV na tentativa de abocanhar uma maior fatia do Ibope.

A criatividade está muito fortemente presente na publicidade. A busca por entender os desejos dos consumidores e tentar convencê-lo de que o seu produto é necessário e desejado. Criar a relação direta com o consumo, o desejo e a ação do consumidor.

O Brasil é um dos países mais bem colocados quando falamos de publicidade de maneira geral. Pelo menos na mídia que mais expressa sentimentos e emoções, que é a TV, a publicidade através de vídeos é muito bem cotada internacionalmente. Sempre temos as agências Brasileiras (sejam as nacionais ou as multinacionais) entre as finalistas do Leão de Ouro de Cannes.

Já na TV, uma lamentação completa. As emissoras Brasileiras têm medo de arriscar na produção de seus próprios programas e acabam importando idéias “enlatadas” do exterior. É incrível a incapacidade da TV brasileira de gerar programas interessantes e criativos. As emissoras parecem pesar na balança o risco da criatividade versus a cópia de uma formulação de sucesso garantido.

“Big Brother Brasil” copiado do sucesso do programa no exterior. George Orwell deve estar se revirando no caixão pelo uso do seu “Grande Irmão” do romance “1984″ em algo tão banal. Mas a critividade não deixa de estar presente.

“O Aprendiz” foi copiado do programa homônimo americano que leva Donald Trump para o showbusiness. Por sinal, se trata de um programa que foi importado para o Brasil utilizando ao máximo o uso descarado de um merchandising de baixíssima qualidade usando os participantes como garotos propaganda. Além da péssima atuação do seu principal protagonista na tentativa de ser o business man do momento. Horrível… os dois, o original e o copiado. Mas a idéia não deixa de ser boa e infelizmente prende bem a atenção da nossa população medíocre.

Depois vem uma série de programas de auditório como esses que vemos da Márcia, Hebe e demais que são meio que copiados da Oprah Winfrey. Ou mesmo o “Programa do Jô” que tem semelhanças incríveis com o “Late Show” do David Letterman.

Mas não podemos dizer que não se criam programas novos aqui no Brasil. Pena que a criatividade do brasileiro fica presa a violência, bundas e aproveitamento moral em cima dos outros, como é o caso do Pânico ou Ratinho… se bem que chamar isso de criatividade é um pecado. O segredo aqui é usar a TV para mostrar programas que se identificam com a massa brasileira, e para isso os ingredientes são simples e apelativos. Simplesmente refletem a mediocridade da nossa população. Um livro de Luciano Pires chamado “Brasileiros Pocotó” pode apresentar a você um pouco mais de detalhes quando falamos do emburrecimento da TV brasileira.

Conclusão: Vou desligar a TV durante os programas e assistir durante os intervalos comerciais, pelo menos ali poderemos nos divertir desafiando as propagandas a nos convencer que seu produto é necessário. Ainda quando existem propagandas péssimas também, pelo menos eles estão tentando criar e vender ou ser criativos, estão arriscando.

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