Como criar valor com o blog corporativo
Li no Comunicadores uma referência a uma pesquisa da Forrester que foi noticiada ontem pela ComputerWorld. No começo não achei a pesquisa mas depois percebi que já a havia lido antes – e não falei sobre ela porque entrou na minha lista de prioridades (que hoje em dia está concorrida). A pesquisa foi publicada há um mês!
Outra pesquisa mais recente, da mesma autora, vai além, demonstra que os marqueteiros foram reprovados no teste de marketing em comunidades online. A maioria deles usam os meios tradicionais como TV, press-releases e anúncios em revistas e desconhecem as possibilidades abertas pelas comunidades online.
No resumo do primeiro relatório são apresentadas 4 estratégias:
- Seja aquele que inicia a conversação, não aquele que destrói
- Crie conteúdo divertido e que seja fácil de absorver e aplicar
- Faça a ligação entre os eventos de interesse da companhia e a comunidade em torno
- Convide formadores de opinião de dentro da empresa e os guie no mundo dos blogs
Além disso, a pesquisa fala de assuntos bastante conhecidos pelos leitores desse blog: honestidade, transparência, falar sobre o universo do seu produto, não ficar olhando só para seu umbigo, etc.
Executivos não conhecem os blogs corporativos (ainda essa balela?)
Conforme anunciei agora pouco no Serendipidade, estou de mudança para a Holanda no início de dezembro. Estou sendo expatriado pela minha firma por um período de quase 2 anos.
Mas o que queria contar é que meu futuro diretor comentou comigo que estava querendo fazer um blog corporativo para a nossa área de atuação (CRM e estratégia em Telecom). Ele me pediu para liderar a iniciativa já que tinha escrito um livro sobre o assunto, e adicionou que a equipe deveria avaliar qual solução de blogs seria mais adequada.
Em seguida ele citou algumas dessas soluções: MySpace, LinkedIn e Alwayson.
Fofoca é vital para a evolução do homem
Voltando ao post anterior, ele questionava porque buscamos coisas “vazias” para preencher nosso dia-a-dia. Natureza ou evolução humana?
Então reparei que as notícias mais quentes (+ lidas) invariavelmente são fofocas. Fui ler mais a respeito e topei com um estudo interessante do professor Frank McAndrew do Knox College.
Coincidentemente li uma notícia da Folha Online que divulgava uma pesquisa da Harris Interactive a qual dizia que fofocas e e-mails são as maiores distrações no trabalho.
Teorias anteriores dizem que a fofoca é “uma forma de estudo social ou comparação social — uma forma de obter informação sobre outros que nos dá sentimentos elevados de valor próprio por meio da comparação”
Já o estudo do professor Frank afirma que “notícias negativas sobre indivíduos de alto nível social ou potenciais rivais e notícias positivas sobre amigos ou aliados são super valorizadas e passíveis de serem passadas para a frente. O que confirma que a fofoca pode servir como uma estratégia de aprimoramento de status.”
De qualquer forma parece ser da natureza humana a inclinação para esse tipo de informação “quente”.
No caso das revistas de fofoca: Mesmo não conhecendo uma celebridade pessoalmente, a vemos como um indivíduo de alto destaque social. Descobrir e compartilhar as suas fraquezas é algo que parece ter valor, pois rebaixa essa pessoa ou nos coloca mais próximos dela.
Na carreira vale o mesmo. A fofoca no trabalho é parte da nossa estratégia na busca por status – cargos e salários melhores.
A fofoca é tão instintiva quanto gostar de sexo (para perpetuar a espécie), de doces (para obter energia) ou de adaptação do meio (para alcançar objetivos).
Imagem: “Gossip” de Norman Rockwell
O poder do consumidor na era 2.0
A revista Época Negócios deste mês trouxe uma reportagem super bacana sobre o tema. Uma pena que gastei 9 reais para comprar a revista na banca e acabei descobrindo que TODO o conteúdo da revista está aberto no website da Globo. Se isso for estratégia para atrair leitores eu declaro que não comprarei a revista mais.
Sendo assim, leia a matéria supracitada aqui.
Além dela, uma outra sobre Inovação também vale a pena. “Porque somos tão pouco inovadores ?“. Mais uma vez infeliz… o certo seria dizer “Porque somos tão criativos porém tão pouco inovadores ?”. Afinal, brasileiro não é criativo?
Menção honrosa: O tema inteligência é bem abordado pela revista. Leia os links abaixo com conteúdos bastante serendipitosos.
- Big brother? — Empresas flagram falhas de comunicação de funcionários
- Motivação — Desinteresse do chefe destrói a confiança do subordinado
- Inovação — Nem só o glamour do iPod merece ser cultuado
- Otimismo — Produtividade do empregado melhora se líder é positivo
- Lições — O que os sobreviventes de grandes desastres ensinam
- Personagem — Quando a discrição é a alma do negócio – e do lucro
Blogs na estratégia de comunicação de uma empresa
O jornalista Alexandre Gonçalves entrevistou o diretor de marketing da Intel, Elber Mazaro, responsável pelo blog corporativo Brasil Digital.
Duas frases de destaque: (leia mais na entrevista)
“[…] O brasileiro, no entanto, tem o perfil favorável a se comunicar, interagir, e uma ferramenta como o blog, por todas as pesquisas que a gente tem, tem um espaço muito grande no Brasil. […]”
“[…] A gente acredita na integração das mídias e, quanto melhor essa integração, maior o impacto que podemos ter no mercado. […]”
Deloitte Review
A Deloitte está lançando uma revista semestral de estratégia chamada Deloitte Review, voltada para executivos e, de forma especial, para os clientes da firma. A revista consiste na compilação de artigos de interesse desse público. Apesar de não circular em bancas de revista e nem estar a venda no site, é possível acompanhar na íntegra todos os artigos e baixá-los em PDF.
No primeiro número temos artigos interessantes como: um resumo do livro The Strategy Paradox, um estudo sobre oportunidades de prestação de serviço por empresas de manufatura, a análise das oportunidades e armadilhas de se vender produtos e prestar serviços para clientes mais velhos ou idosos, entre outros.
Pontos positivos e de atenção dos Blogs Corporativos
Segundo o ponto de vista de diversos blogueiros corporativos, Marcio Gonçalves e Carolina Terra listaram em seu artigo para a RP em Revista os pontos positivos e negativos de se usar o blog como estratégia de comunicação empresarial.
Eu chamaria a lista de pontos positivos e pontos de atenção dos blogs corporativos. Os batizados “pontos negativos” são perfeitamente contornáveis. O trecho abaixo foi inteiramente retirado do artigo citado acima:
Pontos positivos
- Abrir um canal de relacionamento com seus stakeholders, principalmente formadores de opinião on-line.
- Dar uma cara mais “humana” à empresa, se o blog for realmente um blog e não um site corporativo travestido de blog.
- Ter um canal para feedback da comunidade sobre a empresa e suas ações.
- Um canal de comunicação da empresa que pode ser facilmente atualizado. Uma fonte confiável de informações da empresa que podem auxiliar seus clientes e fornecedores a entender melhor como ela funciona.
- Uma forma de conhecer os seus clientes e permitir interação. Receber feedback deles na forma de comentários e até mesmo estabelecer e melhorar o relacionamento a partir desses recursos.
- É um canal viral. Dessa forma os textos podem ser indicados a outras pessoas e diversos meios podem consultar o blog como uma fonte de referências confiável de uma empresa.
- Conquistar a confiança do consumidor é, com certeza, o primeiro ponto positivo. Ter um blog é ser transparente e aceitar o diálogo com o consumidor. A internet e a globalização possibilitam que o público acompanhe tudo o que as empresas fazem ou deixam de fazer. Não adianta mais tentar enrolar as pessoas. Qualquer um pode encontrar informações e opiniões no Orkut, YouTube e blogs. O fenômeno blog desafia as tendências tradicionais sobre o controle da comunicação das corporações, mídia, governo e mercado. É um novo campo em que todos podem recomendar ou criticar seu produto ou serviço. De acordo com o Estudo de Confiança da Edelman de 2007, os consumidores acreditam mais em “pessoas comuns” do que em autoridades. Ou seja, o recado está dado: chega de mensagens enlatadas! Os blogs emergiram rapidamente como uma nova tecnologia neste caminho.
- Outro ponto positivo é que os blogs se tornaram uma fonte de informação com credibilidade, principalmente para jornalistas e formadores de opinião. Blogs de CEOs e funcionários são formas viáveis de comunicação para muitas propostas, como ferramenta de conhecimento interno para aumentar a credibilidade e dividir informação, e devem ser considerados como uma estratégia para comunicação corporativa.
- Profissionais da área de comunicação devem entender a blogosfera como medidor em tempo real da eficiência da comunicação interna – mais um ponto positivo para os blogs – e engajamento dos funcionários. Embora não seja uma medição tão efetiva quanto uma pesquisa tradicional, serve como dados qualitativos sobre o sentimento do funcionário em relação à empresa – ótima ferramenta para recursos humanos. As empresas precisam considerar que a comunicação olho-no-olho ainda é mais efetiva e que ela refletirá na comunicação virtual, mostrando a felicidade do funcionário que a vê com uma ótima comunicação interna e um bom relacionamento com os executivos.
Pontos de atenção
- Se a empresa não for realmente preocupada com que diz e faz, pode gerar ainda mais fragilidade e ela poderá ser ainda mais atacada
- Exige trabalho dedicado e temas/discussões que não apenas interessem mas envolvam a comunidade na discussão.
- Se o blog for em torno da marca e não de um tema pode gerar desgaste para a empresa. A Tecnisa, construtora de SP, por exemplo, tem um blog muito bom mas ela não fala de si mesma, fala da construção civil.
- É um meio informal de se comunicar, que não dá a mesma credibilidade que teria, por exemplo, um press release ou até mesmo um jornal fechado com temas específicos.
- O feedback não é espontâneo e está mais direcionado com o conteúdo dos textos publicados. Uma ferramenta que permite o feedback mais espontâneo é o fórum na internet, recurso que muitos portais adotam cada vez mais em conjunto com o blog corporativo.
- Não permite resposta ao feedback de forma direcionada. O feedback pode ser feito a partir de textos que comentem o conteúdo dos comentários dos usuários, mas sempre de forma genérica e nunca personalizada.
- A falta de cultura ainda atrapalha o amadurecimento desta nova ferramenta. Existe muita confusão e medo com relação a blogs e muitas empresas ainda não entenderam o objetivo deste fórum de discussão virtual.
- Além disso, por trata-se de uma espaço aberto, é preciso tomar cuidado com o que será escrito, já que a informação vale ouro nos tempos atuais. Seus concorrentes podem “roubar” suas idéias ou conceitos.
- E por último, a falta de compromisso e respeito com os comentários. Não acho que é uma desvantagem, mas sim um risco. Uma vez que você começa um blog, as pessoas esperam diálogo e troca de experiências. Então não vale escrever a cada mês ou 45 dias. É preciso ter empenho e saber receber sugestões e, talvez, até críticas.
Teoria da motivação
Douglas McGregor criou nos anos 60 duas teorias para explicar a motivação de funcionários nas empresas. A teoria X e a teoria Y. Ele acreditava que as empresas se encaixavam em uma ou outra das abordagens.
Na teoria X:
– Funcionários – são fundamentalmente preguiçosos e vão tentar escapar do trabalho se puderem. Pouca ambição. Precisam ser supervisionados de perto;
– Gerentes – acreditam que sempre deve haver um culpado. Não confiam em nenhum funcionário e ficam em cima o tempo todo. Autoritários.
Na teoria Y:
– Funcionários – podem ser ambiciosos, motivados, chamam responsabilidade. Têm vontade de serem criativos e progressivos;
– Gerentes – acreditam que as pessoas querem fazer bem feito e que algo criativo pode fluir deles. Tentam remover as barreiras que impedem o bom desempenho de seus funcionários.
É meio que um otimista e um pessimista. O fato é que, dependendo da posição que um profissional assuma, mais ou menos deverá ser investido em possíveis recompensas por desempenho.
Na minha opinião, independente da motivação ser X ou Y, uma estratégia ganha-ganha é sempre mais benéfica para a empresa. Ou seja, ter políticas de participações nos lucros gordas e pagar bem é valorizar seu corpo de funcionários e colher frutos vindouros muito mais saborosos. Será? Acredito nisso devido ao átomo social (tem um livro sobre isso). Vou tentar evoluir algo quando eu terminar (já estou quase terminando).
CEO's e blogs em evidência
Este post é uma continuação de um post do Blog Corporativo. Achei relevante postar aqui também.
Se usar o blog para se aproximar dos investidores parece ser polêmico, veja o que fez o CEO da Whole Foods e o que o Jonathan falou a respeito.
John Mackey, um CEO que também possui um blog, postou, de 1999 a 2006, mais de mil comentários sobre a sua empresa em um forum de discussão sobre investimentos do Yahoo. Até aí tudo bem? Nada. O fato é que ele usou um outro nickname e se fez passar por outra pessoa que não tinha nada haver com a empresa a qual ele representava. O nick de Mackey era um anagrama com as letras do nome da esposa (que criativo!).
Ele está sendo investigado pela SEC.
E como ele tem um blog, a imprensa foi perguntar ao Jonathan qual era a sua opinião.
Além da resposta ter sido divertidíssima, veja um destaque do que ele falou:
“Eu adoraria que um dia todos nós eliminássemos o termo “blogueiro” do dicionário (e que parássemos de perseguir o CEO que bloga). CEO’s que possuem um celular não são “celuleiros“, aqueles que utilizam emails não são “emailuzeiros” e aqueles que dão entrevistas na TV não são “TVzeiros” – eles são líderes usando a tecnologia para comunicar. Comunicação é o centro da liderança – usar palavras, escritas ou ditas, para articular a estratégia, guiam as organizações, implicam em diálogo, e… lidera.”
O blog do John está suspenso por um período indeterminado.
E falando em CEOs…
…Continuação do post anterior.
Se usar o blog para se aproximar dos investidores parece ser polêmico, veja o que fez o CEO da Whole Foods e o que o Jonathan falou a respeito.
John Mackey, um CEO que também possui um blog, postou, de 1999 a 2006, mais de mil comentários sobre a sua empresa em um forum de discussão sobre investimentos do Yahoo. Até aí tudo bem? Nada. O fato é que ele usou um outro nickname e se fez passar por outra pessoa que não tinha nada haver com a empresa a qual ele representava. O nick de Mackey era um anagrama com as letras do nome da esposa (que criativo!).
Ele está sendo investigado pela SEC.
E como ele tem um blog, a imprensa foi perguntar ao Jonathan qual era a sua opinião.
Além da resposta ter sido divertidíssima, veja um destaque do que ele falou:
“Eu adoraria que um dia todos nós eliminássemos o termo “blogueiro” do dicionário (e que parássemos de perseguir o CEO que bloga). CEO’s que possuem um celular não são “celuleiros“, aqueles que utilizam emails não são “emailuzeiros” e aqueles que dão entrevistas na TV não são “TVzeiros” – eles são líderes usando a tecnologia para comunicar. Comunicação é o centro da liderança – usar palavras, escritas ou ditas, para articular a estratégia, guiam as organizações, implicam em diálogo, e… lidera.”
O blog do John está suspenso por um período indeterminado.




