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Cisnes coloridos, sagacidade e ciência

ago 5, 2008   //   por Serendipidade   //   Serendipidade  //  4 Comentários

http://www.susetic.com/fotos/AlexOD/?C=M;O=DO Rodolfo Araújo da Adrenax Capital me escreveu contando sobre seu interesse pela palavra que dá nome a este blog. Ele leu recentemente ‘The Black Swan‘ e desde então sua vida parece ter mudado. Não li esse livro ainda, mas sobre o tema é isso que eu penso a respeito do fator descoberta:

- nós crescemos e paramos de nos impressionar com as pequenas coisas da vida, então quando olhamos as coisas com uma certa dose de mente aberta podemos nos impressionar

- o mundo, apesar de pequeno na distância entre as pessoas, tem uma infinidade de temas e conhecimento que podem ser, quando revelados, um grande achado para os nossos valores e opiniões. Só que se você exagerar você pode ficar burro.

Ele escreveu muito bem a respeito de Serendipidade (enriqueci com links):

[...]

Diversas listas de descobertas acidentais freqüentemente incluem a anestesia, o celofane, dinamite, nylon (que por sinal são as iniciais das capitais da moda quando da sua descoberta: NY e Londres), PVC, vacina de sarampo, aço inoxidável, Teflon, raios-X, forno de microondas e outros. Mas como tantos acidentes assim acontecem dentro dos ambientes que deveriam primar pela organização, precisão e previsibilidade?

A verdade é que a lista é, provavelmente, muito maior do que os próprios cientistas querem que acreditemos. No provocante ensaio Accidental Innovation (Harvard Business School working paper 06-206, 2006), Austin, Devin e Sullivan argumentam que muitos pesquisadores preferem omitir o papel desempenhado pela sorte em seus trabalhos, temendo que isso possa diminuir ou desmerecer seus resultados.

Os autores foram mais além e pesquisam as histórias por trás das descobertas que levaram aos Prêmios Nobel de Medicina e Fisiologia, no período entre 1980 e 2005. Nada menos do que 13 em 27 (48%) incluem algum tipo de sorte em suas narrativas.

Mas se serendipity é algo assim tão bom – por contribuir para a inovação – por que temos a impressão que nossos assépticos laboratórios tentam negá-la, baní-la, em vez de fomentá-la? A primeira parte da pergunta foi mencionada uns parágrafos atrás, especulando em torno do receio de que o público leigo atribua o trabalho de uma vida à mera sorte. O Dr. Stoskopf responde com outra pergunta: “Será que o peso cada vez maior dos controles externos na experimentação e exploração científicas não diminuem o benefício potencial da ciência, ao limitar as oportunidades para as descobertas ao acaso?” (Observation and Cogitation: How serendipity provides the building blocks of scientific discovery – ILAR Journal, Vol 46, Núm 4, 2005).

Mas a segunda parte… bem, como se precipita a sorte? De que forma se alimenta o acaso? É possível favorecer um acidente? Como se subverte tão descaradamente o método científico? Como os três príncipes testariam a hipótese de que a mula era manca?

A pasteurização do raciocínio – não só no ambiente científico, mas também no acadêmico e empresarial – pode limitar nossas chances de criar coisas realmente novas. Indução e dedução contribuem para expandir o conhecimento existente, mas não constroem conceitos verdadeiramente inéditos. Novas idéias precisam de um quê de irracionalidade, acaso, criatividade e – especialmente – uma apuradíssima capacidade de observação. Envolve, freqüentemente, ver o que todos vêem, mas pensar o que ninguém pensa.

Estimula-se serendipity, pois, quando se desprende a mente do pesquisador – ou do administrador, empreendedor – das convenções, das regras e das idéias pré-estabelecidas. Para criar e inovar é preciso um observador neutro, treinado para apreciar eventos inéditos sem viéses pré-concebidos sobre o que deveria acontecer. É preciso ver as coisas com a mesma curiosidade como se fosse a primeira vez.

Todos conhecemos a sensação de déjà vu, um forte sentimento de que já experimentamos algo anteriormente, mesmo que isso não tenha acontecido. Vuja de é exatamente o oposto: a sensação de ver algo pela primeira vez, mesmo que já tenhamos visto inúmeras vezes. E com esses novos olhos devemos buscar o que não se encaixa ou o que se encaixa bem demais, o que se parece com outras coisas ou o que não se parece com nada.

Desse olhar descompromissado, dessa curiosidade aleatória, da capacidade de unir o que parece incompatível e da criatividade incomum surgem os avanços mais surpreendentes, as inovações mais improváveis. Desses hábitos, mais eficazes que os outros sete – ou oito – constrói-se serendipity, a sagacidade acidental.

Está prestando atenção?

Redes sociais patrocinadas são uma bomba!

ago 1, 2008   //   por Serendipidade   //   Marketing / Negócios  //  4 Comentários

Ainda conectado ao estudo sobre a tribalização dos negócios que publiquei na semana passada, via LinkedIn fui redirecionado a um post num blog e depois a um post de um blog do Wall Street Journal e ao artigo do ReadWriteWeb.

As conclusões a que os artigos chegaram (e a pesquisa também) é que comunidades virtuais patrocinadas por empresas são um desperdício de dinheiro. Mas também especularam bastante sobre os resultados.

Eu acho que a falta de informação prevalece, mas gerenciar uma rede social inteira e esperar que os clientes, além de usar Orkuts e LinkedIns da vida, também usem a rede da empresa, é um pouco complexo demais para ser verdade. E se as empresas pudessem criar um perfil nessas redes?

Mesmo nos blogs os comentários estão se distanciando e caindo no Twitter, FriendFeed, etc. Já está ficando difícil hospedar uma discussão somente no seu mundinho.

Legal também é ler os comentários nos dois últimos blogs mencionados acima. Grandes exemplos de blogs funcionando a pleno vapor que até soa contraditório com os resultados da pesquisa e com minha afirmação anterior.

Vale a pena contrapor também os resultados da pesquisa mencionada acima com a pesquisa da McKinsey que publiquei no Blog Corporativo hoje.

Uso instintivo do carrinho de supermercado

jul 25, 2008   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  Nenhum comentário

Vira e mexe eu resgato o primeiro post desse blog onde eu falava sobre um livro que registra momentos do uso instintivo do meio e dos objetos que estão à nossa volta para satisfazer nossas necessidades. No primeiro post eu coloquei uma foto de um carrinho de supermercado apoiado num poste para exemplificar o ato instintivo em questão.

Essa semana meu irmão me indicou um blog chamado FailBlog. Fail = Fracasso. “Folheando” as páginas do blog pude ver que muitas das coisas consideradas uma falha poderiam ser vistas com outros olhos: o uso criativo para satisfazer as necessidades.

Assim é com os dois exemplos de carrinhos de supermercado a seguir:

Copyright FailBlog

Além de ser bastante divertido e mostrar o lado instintivo humano, o blog também serve, ao lado do extinto ThisisBroken, como uma fonte formidável de exemplos da famosa frase “Não estou nem aí, isso não é o meu trabalho“. Esse vídeo é uma boa referência para que você entenda o que é que essa frase significa.

Papo Furado #2 – Homeopatia versus Alopatia

jul 23, 2008   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  1 Comentário

Estava lendo sobre um “suicídio coletivo” que um grupo de céticos da Bélgica cometeu em 2004. O suicídio era um protesto pelo fato de as seguradoras de planos de saúde daquele país terem decidido cobrir parte dos custos para tratamentos de Homeopatia, tida como medicina alternativa e reconhecida como especialidade médica em diversos países como o Brasil. A Alopatia pode ser entendida como o oposto da homeopatia ou como a medicina convencional, com bases científicas.

O suicídio foi cometido por meio da ingestão de doses homeopáticas de veneno, só que ninguém morreu ou passou mal.

A grosso modo, a Homeopatia consiste de um “remédio” que é que a diluição extrema de uma substância original. Essa substância original pode ser uma que combate os sintomas de uma doença ou que provoca sintomas parecidos. Mais detalhes na wikipédia.

Só que a substância é diluída tão extremamente que muitas vezes não podemos encontrar sequer uma molécula naquelas gotas de “remédio” que ingerimos. E aí?

Aí muitos dizem que na verdade não precisamos ter a molécula presente porque a água possui uma “memória” e irá se comportar como a substância previamente presente. Só que se isso fosse verdade (segundo recentes pesquisas é verdade por muito menos de 1 segundo), o que dizer de substâncias tóxicas que a água possuía antes de ser tratada para o consumo? Elas poderiam nos intoxicar ou curar também? E quanto aos nossos suicidas belgas?

Lembro que quando íamos buscar água em uma fonte de água potável meu pai, que é químico, ensinava: “Antes de encher o galão lave ele 3 vezes. É isso que aplicamos na química quando queremos realmente limpar um recipiente de tal forma que possamos usá-lo para outras experiências”.

Não venho aqui para provar ou desaprovar, só que antes de escrever esse post eu li diversos artigos a respeito e na minha opinião os efeitos do “pensamento mágico” (fator psicológico) é o que explica os casos “comprovados” de que a Homeopatia funciona. O resto é experimento raso ou mal explicado. Sim, a Homeopatia é um papo furado.

Tranformando empresas por meio de redes sociais

jul 21, 2008   //   por Serendipidade   //   Marketing / Negócios  //  Nenhum comentário

A Deloitte lançou no final da semana passada um estudo sobre a Tribalização dos negócios. Várias empresas que utilizam comunidades virtuais foram entrevistadas e os resultados apresentam um mix de idéias e melhores práticas. Como era de se esperar, muitas dessas iniciativas de colocar uma comunidade online dentro de uma empresa falham.

Hoje mesmo estava comentando sobre um comentário feito no meu post Além dos Blogs no blog do meu livro. O assunto era: mantendo sua base de usuários na sua rede social e a possível bolha da web 2.0. A coisa ia mais ou menos na linha da álgebra (sem números):

  • Conteúdo interessante = Audiência
  • Falta de inovação = Volatilidade + Declínio

Para quem se interessar pelo assunto, a Deloitte vai realizar (com base nos resultados da pesquisa) um webcast no próximo dia 30 de julho chamado: Tribalização do Business: Transformando empresas com comunidades e redes sociais. Para quem se interessar em participar é de graça!

UPDATE: Eles disponibilizaram a apresentação no SlideShare:

[slideshare id=518436&doc=2008-tribalization-of-business-study-quantitative-1216385415561514-9&w=425]

Micronações

jul 17, 2008   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  3 Comentários

Sealand - picture from WikipediaO link para minha descoberta foi: Baarle-Hertog (uma cidade intrigante que pretendo visitar) – BoingBoing (falando sobre a cidade)- BLDGBLOG (a fonte de informação do BoingBoing)- Amazon (link para um guia de viagem para Micronações). A partir de então havia entrado em contato pela primeira vez com o conceito de Micronacionalismo.

Na Wikipédia tem bastante texto e uma lista das Micronações existentes para você entender esse mundo povoado de nações interessantes, insanas, divertidas e sem nenhum nexo.

Resumindo, a coisa é mais ou menos assim: qualquer um pode criar uma nação com leis, governo, bandeira, moeda, língua, time de futebol ou qualquer outro item presente em uma nação real. A Micronação pode ter território na Terra, em outro planeta ou ser apenas um website. Coisa de louco? Não, é só mais uma forma de conhecer gente e formar comunidades, a diferença é que essa aí é muito mais antiga que a web 2.0.

A mais famosa delas provavelmente é o Principado de Sealand, que tem empresa operando, website e território (foto). Como o lugar não pode ser tecnicamente vendido, os seus governantes estão querendo vender a custódia da Micronação, o ThePirateBaydemonstrou interesse em comprar a ilha para fugir das gravadoras e processos de direitos autorais.

O Homem da Terra

jul 15, 2008   //   por Serendipidade   //   Comportamento  //  1 Comentário

Assisti um filme chamado “O Homem da Terra” no final de semana passado.

A tradução fica muito esquisita, mas o The Man from Earth tem um conteúdo muito mais interessante que o seu nome em português (e mesmo em inglês) sugere. Nada de efeitos especiais e cenas de ação, o filme teve um orçamento pequeno e sua graça está na intelectualidade.

Jerome Bixby nos presenteou com uma história intrigante: Um grupo de professores de uma Universidade americana composto por um biólogo, um antropologista, uma teóloga, uma historiadora e entre outros, se reúnem na casa de John Oldman para obterem respostas do porquê de ele estar se mudando dali e se afastando de todos eles. Conversa vai, conversa vem e o John conta que ele tem 14 mil anos e vem perambulando pelo mundo desde o paleolítico superior, e que se muda a cada 10 anos para que as pessoas ao seu redor não percebam que ele é imortal.

Daí pra frente seus amigos tentam de todas as formas desbancar a história de John e a conversa ruma para diversos campos como a ciência, história e a religião. Os amigos (e o espectador) ficam estarrecidos pelo fato de não conseguirem comprovar se ele realmente está dizendo a verdade ou não.

Lendo mais a respeito do filme, descobri que ele usou a pirataria a seu favor para se espalhar. O filme ocupa a 31a. posição no Top 50 filmes de Ficção Científica no IMDB. Veja o trailer no YouTube.

Leituras que valem a pena #25

jul 14, 2008   //   por Serendipidade   //   Serendipidade  //  Nenhum comentário

Disney’s $100,000 Salt + Pepper Shaker | David Armano
David resgata a história do professor Randy Pausch para reforçar o seu conceito de Microinterações.

The power of FREE! | Roger Dooley
Roger fala sobre recentes pesquisas no campo do neuromarketing sobre o que é grátis. Seu texto está conectado com outro post sobre o que é novo. Coincidentemente no último Leituras a segunda indicação era o conceito de grátis do Chris Anderson da Wired.

2009 Search Marketing Benchmark Guide | Marketing Sherpa
Uma pena que é só o sumário, mas já dá pra ver que além do Google Adsense ainda existem possibilidades (ou não).

Se vc gostou, leia as outras recomendações de leitura clicando aqui.

Entendendo o novo consumidor digital

jul 10, 2008   //   por Serendipidade   //   Marketing / Negócios  //  5 Comentários

Ciclo de vida da empresa versus Ciclo de vida do cliente

Num post anterior falei sobre entender a forma que os clientes interagem com uma empresa sob o ponto de vista dos próprios clientes, afim de entender melhor como é o seu comportamento no novo mundo da web 2.0.

Cada fase do chamado ‘Ciclo de Vida da Empresa’ – à esquerda – é suportada e ampliada com os diálogos online entre clientes e empresas e troca de experiências entre clientes por meio de redes sociais. Mas eu diria que a coisa toda não pára por ai, as próprias ferramentas que possibilitam essa química também modelam preferências e o comportamento da sociedade.

Para melhor operar seus negócios é preciso entender os resultados dessa interação toda dentro do ciclo de Necessidade, Decisão, Experiência e Impressão que o cliente tem com a empresa. Só assim podemos otimizar e ganhar eficiência nos processos de desenvolvimento de produto, marketing e gestão do relacionamento do cliente.

Nada de colocar seu blog no ar, estabelecer relacionamento com blogueiros, criar comunidades, criar programinhas divertidos no Facebook ou usar o Twitter sem antes saber onde se está pisando.

O exercício é saber, para cada passo do ciclo, o que está ocorrendo na internet e que influencia o consumidor. Pense a respeito.

O primeiro Google Maps mash-up do Brasil

jul 8, 2008   //   por Serendipidade   //   Criatividade / Inovação  //  7 Comentários

Saiu hoje uma matéria no caderno Ilustrada (online e impresso) da Folha de S.Paulo sobre mash-ups feitos com mapas. Com o título “Mapas on-line viram fenômeno” – o Google Maps é fenômeno desde Fevereiro 2005 -, a reportagem apresentou alguns exemplos de mash-ups.

Eu fui entrevistado para a matéria por causa do Geo-Serendipidade. O Geo foi ao ar apenas 12 dias depois do anúncio do API, e foi o primeiro mash-up usando Google Maps no Brasil e um dos primeiros no mundo. Mas o foco da matéria não cobre o know-how por trás da ferramenta.

Eu cumpri minha missão quando vi que na edição impressa publicaram minha indicação sobre meu irmão e sobre o Mike Pegg.

tinyurl.com/5kn7ml
Se Caetano Veloso chegasse ali onde a Ipiranga cruza com a avenida São João e começasse a cavar até atravessar o planeta, sabe onde ele ia parar? Lá no Pacífico, perto do Japão. É esse tipo de indicação que se obtém com o mapa que o brasileiro Luis Cipriani criou

Só não entendi porque eles usaram o Tinyurl. É feio para se colocar numa reportagem. Além disso, o link aponta para a versão antiga da página do meu irmão; map.talleye.com é o site novo.

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