Opinião sobre a informação abundante
O brilhante Carlos Heitor Cony escreveu, em sua coluna da Folha de S.Paulo, sobre a mentira e a verdade no meio da poluição e amplitude das informações, com a presença da grande encurtadora de distâncias, que é a Internet.
“[…]Acontece que, mais cedo ou mais tarde, a mídia impressa ficará dependente não dos seus quadros profissionais, de sua estrutura de captação das informações.[…]”
Já está sendo: Veja o BlogBurst que encontrei via Wired.
“[…]O gigantismo da internet tem porém pés de barro. Se ganha no alcance, perde no poder de concentração e análise. Qualquer pessoa, medianamente informada ou sem informação alguma, pode manter uma fonte de notícias ou comentários com responsabilidade zero, credibilidade zero, coerência zero.[…]”
Pura verdade, mas vejo uma oportunidade. Um treino individual para passar por cima desse problema: Ler mais e ter leitura crítica. Não ser um simples ralo que só absorve informações passivamente. Não ser dependente de uma única fonte de informação. Problema típico da civilização.
Mais um adicional: No mundo dos blogs, os leitores identificam quem tem e quem não tem credibilidade. Ao menos em assuntos mais sérios. Ao menos até hoje.
A liderança corporativa nos blogs
Atualização (25/04/2006):
Com a saída de Scott McNealy, Jonathan se tornou CEO da Sun, e é o primeiro CEO blogueiro na lista das 500 empresas mais ricas nos Estados Unidos.
Um exemplo para a liderança das empresas brasileiras que estão ignorando o poder dos blogs na comunicação corporativa. E um exemplo para as empresas que não dão atenção aos clientes sob nenhum aspecto.
Jonathan Schwartz, o Presidente e COO da Sun Microsystems, e um dos representantes (pioneiro) dos blogueiros na alta direção das empresas, concedeu uma pequena entrevista exclusiva para Serendipidade.com. Confesso que fiquei surpreso ao ver a acessibilidade e prontidão que obtive.
O texto completo você poderá acompanhar no website do meu livro, que será lançado em breve.
“Nós estamos apenas no começo do impacto das tecnologias participativas na liderança e comunicação corporativas. Acredito que, em 10 anos, a participação de executivos seniores em conversações de mercado não será mais estranha (ou assustadora) do que o uso de e-mail hoje. […]
Que conselhos eu dou? Comece estabelecendo uma boa política e normas de uso. Seja honesto e aberto […]. Não pense que blogar é fazer publicidade. Encontre a sua voz e seu estilo. Publique links para pessoas que intreressam ou influenciam você.[…]
Responda as idéias legítimas que chegam pelos comentários. Escreva por você mesmo, acima de tudo. Autenticidade é obrigatório. Contratar alguém para escrever seu blog é como contratar alguém para escrever seu e-mail. […] Isso poderá danificar irreversívelmente a sua credibilidade e reputação.”
A propósito, coincidentemente Jonathan esteve no Brasil esta semana para o Sun Tech Days e se encontrou com o Presidente Lula para discutir tecnologias acessíveis e software livre.
Obrigado Sr. Schwartz pela atenção!
Conheça o Fortune 500 Business Blogging Wiki, que mantém uma lista atualizada dos blogs corporativos existentes nas 500 maiores empresas americanas. Apenas 27 das 500 (5,4%) estão blogando, segundo eles.
Blogs são conversações
O excelente CarreiraSolo disse:
“Talvez a grande missão […] seja criar a Blogosfera mais participativa, atuante, real, nacional, única…do planeta. Vamos divulgar os talentos dos amigos (dos reais e dos virtuais que acabamos fazendo aqui e ali) […]”
Substitua o TALVEZ por É.
Desde 2000, quando o Cluetrain Manifesto revolucionou o mundo dizendo que “mercados são conversações”, o que os blogs têm feito é somente confirmar essa tendência.
O blog não é vitrine, BLOG É CONVERSAÇÃO.
Estamos aprendendo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e mais em um monte de lugares.
Todo mundo está falando nisso. Estamos alcançando o tipping point. Depois é só aproveitar.
Para maiores informações relativas aos impactos dessa conversação nas empresas, aguardem o meu livro. Está quase lá.
Todo mundo escreve, ninguém lê…
Carlos Cardoso comentou o que o Fábio Seixas escreveu e o Jônatas concordou: Todos mundo gosta de escrever, mas ninguém gosta de ler e comentar.
Você conhece alguma mídia, algum jornal, rádio ou TV, que possui mais executores do que espectadores? Não? O blog?
É… O blog é um fenômeno, o blog é o único que é assim: mais escrito do que lido. Nossa humanidade pode ir dormir feliz.
Criar é muito mais gostoso porque estamos criando. Ler é secundário, como já dizia o meu post de dezembro de 2005 sobre a baixa audiência dos blogs.
Blogueiros são egoístas? Talvez…
Sermos reconhecidos é melhor que reconhecer? Sem dúvida…
É… os blogueiros são “quase-egoístas”. A criação pode tomar o tempo que temos disponível para ler o que outros estão falando.
Então o foco passa a ser outro: é o número de leitores. Como os leitores são em número menor que o de escritores, ninguém vai comentar ou criticar mesmo, estamos ocupados.
Outra teoria pra quebrar o gelo:
Talvez estamos descobrindo que a cultura dos brasileiros é a de não comentar nos blogs, mas sim fazer filas, passar os outros pra trás, ou jogar na mega-sena…
Navel gazer
Tirei essa foto abaixo em um final de semana aqui em São Paulo. Veja a foto e volte aqui. O que mais me intriga é pensar em duas questões relevantes:
1 – Ao ver um aviso desse tipo você se sente sensibilizado a ponto de não encostar naquela calçada?
Pela foto responderemos não a essa questão.
2 – De que adianta o autor do aviso transparecer tamanha agressividade na mensagem?
E aqui responderemos que não adiantou nada.
Se houvesse respeito mútuo na civilização, não haveria necessidade de ser agressivo de um lado ou ser desrespeitoso do outro.
O problema é que quando não estamos dançando numa balada, ou dando risadas com amigos numa mesa de bar, nós estamos fechados em nosso mundinho egoísta e nos preocupamos somente com nosso umbigo.
No trânsito viramos monstros, em filas parecemos bichos e quando existe a possibilidade de ganhar um pouco mais, somos oportunistas.
E é por muito disso que tudo o que é mau nesse mundo acontece…

Só falta a sua empresa…
…para participar deste grupo seleto de exemplos de blogs usados nas empresas e para negócios:
Amazon, Avaya, BMC Software, Cisco, Dell, EDS, Ford, GM, HP, Microsoft, Sprint, Renault F1 Team, Sun, Texas Instruments, Boeing, Oracle, SAP, BMW Oracle Racing, McDonalds, IBM, Ducati e [Sua empresa aqui].
Reforçando o pedido, estou terminando o meu livro sobre Blogs Corporativos, e gostaria de saber se a sua empresa já está blogando. Ou mesmo se você conhece alguma outra que está blogando aqui no Brasil. Exemplos nacionais.
Como eu já havia dito, a seção de agradecimentos do meu livro não se esquecerá de vocês. Comente, me mande e-mail e deixe suas credenciais.
Amor, ódio ou mediocridade.
Já que o calor da conversa é sobre empresas maltratando clientes, como é o caso dos últimos dois posts, queria pegar o gancho da Kathy Sierra e emprestar uma figura (não tive tempo de traduzir) que fala sobre um outro tipo de zona de mediocridade.
Olhem:

Sua empresa deve ser amada ou odiada pelos seus clientes, ser neutra em sentimentos é medíocre. Ser do amor é retenção, desenvolvimento e respeito ao cliente. Ser do ódio é obter uma publicidade do tipo falem bem ou mal, mas falem de mim, mas mesmo assim ainda é estar no centro das atenções.
Ser medíocre ninguém quer. Medíocre não é legal, ninguém nota, os funcionários se aborrecem, e a própria palavra já assusta.
Portanto, o que provavelmente fazem as empresas brasileiras e quem sabe quase todas as outras?
Resposta: Migram para o ódio fugindo da mediocridade, porque ir para o amor é muito mais difícil e custoso. Isso dá no que dá: filas no Procon, reclamações em SACs, empresas quebrando, etc.
É gostar muito de adrenalina?
Chega disso, senão daqui a pouco vão me chamar de bebê chorão.
30 empresas ruins
Enquanto você se lembra de algumas experiências ruins com empresas, delicie-se com a lista das 30 empresas com mais reclamações no Procon-SP em 2005 (e veja em negrito quantas delas possuem produtos ou são de telecom):
Claro – 1.035
Vivo – 870
Embratel – 591
Telefônica – 503
Vésper – 398
Eletropaulo – 321
Credicard – 314
Telemar – 272
Motorola – 186
Clube de Regatas Tietê – 149
Caixa Econômica Federal – 137
Rusk Consultoria e Administração – 136
Cartão C&A – 131
Banespa – 123
Itaucard Financeira – 121
Banco Fininvest – 119
TIM Celular – 113
Banco do Brasil – 105
Associação Portuguesa de Desportos – 103
Intelig – 101
Unibanco – 93
Banco ou Cartões de Crédito Bradesco – 87
Siemens – 85
Clube Fiscal do Brasil – 84
Sabesp – 82
LG Eletronics – 82
Gradiente – 79
Blue Card – 78
Club Fácil – 78
Ibibank/Banco Ibi – 76
Cadê a ANATEL?
Fonte: Folha de São Paulo
Relacionamento (verdadeiro) com clientes
Temos que ser generosos em relacionamentos.
O blog HorsePigCow apresentou uma série de características do relacionamento e amizade, mas eu gostaria que vocês fizessem a leitura sob o ponto de vista de relacionamento com seus clientes.
Apliquem essas regras ou observações básicas na sua maneira de fazer negócios, e você poderá enxergar o quanto verdadeiras elas são.
- O resultado do relacionamento é proporcional ao quanto você se dedica a ele.
- Para ter um amigo, você precisa ser amigo.
- A pior ferida é a traição de um amigo. Algumas pessoas perdoam ou são perdoadas, mas se você apronta uma vez, nada será como antes.
- Relacionamentos possuem limites que devem ser respeitados.
- Amigos casuais vêm e vão, mas relacionamentos verdadeiros duram para sempre.
- Quando alguém faz você se sentir bem consigo mesmo, esse alguém é um amigo. Se alguém faz você se sentir mal, provavelmente esse alguém não é um amigo.
Para o terceiro ponto eu dedico o meu post sobre a TIM. Ou poderia discorrer sobre os problemas de um celular da LG recém-comprado (menos de 1 mês) que já está na assistência técnica, e o pior é que eles não trocam por um novo.
Para o último eu cito os recentes acontecimentos com os celulares da Motorola.
Porque telefonia tem que ser o pior exemplo? Simples, porque é o tipo de serviço que MAIS depende do bom relacionamento, isso devido à propriedade de descarte que está se tornando cada vez mais viável. Não gostou, trocou.
Para clientes como os do meu perfil, só resta uma resposta: “Nunca mais compro nada da LG, porque eles não foram amigos.”
Você já teve um “mau relacionamento”? Se importa de contá-lo para nós? Revolte-se!
Boca-a-boca 2.0
Você já se deu conta que o mundo está andando muito rápido com a Internet, e o que valorizamos como interessante pode ser a sua opinião sobre qualquer pessoa, projeto, idéia no mundo?
A Internet nos trouxe uma espécie de palanque para que colocássemos nossas opiniões. Quem quiser que escute. Só que em alguns casos milhares de pessoas escutam. No final das contas a sua idéia ou ação repercute gerando uma celebridade da noite para o dia.
Música:
A banda Arctic Monkeys lançou algumas músicas on-line e se tornou super popular antes mesmo do primeiro CD ir às lojas. O mesmo está acontecendo com a Sigur-Ros
Livro:
Todos cansamos de ouvir falar em Bruna Surfistinha e no seu blog que virou livro. Na europa o livro Geração 1000 Euros foi escrito e colocado para download gratuito em dezembro de 2005. Com mais de 20 mil downloads em 4 meses, o livro será traduzido para outras línguas e publicado em papel em vários países europeus.
Fama:
Subir no palco com o Bono Vox poderia gerar no passado somente uma entrevista na TV, hoje a Internet projeta a pessoa a níveis jamais sonhados. Os blogs comandam esse efeito em sua vasta rede de interligações, e os blogs também podem projetar você.
Filmes:
Milhares de pessoas assistem a vídeos inusitados no You Tube ou no Google Video, fazendo com que qualquer pessoa se torne um cineasta (nas suas devidas proporções) da noite para o dia.




