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Construtor de pessoas

set 23, 2008   //   por Serendipidade   //   Serendipidade  //  6 Comentários

Caçula de um grupo de 6 irmãos, Moacir Cipriani nasceu e cresceu na pequena cidade de Pirajuí no interior de São Paulo, próxima da cidade de Bauru. Teve uma infância humilde mas feliz, se emocionava toda vez que contava as histórias de quando era jovem entre as arapucas para passarinhos e constantes mergulhos nos pequenos lagos da região. Nas festividades de final do ano era sempre aquela alegria, era o momento que a família unida em oração dividia aquele que era o melhor banquete do ano, com direito até a refrigerante.

Foi lá que ele conheceu Maria Conceição com que se casou após seis anos de namoro. Esses anos de amor foram divididos entre Pirajuí, sua cidade natal, Ribeirão Preto, onde se graduou em Química pela USP e São Paulo, onde terminou seu Mestrado em Química Analítica na USP.

Aí vieram os filhos, 2 meninos e 1 menina em um período experimental para encontrar um lar definitivo. Cada um nasceu em uma cidade diferente, o mais velho em São Paulo, a do meio em Belo Horizonte e o caçula em Santos. Preocupados em dar o melhor para eles, o casal decidiu se mudar para a pacata e bela cidade de Poços de Caldas.

Ele se especializou em energia nuclear e seus impactos no meio ambiente trabalhando na Comissão Nacional de Energia Nuclear. Em 2002 ele defendeu, após vários anos de trabalho, a sua polêmica tese de doutorado na UNICAMP sobre a mitigação dos impactos sociais e ambientais decorrentes do fechamento definitivo de minas de urânio.

Esse era o seu trabalho e sua paixão, mas não parava por aí. Sempre muito ativo na sociedade e muito religioso, ele atuou por muitos anos, juntamente com sua amada esposa, como agente da Pastoral Familiar na região da diocese de Guaxupé, e nos últimos anos formava a presidência da Escola de Pais de Poços de Caldas. Sua missão era educar famílias, discutir assuntos atuais encarados pelas mesmas e principalmente a influência recebida da sociedade.

Desde 2002 lutava contra o câncer, mas sempre de uma forma que pudesse transmitir lições. Em 2005 ele liderou por iniciativa própria um estudo que buscava relacionar a radiação natural do planalto de Poços de Caldas com o número de casos de câncer na região. Podia mas não queria se aposentar, entre seus inúmeros projetos para o futuro, estava o contínuo estudo do tema radiação e sociedade e a prestação de serviços de consultoria.

Com seu caráter forte e sério, sua habilidade na churrasqueira nos domingos de manhã, sua simplicidade na forma de encarar questões complexas e com seu amor à vida, ele viveu para dar o melhor para sua família e para a sociedade. Seus 3 filhos são hoje adultos e independentes. Sua esposa, seus amigos e pessoas que tiveram contato com ele algum dia nessa breve vida certamente carregam a lembrança de uma de suas qualidades, lições ou mesmo piadas e brincadeiras que costumava tanto fazer.

Ele construiu poucos bens materiais porque foi um construtor de pessoas. Eu sou uma das obras feitas por ele, eu sou seu filho.

Eu te amo, meu pai.

Moacir Cipriani
★ 07/01/1949
✝27/08/2008

Enquanto eu estava de férias…

set 21, 2008   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  3 Comentários

…muita coisa aconteceu. No nosso mundinho online a minha percepção me conta:

- No Twitter todo mundo parece estar escutando ♫ agora. Ainda mais, podem fazer várias coisas… ✈ ☎ ☠

- A Microsoft está fazendo com que todo mundo abra seu peito e fale bem alto “Eu sou um PC“. Os blogueiros estão a mil.

É isso. Tem muito mais acontecendo, mas é isso.

Queda de cabelos?

set 19, 2008   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  4 Comentários

Passando por uma vitrine de uma farmácia em Verona, a terra do Romeu e Julieta na Itália, me deparei com o cartaz do Crescina, um produto contra a calvície de homens e mulheres. Tirei uma foto.

“Ronaldo recomenda: Crescina Caduta”

Aí eu vi a propaganda de TV. Sem mais.

O que vale mais: Bom produto, bom atendimento ou o ambiente?

set 17, 2008   //   por Serendipidade   //   Marketing / Negócios  //  4 Comentários

No final de semana passado passei por Zurique e tive o prazer de visitar o recém inaugurado Café Felix na Bellevueplatz. Na verdade descobrimos o lugar por acaso andando pela cidade. Vimos um café cheio de gente resolvemos entrar e experimentar alguns dos quitutes apresentados no balcão.

Então testamos a tríade: Produto, Ambiente e Atendimento. No nosso caso:

  • Por produto entenda o cremoso chocolate e o delicioso quiche de abobrinha e pimentão que comi.
  • Por ambiente entenda o belíssimo e agradável local onde o Café está instalado (veja a foto).
  • Por atendimento entenda a perdida garçonete que demorou anos para atender e entregar o pedido.

Dois pontos positivos e um negativo no placar da Experiência do Cliente.

O problema é que o ponto negativo incomodou tanto que saímos de lá blasfemando a Suíça! O que demonstra que o atendimento tem um peso muito maior que o produto e ambiente juntos na satisfação de um cliente.

Um produto nós decidimos comprar depois de ver a aparência, especificações, indicações de amigos e, finalmente, nossa expectativa de qualidade perante o preço. Temos uma expectativa maior ou menor dependendo dessas variáveis – somos mais flexíveis no resultado e conseqüentemente ficamos menos impressionados com o mesmo do que ficaremos com o atendimento (a seguir).

O ambiente é um bônus na experiência do cliente. Ele influencia no usufruto do produto e na recepção do atendimento, por isso pode melhorar ou piorar ambas as variáveis. O maior papel do ambiente é na conquista de novas oportunidades de venda – lembre-se que foi ele que fez com que entrássemos no local antes de tudo.

Já o atendimento é algo que, segundo nossas expectativas, deve ser SEMPRE bom. Simples assim. Se eu vou te pagar algo no final, você deve me prestar o serviço de vender e não o favor em servir. É minha compra que sustentará suas pernas no final. Por isso somos mais sensíveis a ele.

Retiro o que eu disse sobre “blasfemar a Suíça”. Em seguida fomos na Confeitaria Sprüngli. Além do atendimento exemplar e ambiente sedutor, eu comprei um quiche ainda melhor que o anterior, sem falar nos deliciosos Luxemburgerli, um tipo de míni macaron francês. Recomendado.

Axioma final: A história acima não substitui a fúria de comprar um produto com defeito. Mas lembre-se que se o atendimento na substituição do mesmo for boa, você perdoará e ainda por cima recomendará a empresa.

Cheiros e a italiana maneira de lidar com seus clientes

set 15, 2008   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  2 Comentários

PizzaCheguei ontem em casa depois de duas semanas fazendo um pequeno grande giro pela minha velha e boa Itália. Foram mais de 4.400 km rodados de carro e incontáveis kms andados a pé.

Antes de entrar no esquema normal das minhas postagens vou gastar algum tempo (talvez uns 2 ou 3 posts) contando algumas situações que me fizeram refletir.

Como estava retornando ao país pela primeira vez depois de ter morado lá em 2001/2002 pude notar que a Itália tem um cheiro. A minha memória olfativa o detectou logo que coloquei os meus pés em Aosta, no norte do país. Um cheiro adocicado com fundo de comida, algumas vezes manchados de bromidrose por conta dos escassos banhos que as pessoas tomam por lá. Confirmei também que voltar a um lugar visitado mais uma vez permite descobrir um grande número de características físicas, culturais e de comportamento que passam despercebidas por quem só visita um lugar uma única vez.

Mas em se falando da Itália, uma característica é possível perceber sempre: a impaciência (e educação) dos balconistas. “Tolerância zero”.

Em Roma, a alguns passos da Fontana di Trevi escutei um balconista de uma pizzaria respondendo a um brasileiro desavisado (e que não falava italiano):

_ Pago aqui? – pergunta o Brasileiro em alto e bom português logo em frente a caixa registradora do local,

_ Não, você sai pela porta, passa em frente a fonte e segue reto, anda até o Pantheon e lá você vai encontrar um lugar escrito “Cassa”. É alí que você deve pagar. – respondeu em italiano o balconista/dono do estabelecimento para o delírio próprio e dos demais italian speakers presentes.

O brasileiro, que aparentemente não entendeu o que o balconista falou, pegou o dinheiro e entregou a ele com cara de interrogação.

Ri muito. Pensei nos pobres balconistas que enfrentam uma legião de turistas perdidos todos os dias e pensei no povo brasileiro e seu pequeno rabo balançante para todos, especialmente gringos. Viva as diferenças.

Descanso

ago 28, 2008   //   por Serendipidade   //   Serendipidade  //  2 Comentários

As coisas vêm acontecendo com muita intensidade nos últimos dias, por isso saindo de férias pelos próximos 20 dias. Aos visitantes que postarem comentários ou enviarem emails tenham um pouquinho de paciência pois vou me isolar da internet.

Leia novamente o título do post: não é DESCASO, é DESCANSO! ;-)

Enquanto isso fucem bastante pelos arquivos ou tentem a sorte na busca do blog. Aposto que tem algo ali pra vocês.

Abraços a todos!

Papo furado #3 – Criando seu próprio charlatanismo

ago 25, 2008   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  2 Comentários

Ao invés de quebrar as pernas de histórias “mal contadas” como fizemos nos dois primeiros “papos furados“, vamos passar a receita para criar o seu próprio charlatanismo. Por meio desse exemplo podemos educar as pessoas para não sair acreditando em tudo que é dito nesse tão deturpado mundo.

As “dicas” estão resumidas abaixo e são extraídas da tradução do artigo da Skeptical Inquirer obtida aqui.  Essas táticas ilustram as características comuns das pseudociências.

1. Crie um fantasma

O fantasma é uma meta distante que é vendida como possível quando fazemos o esforço certo. Exemplo:  contatar um parente morto numa sessão espírita ou receber a sabedoria do Universo através de um golfinho canalizado e melhorar o jogo de boliche.

2. Arme uma cilada racionalizadora

A cilada racionalizadora é baseada na seguinte premissa: faça a pessoa se comprometer com a causa o mais rápido possível. Isso feito, a natureza do pensamento muda. O coração comprometido não está muito interessado numa avaliação cuidadosa dos méritos do rumo de uma ação, mas sim em provar que está certo.

3. Fabrique uma fonte de credibilidade e sinceridade

Crie um guru, líder, místico, senhor ou outra autoridade genericamente aceitável e poderosa, uma em que as pessoas teriam de ser loucas para não acreditar. Por exemplo, vendedores de fitas subliminares alegam possuir conhecimento especializado e treinamento em campos como o da hipnose.

4. Estabeleça um “granfalloon

Estabeleça um grupo de pessoas que possa seguir esse líder e que, dentro dessa comunidade, defenda os pontos de vista da causa. Use algumas identidades sociais para ajudar como: rituais e símbolos, jargões e crenças que só os membros do grupo entendem e aceitam, informações especializadas, entre outros.

5. Use persuasão autogerada

Uma das mais poderosas táticas para espalhar sua pseudociência identificada por psicólogos sociais é a persuasão autogerada. Quando as pessoas ativamente criam argumentos a favor de uma causa é muito mais provável que elas mudem sua atitude a favor desses argumentos.

6. Construa apelos vívidos

As pessoas se importam com um indivíduo ou uma história singular, e não com um grupo ou uma estatística. Um estudo de caso ou exemplo bem-apresentado pode causar uma impressão duradoura. Veja a vivacidade dessa: alienígenas do espaço examinando os órgãos sexuais de seres humanos.

7. Use a pré-persuasão

Pré-persuasão é quando se define a situação ou o cenário de modo que convençamos sem ter o trabalho de levantar um argumento válido. Estabeleça a natureza da questão (liberdade para acreditar mesmo que existam opositores), crie expectativas (use o fator placebo a seu favor) e demonstre critério (técnicas que comprovem seu argumento e invalide novos argumentos “suspeitos”).

8. Use heurísticas e lugares-comuns com freqüência

Heurísticas são regras condicionais simples do tipo “Se… então…” amplamente aceitas; por exemplo, se algo é mais caro, então deve ser mais valioso. Já os lugares-comuns são crenças amplamente aceitas que servem como base para um apelo; por exemplo, o que é natural é bom e o que é artificial é ruim. Outros exemplos: se é raro é valioso, se todos concordam é verdade, se o texto é longo é válido, entre outros.

9. Ataque os oponentes destruindo seu caráter

Finalmente, você vai querer que a sua pseudociência fique a salvo de ataques externos. Já que a melhor defesa é o ataque, ofereço-lhe o conselho de Cícero: “Se você não tem um bom argumento, ataque o demandante”.

Gestão do relacionamento com as empresas

ago 18, 2008   //   por Serendipidade   //   Marketing / Negócios  //  1 Comentário

Este é um post sobre o cliente.

Hoje estava lendo sobre a Fonolo, uma startup americana que criou um conceito de navegação pelos menus dos call centers das grandes empresas com transcrição e tudo. Ao invés de discar manualmente, ouvir e teclar as opções apresentadas (tecle 1 para compras, tecle 2 para vendas, etc.), a Fonolo vai manter toda a árvore de decisão dos principais call centers, você escolhe onde quer ir e assim que a Fonolo chegar naquele menu ela te liga de volta e, de quebra, vai ajudar você catalogar o que foi discutido com texto e mesmo a gravação da conversa.

Nesse ponto eu pensei:

O maior inimigo do atendimento/serviço ao cliente é o dinheiro (ou a falta dele).

Companhias passam a maior parte do tempo pensando em como economizar em atendimento ao invés de pensar em como torná-lo mais lucrativo.

A Fonolo é uma idéia revolucionária para combinar qualidade com custo: diminui o tempo gasto na ligação (custo para a empresa) e coloca quem liga em contato com a pessoa correta mais rápido (ganho para o cliente). Não ficou claro se o serviço tem um custo, mas se as empresas patrocinassem (direcionando parte das economias em chamada), ele poderia ser gratuito.

Mas este não é um post sobre a Fonolo. É um post sobre o cliente.

Estamos entrando na era do Company Relationship Management (CRM) do cliente. O poder está se concentrando cada vez mais nas mãos do consumidor. Isso se casa perfeitamente com a idéia que bloguei aqui no mês passado no post “Entendendo o novo consumidor digital”, onde pela primeira vez falei sobre o Ciclo de Vida das Empresas.

Estou ansioso para ouvir a sua opinião a respeito.

Teorema da economia viral

ago 14, 2008   //   por Serendipidade   //   Criatividade / Inovação  //  4 Comentários

Esse é o teorema de retalhos dos livros abaixo.

Quando lidos individualmente, estes livros trazem muitas idéias que provocam o leitor, faz com que nossa cabeça pense e raciocine sobre o ambiente que nos cerca. Mas quando lemos e refletimos sobre o grupo, temos a impressão que o círculo se fecha. Existem sobreposições e variações dos mesmos (parecidos ou relacionados) temas. Um livro puxa outro.

As conexões são as seguintes:

1O Gene Egoísta (1976) – Dawkins criou o conceito de meme. Unidades ou fragmentos de idéias e pensamentos que habitam nosso cérebro e que tem a capacidade de se autopropagar.

2The Tipping Point (2000) – Pegou um nome e conceito criado por Morton Grodzins nos anos 60 e elaborou um ótimo livro em torno dele. Ali foi definido que quem espalha o vírus das idéias são os conectores, especialistas e os vendedores. Ah, o livro também fala sobre o fator “stickiness” (pegajosidade) das idéias que espalham.

3Made to Stick (2007) – Pelo nome do livro dá até para imaginar que o texto faz referência ao The Tipping Point. Sim, o livro é, de certa forma, dedicado a ele. Os autores desenrolaram uma regra chamada “SUCCES” (Simples, Inesperada, Concreta, Crível, Emocionante e Histórica) para criar idéias e trouxeram o conceito da “maldição do conhecimento” – que a grosso modo diz que quando sabemos algo é difícil explicarmos. Aqui o SUCCES é a máquina processadora de memes e criadora de idéias.

4The Social Atom (2007) – Descreveu as pessoas como átomos os quais seguem padrões. Somos adaptadores, imitadores e cooperadores. A idéia de um tipping point é descrito na forma em que imitamos os outros e causamos uma avalanche de mudanças.

5Predictably Irrational (2008) – Um dos últimos que li e que fecha o cerco. Migrando para a área de economia baseada no comportamento humano, o livro nos traz vários exemplos que abordam diversos temas dentro do assunto. Aversão à perda (evitar riscos), endowment effect (o que possuo é mais valioso), enquadramento (dependendo da forma que contamos uma idéia ela será adotada), são alguns exemplos da economia comportamental.

Perceba como os conectores, especialistas e vendedores (grupo 1) se relacionam com os adaptadores, imitadores e cooperadores (grupo 2) e como o fator pegajosidade (informação) consiste em memes ordenados trocados entre essas partes. O fator irracional provoca a reação desejada.

Como no caso do ovo e da galinha, não sabemos ao certo se o grupo 1 veio antes do 2 ou vice versa. Além disso, o grupo 1 pode ter qualidades do grupo 2 e vice versa também. Mas deixamos separados para fazer a teoria funcionar.

Observe que coloquei o meu livro na transmissão da idéia, mas aqui vale qualquer veículo.

Curiosamente a ordem cronológica de publicação dos livros segue a ordem do ciclo implícito no teorema:

Criar – Transmitir – Receber – ReagirCriar

Tem material o bastante aqui para gerar um outro livro ;-)

Quer ser uma empresa social? Comporte-se como tal!

ago 8, 2008   //   por Serendipidade   //   Marketing / Negócios  //  Nenhum comentário

1035599_have_a_seat @ stock.xchngHoje em dia todas as empresas tem vontade de ser uma empresa social.  Elas querem abraçar de vez os seus clientes de uma forma amigável, dando um rosto e uma mão amiga, trocando insights, gerando conhecimento juntos, espalhando as novidades, educando, etc, etc. Mas a grande questão é: sua empresa está preparada para viver a vida em comunidade com seus clientes?

A pergunta acima vem sendo levantada cada vez mais pelos profissionais de marketing e relações públicas (e por mim também). Na vida da web 2.0 ou dos blogs, ou das comunidades virtuais só devem entrar as empresas que querem passar um tempo junto com seus clientes e potenciais clientes, e a linguagem deve ser de um ser humano para outro.

Por que a pergunta acima faz sentido?

Encontrei uma resposta no livro Predictably Irrational de Dan Ariely. Uma pequena seção do livro fala sobre Normas de Mercado e Normas Sociais.

Normas de Mercado é quando dinheiro entra na jogada. É o relacionamento comercial entre um cliente e uma empresa: pagar por algo significa receber um produto que corresponda ao preço dentro da nossa noção de mercado, deixar de pagar uma conta vencida significa pagar uma multa.

Normas Sociais é quando não temos dinheiro envolvido mas sim favores, brindes, mimos ou pura solidariedade. Quando pedimos e recebemos ajuda de estranhos na rua, por exemplo, não é esperado que paguemos em dinheiro, um obrigado ou um café pago basta.

No entando, se misturamos as bolas temos problemas.

Se depois de comer aquela ceia especial de Natal preparado pela sua sogra (social), você pegar sua carteira e perguntar: “quanto é que eu devo?” (mercado), isso seguramente pode contrariar a família da sua pretendente, mas se você der uma garrafa de vinho não.

Se sua empresa trata os clientes amigavelmente, envia presentes e coisa e tal, mantendo um relacionamento social com seus clientes (social), na primeira pisada no calo desse cliente (a cobrança de uma taxa inesperada porém justa e dispensável, por exemplo) – (mercado), ele vai botar a boca no mundo buzinando o quão injusto sua empresa e suas taxas são.

O recado é que se sua empresa quer agir de forma transparente e sociável, seus processos por trás desse relacionamento devem estar preparados para evitar conflitos com as normas de mercado.

Pense nisso.

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